O Explora III, primeiro navio da Explora Journeys movido a gás natural liquefeito (GNL), fez esta segunda-feira a sua escala inaugural em Lisboa. À margem da cerimónia, Renato Reis, sales manager da Explora Journeys em Portugal, revelou que a viagem inaugural “está lotada”, com cerca de 900 passageiros a bordo, e destacou que as reservas provenientes do mercado português “têm estado a evoluir de uma forma positiva”.
O navio chegou a Lisboa depois de partir de Barcelona, com escalas em Palma de Maiorca, Puerto Banús, Tânger, Cádis e Portimão, iniciando agora uma nova etapa rumo ao Norte da Europa, Islândia, Gronelândia, Canadá e Estados Unidos.
Na cerimónia, a comandante Serena Melani afirmou ser um privilégio regressar a Lisboa, cidade pela qual diz ter desenvolvido uma ligação especial. “É um dos meus lugares preferidos no mundo”, afirmou, acrescentando que a partida do Tejo é “uma das saídas mais mágicas” que conhece enquanto comandante. A responsável explicou ainda que o Explora III “não voltará tão cedo a esta parte do mundo”, uma vez que seguirá para a Islândia, Gronelândia, Nova Iorque e, posteriormente, para o Canal do Panamá, Alasca, Japão e Ásia.
Durante a cerimónia de boas-vindas realizou-se também a tradicional troca de placas entre a MSC Cruzeiros e várias entidades ligadas ao Porto de Lisboa e à operação portuária, incluindo a Administração do Porto de Lisboa, a Autoridade Marítima Nacional, a Autoridade Tributária e Aduaneira, a Autoridade de Saúde, o Turismo de Portugal, a Associação Turismo de Lisboa, o Terminal de Cruzeiros de Lisboa, a Capitania do Porto de Lisboa e Porto de Sines.
Rosana Morillo, Group Vice President for Government Affairs do MSC Group, sublinhou que o Explora III é “o primeiro navio da Explora movido a gás natural liquefeito (GNL)” e enquadrou esta estreia na estratégia de sustentabilidade do grupo. “Estamos muito orgulhosos do compromisso do grupo MSC com a sustentabilidade e do nosso plano para alcançar emissões líquidas zero até 2050”, afirmou. A responsável acrescentou que o grupo continua a investir em “navios preparados para combustíveis mais sustentáveis”, lembrando que, apesar de operar atualmente mais de mil navios entre as divisões de carga e de passageiros, continua a ser “uma empresa 100% familiar”.

Durante a apresentação da marca, Renato Reis recordou ainda que a Explora Journeys prevê duplicar a frota até 2028, passando dos atuais três para seis navios. Segundo o responsável, esta expansão permitirá à companhia tornar-se “líder de mercado no segmento do número de camas disponíveis”. “Não existe neste momento ninguém na concorrência a investir tanto em navios novos como a Explora Journeys”, afirmou.
Renato Reis adiantou ainda que os futuros Explora IV e Explora V deverão incorporar uma nova tecnologia que permitirá converter o gás natural liquefeito em hidrogénio, reforçando a estratégia de descarbonização da marca. O responsável destacou igualmente a importância da eletrificação dos portos, permitindo que os navios desliguem os motores quando estão atracados. “Enquanto o navio está atracado, em vez de ter os motores ligados para alimentar o navio, é alimentado a 100% por eletricidade”, explicou, acrescentando que os portos de Lisboa e de Leixões estão a desenvolver projetos nesse sentido.
Também Eduardo Cabrita, diretor-geral da MSC Cruzeiros em Portugal, destacou que o novo navio marca o início de uma nova etapa na estratégia ambiental da marca. “Estamos nesta transição (…) e vamos continuar. 2050 é uma meta a ser alcançada”, afirmou.
Explora III introduz novidades a bordo
Com 270 metros de comprimento e capacidade para cerca de mil passageiros distribuídos por 463 suítes com vista para o mar, o Explora III apresenta várias novidades face aos dois primeiros navios da marca.
Entre as principais alterações está um Kids Club de maiores dimensões, que passa a incluir uma área dedicada a adolescentes, três salas de reuniões destinadas a grupos e viagens de incentivo, uma nova localização para o ginásio, agora junto ao spa, e uma nova área de snacks junto à piscina Conservatory Pool.
