O setor do rent-a-car consolidou a sua posição como principal comprador de automóveis em Portugal nos primeiros quatro meses de 2026, num período em que o mercado automóvel nacional registou o melhor desempenho desde 2005, segundo dados divulgados pela ARAC – Associação Nacional dos Locadores de Veículos.
De acordo com o comunicado, entre janeiro e abril deste ano, as empresas de aluguer automóvel adquiriram 32.576 viaturas ligeiras, das quais 30.913 correspondem a veículos ligeiros de passageiros e 1.663 a comerciais ligeiros. Face ao mesmo período de 2025, quando tinham sido adquiridas 24.825 unidades, o crescimento global foi de 31,2%.
O aumento foi impulsionado sobretudo pelas aquisições de veículos ligeiros de passageiros, que cresceram 33,6% em termos homólogos.
Só em abril, foram matriculados em Portugal 24.969 veículos ligeiros e pesados, mais 14,4% do que no mesmo mês do ano passado. Considerando apenas os veículos ligeiros de passageiros e comerciais ligeiros, o mercado totalizou 24.311 matrículas, refletindo igualmente um crescimento de 14,3%.
Segundo a ARAC, estes números colocam o mercado automóvel português “em níveis próximos dos registados antes da pandemia”, superando inclusivamente os valores observados em abril de 2018 e 2019.
A associação sublinha ainda que o setor do rent-a-car desempenha “um papel decisivo no escoamento de veículos novos, na renovação do parque automóvel e na dinamização da indústria automóvel nacional”, assumindo-se como “um cliente estruturante para fabricantes, importadores e concessionários”.
Em abril, as empresas de rent-a-car adquiriram 8.063 viaturas ligeiras de passageiros novas, um valor praticamente alinhado com as 8.096 unidades registadas no mesmo mês de 2025. No total, incluindo ligeiros de passageiros, comerciais ligeiros, motociclos e pesados de mercadorias, o setor incorporou 8.593 unidades, ligeiramente abaixo das 8.771 registadas há um ano.
Apesar da ligeira quebra homóloga em abril, a ARAC considera que os níveis de incorporação de frota “mantêm-se particularmente elevados”, num contexto de normalização do mercado após os constrangimentos sentidos nos últimos anos ao nível da produção automóvel e das entregas de veículos.
O comunicado refere ainda que a maior disponibilidade de produto por parte dos construtores permite às empresas gerir as frotas “com maior previsibilidade”, reforçando estratégias de modernização orientadas para ganhos de eficiência, redução de custos operacionais e melhoria do serviço ao cliente.
A associação alerta, contudo, para uma nova fase do mercado, marcada por uma estabilização da procura turística após os fortes crescimentos registados no pós-pandemia. Neste contexto, considera que o crescimento do setor dependerá cada vez mais da capacidade das empresas em controlar custos, otimizar recursos e ajustar as frotas à procura.
Entre os principais desafios apontados está também a limitação da capacidade aeroportuária, em particular no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, que continua a condicionar o potencial de crescimento do turismo e das atividades associadas, incluindo o aluguer automóvel.




