Os europeus continuam a dar prioridade às viagens e a mostrar uma forte intenção de viajar nos próximos meses, apesar de um contexto marcado por pressões económicas, incerteza geopolítica e preocupações climáticas. É esta a principal conclusão do mais recente estudo “Monitoring Sentiment for Intra-European Travel (Wave 25)”, divulgado esta quinta-feira pela European Travel Commission (ETC), que revela que 81% dos europeus planeiam viajar entre junho e novembro, mais 4% do que no mesmo período do ano passado.
De acordo com o relatório, as intenções de viagem aumentaram praticamente em todos os grupos etários, atingindo o valor mais elevado entre os viajantes dos 45 aos 54 anos, onde 86% afirmam que pretendem viajar no período em análise.
Nesse sentido, o estudo indica que quase dois terços (64%) dos europeus planeiam viajar dentro da Europa e mais de metade (55%) pretende realizar duas ou mais viagens nos próximos seis meses.
O Sul e o Mediterrâneo da Europa continuam a destacar-se como a principal região de destino, concentrando 61% das intenções de viagem, um aumento de quatro pontos percentuais face ao ano anterior.
Espanha (14%), Itália (12%), França (8%) e Grécia (7%) mantêm-se como os destinos mais procurados, refletindo a continuidade da procura por férias de sol e praia, mas também por experiências culturais e urbanas. Ainda assim, o estudo revela uma mudança gradual no comportamento dos viajantes, que procuram cada vez mais diversificar as suas experiências e fugir aos percursos mais tradicionais.
Segundo os dados, o interesse pelos destinos turísticos mais populares aumentou ligeiramente para 48%, mas a maioria dos europeus (52%) prefere agora destinos menos conhecidos ou fora dos circuitos habituais. Além disso, 11% dos inquiridos afirma que evitar locais com grande afluência é um fator determinante na escolha do destino, enquanto 9% refere a sobrelotação como uma das principais preocupações associadas às viagens.
“Estes resultados sugerem que os destinos consolidados da Europa continuam a ter um forte apelo, enquanto os viajantes procuram cada vez mais oportunidades para os experienciar de diferentes formas”, refere o relatório, sublinhando a crescente valorização de experiências mais autênticas e distribuídas ao longo do território.
Segurança, acessibilidade e situação geopolítica influenciam decisões de viagem
De acordo com o relatório, a segurança surge como o principal fator na decisão de viagem, mencionada por 20% dos europeus, seguida do clima favorável (15%) e das ofertas promocionais (14%). No entanto, as questões financeiras continuam a pesar nas escolhas, com o aumento dos custos de viagem (22%) e a situação financeira pessoal (17%) a liderarem as preocupações dos viajantes.
O contexto geopolítico também ganhou relevância nas decisões de viagem. As preocupações relacionadas com o conflito no Médio Oriente duplicaram face ao ano anterior, passando de 7% para 14%, enquanto 11% dos europeus continuam a apontar a guerra na Ucrânia como um fator de preocupação.
Ainda assim, apesar do aumento dos preços dos combustíveis e da consequente pressão sobre os custos de viagem, o transporte aéreo mantém-se dominante, sendo escolhido por 53% dos viajantes.
Outro dos destaques do estudo é o impacto crescente das alterações climáticas no planeamento de viagens. Mais de três quartos dos europeus (76%) afirmam que fatores climáticos influenciam as suas decisões. Entre estes, 16% procuram ativamente destinos com temperaturas mais amenas e 15% evitam locais sujeitos a calor extremo ou verificam as condições meteorológicas antes de reservar.
“O clima molda cada vez mais onde e como os europeus viajam”, sublinha o relatório, acrescentando que dois em cada três inquiridos afirmam que ajustariam os seus planos em caso de perturbações climáticas ou alertas oficiais de segurança, evidenciando a crescente importância da resiliência dos destinos.
Verão mantém-se como época alta
O verão continua a ser a principal época de férias, com 86% dos europeus a planear viajar entre junho e setembro, sendo junho cada vez mais procurado, com um aumento de três pontos percentuais face ao ano anterior.
Apesar da pressão sobre os orçamentos, as intenções de despesa mantêm-se estáveis, com a faixa entre 1.500 e 2.500 euros a ser a mais comum (29%), concentrando-se sobretudo em alojamento, alimentação e atividades.
Comentando as conclusões do estudo, Miguel Sanz, presidente da ETC afirmou que “os europeus continuam a dar grande valor às viagens, mesmo quando o ambiente global se torna mais complexo. Em vez de viajarem menos, viajam de forma mais ponderada – avaliando cuidadosamente a segurança, a acessibilidade e as considerações meteorológicas quando decidem para onde e como viajar”.
O responsável acrescenta ainda que “a procura continua forte pelos destinos mais estabelecidos da Europa, enquanto muitos viajantes também procuram jóias escondidas e novas experiências”, defendendo que esta tendência representa uma oportunidade para os destinos diversificarem a oferta e incentivarem visitas ao longo de todo o ano.




