“Falar da Quinta do Paral será falar do Alentejo”: a ambição do The Wine Hotel no enoturismo de luxo dois anos depois

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Há dois anos, o The Wine Hotel – Quinta do Paral abria portas na Vidigueira com a ambição de unir vinho, hospitalidade e identidade alentejana numa experiência de luxo. Hoje, entra numa nova fase de afirmação, com projetos em preparação. “O Alentejo está vivo em todos os poros do nosso projeto”, afirma Luís Morgado Leão, CEO e enólogo da Quinta do Paral, em entrevista ao TNews, sublinhando a ambição de “estar na linha da frente” enquanto “uma das referências [da região] na hotelaria”.

Inaugurado em junho de 2024, o The Wine Hotel nasceu da visão do empresário Dieter Morszeck de criar um espaço onde vinho, hospitalidade e identidade alentejana se cruzassem de forma natural. Desenvolvido a partir da recuperação da antiga propriedade da Quinta do Paral, o hotel dispõe de 22 quartos e suites, preservando elementos arquitetónicos tradicionais reinterpretados numa linguagem contemporânea. A propriedade estende-se por 125 hectares, dos quais 63 são ocupados por vinha, incluindo 18 hectares de vinhas velhas com mais de 60 anos.

Dois anos depois da abertura, Luís Morgado Leão afirma que “o balanço só pode ser extremamente positivo, não só pela afirmação da marca Quinta do Paral, pela fidelização dos nossos clientes e pelo reconhecimento do setor como uma das novas referências em termos de serviço, detalhe e hospitalidade”.

O responsável destaca que o crescimento da Quinta do Paral foi pensado de forma gradual, mantendo intactos os princípios que estiveram na origem do projeto. “Começámos com a área do vinho, depois expandimos para a hotelaria e já [temos] em vista novos projetos, mas sempre com os mesmos valores que são o ADN da nossa marca”, assegura.

“Muito para além de indicadores e KPIs, o que verdadeiramente nos enche de orgulho são os nossos clientes que reconhecem, apreciam e valorizam muito o trabalho que as nossas equipas têm desenvolvido”, refere Luís Morgado Leão. “O que gostamos mesmo é de receber bem – essa é a base da hospitalidade, sempre foi e será”.

“Começámos com a área do vinho, depois expandimos para a hotelaria e já [temos] em vista novos projetos, mas sempre com os mesmos valores”

Crescimento sustentado e novos projetos no horizonte

Apesar da curta trajetória da unidade, Luís Morgado Leão admite que o hotel já começa a consolidar alguns indicadores operacionais, embora considere prematuro identificar tendências de mercado. “Estamos sempre bem atentos à evolução do mercado. Sendo que a nossa curta história em termos hoteleiros, ainda não permite uma análise sobre tendências e até mesmo sobre épocas de maior ou menor procura, pois tudo está em constante mudança e a uma velocidade assinalável”, explica, apontando o crescimento das reservas last minute como uma das alterações mais evidentes, mesmo no segmento high end.

O mercado nacional continua a representar entre “40% e 50% dos hóspedes”, mas o peso da procura internacional tem vindo a ganhar expressão. Entre os principais mercados emissores destacam-se os Estados Unidos, Brasil, Espanha, Alemanha, França, Países Baixos, países nórdicos e Suíça.

Ao mesmo tempo, a unidade tem conseguido “aumentar a estadia média para valores próximos das duas noites, existindo até um efeito curioso no prolongamento de estadias de uma noite”, acrescenta.

Para os próximos meses, o CEO mostra-se otimista, apesar da conjuntura internacional. “A nossa previsão é que este seja já um verão em velocidade de cruzeiro. Estamos impactados com todas as condicionantes que têm fragilizado alguma procura, mas, ainda assim, muito confiantes nos resultados a alcançar para este verão”, indica.

Luís Morgado Leão revela também que existem novidades em desenvolvimento. “Temos outros projetos que estão a ganhar forma, a sair do papel para nos próximos anos estarem concretizados. [Têm] os mesmos valores, embora com uma abordagem diferente da Quinta do Paral – The Wine Hotel. Tudo sempre em lógica de complementaridade e ofertas para várias necessidades”, adianta.

“Um projeto como o nosso está sempre em investimento contínuo. O que hoje é o melhor rapidamente pode estar desatualizado e queremos estar sempre na vanguarda”, acrescenta, sublinhando que, no que diz respeito à oferta enoturística e gastronómica, o objetivo passa por diversificar produtos e “acrescentar sempre mais valor, seja à equipa, aos nossos hóspedes e à própria experiência”.

