Elvas vai acolher o XXII Congresso da ADHP – Associação dos Diretores de Hotéis de Portugal, que decorre nos dias 5 e 6 de março, numa escolha que pretende “dar a conhecer regiões mais distantes” e reforçar o posicionamento do Alentejo enquanto destino turístico e de MICE, contando com o grupo Vila Galé como parceiro do evento. O programa foi apresentado esta quarta-feira, 4 de fevereiro, em conferência de imprensa.
Segundo Fernando Garrido, presidente da ADHP, o congresso terá lugar no Centro de Negócios Transfronteiriço de Elvas e terá como hotel oficial o Vila Galé Collection Elvas, prevendo reunir “cerca de 700” participantes. O tema do congresso estará “integrado na perspetiva de sustentabilidade e desenvolvimento”, embora o mote concreto ainda não tenha sido anunciado, devendo sê-lo “em breve”.
A escolha do Alentejo e, em particular, de Elvas resulta de vários fatores, entre os quais o papel do congresso em “dar a conhecer regiões mais distantes e regiões que podem ser uma referência”, afirmou Fernando Garrido.
A conferência de imprensa contou com a presença de José Manuel Santos, presidente da Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo e Ribatejo, Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador do grupo Vila Galé, e Nuno Mocinha, vice-presidente da Câmara Municipal de Elvas.
Programa do XXII Congresso da ADHP e Prémios Xénios 2026
À semelhança de edições anteriores, o primeiro dia do congresso será dedicado a conteúdos mais técnicos. Durante a tarde, os trabalhos vão centrar-se em “painéis muito relacionados com a profissão de diretores de hotel”, explicou Fernando Garrido, culminando com os Prémios Xénios, cuja cerimónia terá lugar ao final do dia, para “reconhecer e premiar os profissionais que se distinguiram em 2025”.
Os trabalhos prosseguem no dia 6 de março, com um programa alargado a várias áreas estratégicas para o setor. Estão previstos painéis dedicados à forma de atrair o cliente local para os restaurantes de hotéis, bem como à promoção de destinos afastados dos grandes centros urbanos, usando como exemplo a cidade de Elvas e a região do Alentejo.
O segundo dia do congresso será marcado por painéis relacionados com a sustentabilidade na hotelaria, recursos humanos e inovação. Está prevista a apresentação de um estudo sobre as condições de trabalho no setor, que trará “indicadores extremamente interessantes”. A inteligência artificial também estará em destaque e o congresso servirá ainda para o lançamento de um livro sobre gestão hoteleira, da autoria de três académicos.
Relativamente aos Prémios Xénios, o presidente da ADHP lembrou que se trata de uma iniciativa com “bastantes anos”, cujo objetivo é “valorizar os profissionais”. Enquanto associação de diretores de hotéis, a ADHP centra-se sobretudo nas áreas ligadas a estas funções, não abrangendo domínios como a manutenção ou a informática, apesar de “todos os anos nos pedirem para criarmos mais categorias”. As votações decorrem até 19 de fevereiro e, nos últimos anos, têm rondado “os 150 mil votos globais”.
A dimensão internacional do congresso volta também a estar presente, no âmbito do European Bound of Hospitality Leaders, uma congregação de associações internacionais que integra atualmente Espanha, Alemanha e Itália, cujos representantes irão acompanhar os trabalhos em Elvas.

Elvas palco do congresso
José Manuel Santos, presidente da ERT do Alentejo e Ribatejo, recordou o congresso da ADHP realizado em Évora em plena pandemia e sublinhou o “carinho especial” da entidade por este evento. Para o responsável, trata-se de um congresso onde se sentem “mais em casa, mais dentro do turismo, mais dentro dos hotéis, dos colaboradores, das tendências”.
O responsável sublinhou a evolução de Elvas, “que hoje consegue afirmar-se também como uma cidade de MICE, de congressos, de eventos, de incentivos”. Na sua perspetiva, este congresso será importante para “reforçar e consolidar essa imagem de Elvas, mas também do Alentejo”.
José Santos vê o evento como o “kick-off de mais um grande ano turístico no Alentejo”, lembrando que a região registou “a maior evolução percentual no crescimento de dormidas em todo o país”, com o mercado nacional a apresentar a melhor subida em Portugal continental.
Já Nuno Mocinha, vice-presidente da Câmara Municipal de Elvas, recordou a classificação da cidade como Património Mundial da UNESCO, sob a designação “Cidade-Quartel Fronteiriça de Elvas e suas Fortificações”, sublinhando que “a cidade só por si não vai a lado nenhum” e que é necessário “levar lá as pessoas”.
Para isso, apoiar iniciativas como o congresso da ADHP é fundamental, uma vez que é através das pessoas que participam neste tipo de eventos que, por um lado, se aprende “como é que podemos construir a nossa cidade” e, por outro, se promove o território. “Os melhores embaixadores são sempre aqueles que nos visitam”, frisou.
Nuno Mocinha destacou ainda a dimensão transfronteiriça de Elvas, defendendo uma “lógica de complementaridade” através da eurocidade formada com Campo Maior e Badajoz, para “dinamizar o território da mesma forma e em acordo”.
Vila Galé de mãos dadas com a ADHP
Por parte do grupo Vila Galé, Gonçalo Rebelo de Almeida explicou que a adesão ao congresso surgiu de forma imediata, uma vez que o projeto tem “um alinhamento muito grande com os nossos objetivos e com a nossa visão do turismo”.
O administrador lembrou que o Vila Galé Collection foi uma marca desenvolvida “a pensar na recuperação do património e no desenvolvimento da cultura em Portugal”, sendo Elvas “uma das peças mais emblemáticas” — uma região que “já era património da humanidade, mas estava muito estagnada do ponto de vista da visitação e do turismo”.
Para o responsável, é necessário criar dinamização dos destinos, “ou através da comunicação, ou através de iniciativas adicionais”, uma vez que o simples facto de “existirem fortalezas ou muralhas não é suficientemente atrativo para levar pessoas”.
A realização do congresso em Elvas enquadra-se também no objetivo estratégico do grupo de “desenvolver outras regiões do país”, contribuindo para a desconcentração territorial dos fluxos turísticos, com vantagens ao nível da coesão territorial e da redução da pressão sobre destinos mais procurados.
A escolha do mês de março responde ainda à preocupação de não criar mais pressão sobre a época alta, funcionando como “um exemplo de medidas concretas para combater a sazonalidade”, através da criação de “conteúdos que não estão dependentes nem dos calendários escolares nem do tempo”.
Gonçalo Rebelo de Almeida destacou ainda a importância da valorização dos recursos humanos e das profissões hoteleiras, sublinhando que a ADHP tem como principais objetivos “valorizar, dignificar e fazer crescer a profissão”.
A conferência de imprensa decorreu no Hotel Vila Galé Collection Palácio dos Arcos, em Oeiras, que foi recentemente alvo de uma “ampliação de 12 quartos na ala nova”, passando a dispor de um total de 88 quartos.




