A convenção anual da ABTA, a Associação Britânica de Agentes de Viagens, começa esta segunda-feira, 12 de outubro, no Savoy Palace Hotel, na Madeira, reunindo líderes do setor das viagens para debater o futuro da indústria, as oportunidades de crescimento e os desafios que se colocam às empresas. O encontro decorre até 14 de outubro e coincide com a divulgação de um novo relatório da associação sobre o contributo económico das viagens internacionais para o Reino Unido.
De acordo com o estudo, intitulado Outbound Travel – Driving Jobs and Growth Across the UK, o setor contribui com 57 mil milhões de libras por ano para o Valor Acrescentado Bruto (VAB) do Reino Unido e sustenta 865 mil empregos em todo o país.
A investigação indica ainda que, apesar do impacto da pandemia de Covid-19, a contribuição económica do setor aumentou 9,6% desde 2019, enquanto o emprego cresceu 5,7%.
O relatório destaca também a importância das viagens internacionais para as economias regionais. O Nordeste de Inglaterra apresenta o maior peso relativo do setor na atividade económica, com 2,6% do VAB regional. Londres lidera, por sua vez, na proporção de emprego associado às viagens internacionais, embora várias regiões fora da capital apresentem também uma contribuição significativa.
ABTA pede colaboração ao Governo
A divulgação do relatório acontece num contexto de dificuldades para o setor, marcado por tensões geopolíticas, alterações nos preços e na disponibilidade de combustível, fenómenos meteorológicos extremos e desafios relacionados com a implementação do novo Sistema de Entrada/Saída (EES) da União Europeia.
Perante este cenário, a ABTA defende uma maior colaboração com o Governo britânico para criar condições que permitam às empresas continuar a crescer e a apoiar as comunidades locais.
“Trabalhem connosco, não contra nós” é a mensagem que a associação dirige ao Executivo, numa altura em que se aproxima a apresentação do próximo Orçamento do Estado britânico.
Mark Tanzer, diretor executivo da ABTA, sublinha que o contributo do setor vai além das experiências proporcionadas aos viajantes, refletindo-se também no emprego e na atividade económica das comunidades em todo o país.
O responsável alerta, contudo, para as dificuldades provocadas pela instabilidade geopolítica, pelos fenómenos climáticos e pela evolução dos comportamentos de reserva. Segundo refere, há uma tendência crescente para os consumidores marcarem as viagens cada vez mais perto da data de partida, por vezes apenas algumas semanas antes, o que torna o planeamento das empresas mais exigente.
Impostos, emprego jovem e sustentabilidade entre as prioridades
No relatório, a ABTA identifica três áreas prioritárias para a política governamental: uma fiscalidade mais competitiva, o reforço das oportunidades de emprego e formação e a preparação do setor para o futuro, mantendo as viagens acessíveis.
No plano fiscal, a associação pede o congelamento do Air Passenger Duty (APD), imposto aplicado aos passageiros aéreos no Reino Unido, durante toda a legislatura, bem como a isenção das crianças. Defende ainda uma revisão dos impostos comerciais aplicados aos retalhistas, de forma a apoiar as empresas com estabelecimentos físicos.
A formação e o emprego jovem constituem outra das prioridades. Entre as propostas está a criação de um programa de experiência profissional entre o Reino Unido e a União Europeia, com o objetivo de facilitar a mobilidade dos jovens e o acesso a oportunidades de trabalho no setor do turismo. A associação defende também medidas que facilitem as viagens escolares para a Europa.
Na vertente da sustentabilidade, a ABTA considera necessário gerir a transição energética de forma pragmática, evitando aumentos significativos dos custos suportados pelos viajantes. O documento destaca ainda a modernização do espaço aéreo britânico e a redução dos custos associados à ligação dos navios de cruzeiro à eletricidade em terra.
A associação considera que estas medidas poderão contribuir para reforçar a competitividade do setor e garantir que as viagens continuam acessíveis, sem descurar a redução dos impactos ambientais e sociais da atividade turística.
O relatório completo está disponível no site da ABTA.