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“A nossa diferenciação vem de um lado concreto: autenticidade e vontade que querer sempre fazer mais e melhor”

Quiet luxury e identidade alentejana como elementos distintivos

O The Wine Hotel posiciona-se no segmento do quiet luxury, conceito que privilegia experiências exclusivas, personalizadas e centradas no bem-estar. Para Luís Morgado Leão, esta filosofia traduz-se numa relação diferente com o tempo. “Diria que podemos utilizar a expressão «Ter tempo, tempo para ser verdadeiro». Fazer o que nos apetece e estar tranquilos com isso. Sem pressas e tudo com altíssima qualidade”, afirma.

A integração na Leading Hotels of the World foi “uma clara aposta desde o início”, segundo o CEO. “Partilhamos os mesmos valores sobre hospitalidade, o bem fazer e a qualidade acima de tudo. E esse é o luxo que queremos apresentar aos nossos hóspedes e a quem nos visita”.

Ao mesmo tempo, a identidade alentejana e as experiências autênticas continuam a assumir um papel central na estratégia do projeto. “A nossa diferenciação vem de um lado concreto: autenticidade e vontade que querer sempre fazer mais e melhor. Estamos sempre à procura das melhores práticas, soluções e experiências a oferecer aos nossos hóspedes. Trabalhamos a nossa diferenciação de uma forma muito séria, não somos cópia de nada e traçamos o nosso próprio caminho”, refere.

“O Alentejo está vivo em todos os poros do nosso projeto; faz parte de nós, tudo faz parte desta génese”, sublinha o responsável, recordando que o próprio mote da marca – «A nossa terra, a nossa alma» – traduz a ligação ao território, “seja pelo tipo de construção dos edifícios, seja pelos materiais, seja pela assinatura da decoração ou seja pela tradições locais”.

Nos últimos meses, o projeto reforçou ainda a componente gastronómica com a abertura do The Wine Restaurant ao público, permitindo receber visitantes externos mediante reserva. Liderado pelo chef José Gala, o restaurante aposta numa cozinha inspirada na tradição alentejana, baseada em produtos locais, sazonalidade e harmonizações vínicas. “Oferecemos o twist da modernidade com âncora na tradição, sem nunca esquecer o Alentejo, os produtos de elevada qualidade e, muito importante, os fornecedores locais”, refere.

“O nosso projeto quer estar na linha da frente, sendo uma das referências do Alentejo na hotelaria. Falar da Quinta do Paral será falar do Alentejo, de uma região e de uma cultura”

Crescer sem perder identidade 

A identidade local reflete-se também nas equipas. Dos 36 colaboradores da unidade, mais de 80% são locais ou escolheram o Alentejo para viver. “A nossa aposta desde os primeiros esboços do projeto Quinta do Paral foi sempre no sentido de aproveitar o talento e a qualidade das nossas gentes”, destaca Luís Morgado Leão, salientando igualmente o investimento contínuo em formação e a colaboração com a Escola Profissional de Alvito.

“É claro que os desafios nestes territórios são amplificados face aos grandes centros urbanos. Algumas políticas de emprego e valorização dos currículos não ajudaram, mas fazemos sempre a nossa parte com uma aposta clara na formação interna e na valorização de novas competências para serem colocadas ao serviço dos nossos hóspedes e dos nossos colaboradores”, acrescenta.

Olhando para o futuro, o responsável garante que o crescimento continuará a ser feito sem comprometer a identidade da marca. “As nossas prioridades são mantermo-nos focados nos nossos objetivos, crescer sem perder identidade e estar sempre na vanguarda”, sublinha.

Quando o projeto celebrar o quinto aniversário, Luís Morgado Leão espera olhar para trás com “o sentimento de missão cumprida”. “Queremos ter uma marca forte, reconhecida como marca de alta qualidade e que inova e se desafia constantemente. Certamente os futuros projetos serão o reflexo disso mesmo”, frisa.

“O nosso projeto quer estar na linha da frente, sendo uma das referências do Alentejo na hotelaria, porque acreditamos muito no nosso trabalho e na diferença com que o fazemos. Falar da Quinta do Paral será falar do Alentejo, de uma região e de uma cultura. É este o caminho que queremos fazer em conjunto e completamente integrado ao Alentejo”, conclui.

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