Cabo Verde e Espanha são os destinos mais procurados pelas famílias portuguesas para o verão de 2026, segundo o novo barómetro divulgado pela ANAV – Associação Nacional de Agências de Viagens e pela Universidade Europeia. O estudo revela também que a segurança deixou de ser um fator diferenciador para passar a ser uma “condição essencial” na escolha de uma viagem.
Baseado em respostas de 122 agências de viagens portuguesas recolhidas entre março e abril deste ano, o estudo mostra um mercado de viagens organizadas cada vez mais segmentado por idade e perfil de viajante, com as famílias a assumirem o principal peso da procura.
De acordo com os resultados, Cabo Verde surge como o destino mais procurado, referido por 34,4% das agências, seguido de Espanha. As famílias representam 57,4% do total de clientes das agências de viagens, com maior incidência na faixa etária entre os 35 e os 49 anos.
O estudo identifica dois grandes perfis de consumo no mercado português: por um lado, famílias com filhos, mais focadas em destinos de sol e praia, com elevada sensibilidade ao preço e procura de flexibilidade; por outro, casais e seniores, que valorizam sobretudo “confiança, conveniência e experiências culturais diferenciadas”.
A segurança dos destinos surge como um fator transversal a todos os perfis. Segundo o barómetro, 94% das agências reportam uma preferência crescente por destinos considerados seguros. “A segurança passou de fator diferenciador a condição essencial na decisão de compra”, conclui o estudo.
Os dados revelam ainda que 71,3% dos clientes reservam as suas viagens entre três e seis meses de antecedência, enquanto o gasto médio se situa maioritariamente entre 1.201 e 2.000 euros por pessoa.
As famílias destacam-se também como o segmento que mais valoriza condições de reserva flexíveis.
A análise evidencia diferenças significativas entre gerações. Entre os viajantes dos 35 aos 49 anos, predomina a procura por uma melhor relação qualidade/preço, enquanto na faixa etária dos 50 aos 64 anos ganham maior importância fatores como a confiança na agência e a conveniência da viagem.
Já o segmento sénior distingue-se pela procura de produtos ligados à “cultura, património e experiências especializadas”.
“Os dados reforçam a necessidade de segmentação estratégica por parte das agências de viagens, com propostas de valor diferenciadas e ajustadas a cada perfil de cliente. O mercado não é homogéneo e exige respostas específicas”, afirma Miguel Quintas, presidente da ANAV.
Segundo o responsável, “a personalização da oferta e da comunicação será determinante para a competitividade das agências no verão de 2026”.
Também Cláudia Gouveia, professora de Turismo da Universidade Europeia, considera que os resultados permitem compreender melhor os critérios que influenciam a decisão de compra dos viajantes portugueses. “O comportamento do consumidor turístico varia de forma significativa em função da idade e do perfil do viajante”, afirmou.
A docente acrescenta que o estudo permite perceber “não apenas os destinos mais procurados, mas também os critérios que orientam a decisão de compra, como segurança, flexibilidade, confiança, conveniência e relação qualidade-preço”.
Segundo a ANAV e a Universidade Europeia, os resultados devem ser lidos como indicadores de tendência do mercado, não sendo estatisticamente extrapoláveis para a totalidade do setor.