A companhia destaca ainda que a suíte de entrada “começa nos 35 metros quadrados” e inclui soluções como walk-in closet, carregamento sem fios para telemóveis, chão aquecido nas casas de banho e possibilidade de personalizar almofadas, colchões e edredões.
Outra das novidades é o The Cellar, um novo espaço dedicado a provas de vinho e harmonizações gastronómicas, que inclui também referências portuguesas, como vinhos do Douro e vinhos do Porto.
O responsável salientou igualmente que a Explora Journeys opera num conceito de “tudo incluído”, abrangendo bebidas premium ilimitadas, acesso wi-fi, utilização das áreas de spa e, quando aplicável, serviços de shuttle entre o porto e o centro da cidade. Segundo explicou, outro dos elementos distintivos da marca é o serviço personalizado, assegurado por um rácio de 1,25 tripulantes por hóspede.
A velocidade máxima do navio, de 16 nós, foi igualmente pensada para privilegiar “a sensação de relaxamento e de aproveitamento” da experiência a bordo, em contraste com embarcações de outros segmentos que operam a velocidades superiores.



Mercado português cresce, mas continua numa fase inicial
À margem da escala inaugural, Renato Reis fez também um ponto de situação sobre o desenvolvimento da marca em Portugal, onde assumiu funções há cerca de um ano.
“Desde que entrei, dedico-me a 100% ao B2B”, explicou, considerando que o balanço do trabalho desenvolvido com as agências de viagens é “bastante positivo”. Segundo o responsável, um dos objetivos passa por mostrar ao trade que a Explora Journeys “não é um produto só para pessoas que procuram cruzeiros”, mas também para clientes habituados à hotelaria de luxo e aos resorts de cinco estrelas.
O representante da marca explicou ainda que a Explora Journeys privilegia um conceito de viagem que permite aos passageiros combinar vários itinerários sem repetir destinos. Como exemplo, referiu o percurso inaugural do Explora III, que liga Barcelona, Lisboa, Southampton, Copenhaga e os fiordes noruegueses em etapas sucessivas de sete noites. “Temos clientes que chegam a fazer um mês a bordo (…) sem repetir portos”, afirmou.
Embora ainda represente um mercado reduzido, Portugal tem registado uma evolução positiva nas reservas. Questionado sobre o número de portugueses a bordo da viagem inaugural, Renato Reis indicou que estarão “à volta de 10 pessoas”, ressalvando que o número não é definitivo.
Quanto ao perfil dos passageiros, explicou que o principal mercado da companhia continua a ser o norte-americano, seguindo-se, na Europa, os mercados britânico e de língua alemã. A idade média dos hóspedes situa-se entre os 50 e os 55 anos, variando consoante a época do ano.
Sobre a procura pelos novos itinerários, o responsável destacou o interesse crescente pelo Alasca, destino onde a Explora Journeys iniciará operações em 2027. Segundo explicou, os itinerários procurarão diferenciar-se através de escalas menos habituais e da visita a destinos “um pouco mais remotos”, em linha com a filosofia da marca.
Durante a apresentação, a Explora Journeys antecipou também algumas das principais novidades da programação futura. No verão de 2028, quando a frota deverá contar com seis navios, a companhia prevê operar 123 viagens, com escalas em 178 destinos de 27 países, distribuídas pelo Mediterrâneo, Norte da Europa, Alasca, Islândia, Gronelândia, costa leste do Canadá e Estados Unidos.
Entre os destaques está também a primeira Volta ao Mundo da Explora Journeys, que partirá do Dubai, em janeiro de 2029, a bordo do Explora I. A viagem terá a duração de 128 dias, passando por 63 destinos em 29 países e territórios, antes de terminar em Barcelona.
Para a temporada Mediterrâneo 2026/2027, a companhia prevê ainda 14 itinerários com menos de sete noites, três novos portos de escala – San Sebastián, Palamós e Argel – e confirmou que Lisboa continuará a integrar os itinerários da marca como um dos portos com pernoita, a par do Funchal, Málaga e Casablanca, permitindo aos passageiros permanecer mais tempo nos destinos.





