Quinta-feira, Fevereiro 22, 2024
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27 mil milhões de euros de receitas até 2027: Realidade ou miragem sem um novo aeroporto?

O presidente do Turismo de Portugal (TdP), Luís Araújo, reiterou, no congresso da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), a intenção de chegar aos 27 mil milhões de euros em receitas até 2027.

No entanto, a meta estabelecida no plano estratégico do turismo para esta década não está a convencer o setor, principalmente por falta de uma solução para o aumento da oferta aeroportuária em Lisboa.

“Este é o crescimento que queremos ter: 27 mil milhões de euros em receitas em 2027, consegue-se da mesma maneira que se conseguiu até agora: Triplicámos o volume de receitas turísticas em 10 anos, aumentámos em 60% em cinco anos (2015-2019)”, disse Luís Araújo no painel que deu o pontapé de saída do congresso nacional da AHP, a decorrer em Albufeira.

“A fasquia que o TdP está a impor é exagerada”, afirmou Manuel Proença, presidente da Hoti Hoteis, que participou no mesmo painel de Luís Araújo. “Só há duas maneiras: ou aumentámos o preço ou metemos para cá muito mais turistas (turismo de massas). Não temos grande margem de aumento de preço. O Turismo de massas a mim, pessoalmente, também não me agrada, como toda a a gente sabe tem inconvenientes grandes. Prefiro turismo “com massa””, disse o presidente da cadeia hoteleira, parafraseando André Jordan.

Também José Theotónio, CEO dos Pestana Hotel Group, não está convencido com esta meta. “Para chegar a essa meta dos 27 mil milhões de euros de receitas não sei como vai ser. Os turistas demoram duas horas a chegar da Europa e depois demoram três horas à porta do aeroporto para passar pelo SEF”, questionou no mesmo painel.

Já o presidente da Vila Galé, Jorge Rebelo de Almeida, presente na discussão, teceu critícas duras à falta de uma solução aeroportuária: “Temos ganho notoriedade, mas a história do aeroporto é uma tristeza, é uma piada. O aeroporto é pior que as obras de Santa Engrácia, porque nem sequer tem o projeto aprovado. Se o ridículo matasse, estávamos todos mortos. É uma imagem tenebrosa do país”.

Manuel Proença rematou dizendo: “Sem aeroporto não chegamos aos 27 mil milhões nem pouco mais ou menos. O aeroporto é uma questão central que tem de ser resolvida. Esta novela tem que terminar.”

1 COMENTÁRIO

  1. Cerca de 10 dos 30 milhões de passageiros que passaram por Lisboa em 2019 eram passageiros de ligação – contributo marginal para a economia e contributo zero para o turismo.
    Retirem-se esses passageiros de ligação (e os respetivos voos desnecessários – a lista é longa) e aposte-se nas companhias aéreas que, de fato, movem passageiros de/para Lisboa e a solução do aeroporto está resolvida.
    E já agora, tenha-se noção de que o turismo é de Portugal e não de Lisboa…alguém já pensou que a Madeira, uma das regiões mais turísticas do país, não tem nenhuma companhia aérea baseada no Funchal? Isso sim, seria prioritário – até porque quem aterra no Funchal fica no território…ou vai, no máximo, fazer uma ligação para Porto Santo porque a TAP abandonou esse destino – tornando mais fácil ir contribuir para o sucesso económico do turismo da ilha de Fuerteventura (que tem voos TAP) do que de uma ilha do nosso território (que também ela participa para chegarmos a esses milhões).
    Resolvendo-se este desperdício de passageiros de ligação, resolve-se igualmente a questão de termos um Estado a investir quantidades avultadas de dinheiro público numa única companhia aérea, em detrimento de todo um setor.
    Ninguém fala nisso e espanta-me a falta de contraditório sobre este assunto. E pior: ninguém fala da total falta de sustentabilidade latente na construção de um segundo aeroporto numa altura em que sabemos que vamos ter de reduzir – e muito – as emissões. Total falta de visão e de noção dos compromissos futuros. Por isso também fica muito dificil acreditar na sustentabilidade “vendida” por alguns dos intervenientes. Em inglês chamam a isso “green wash” – em Português, “ecologia para inglês ver”.
    A forma como este debate é feito é totalmente Lisboa-cêntrica e assume erradamamente que o futuro do turismo de Portugal se mede pelo aeroporto de Lisboa.

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