O número médio de voltas de golfe realizadas em Portugal aumentou 4,4% no primeiro semestre de 2026 face ao mesmo período de 2025, mantendo-se próximo dos níveis dos últimos dois anos. A procura internacional continuou a dominar a atividade, com os jogadores estrangeiros a representarem cerca de 75% do total entre fevereiro e maio, segundo o mais recente Snapshot Golfe, divulgado pelo Turismo de Portugal.
De acordo com o estudo, que acompanha a utilização dos campos de golfe nacionais, o arranque do ano foi condicionado pelas condições meteorológicas adversas, que penalizaram a procura em janeiro e fevereiro. A partir de março, porém, “a utilização recuperou, atingindo novos máximos mensais ao longo do semestre”, com a média por campo a aproximar-se das 3.200 voltas em abril e maio. Face a 2024, o número médio de voltas ficou 0,4% abaixo.
A procura estrangeira manteve-se globalmente em linha com os dois anos anteriores, embora tenha registado “uma ligeira retoma face a 2025”. Segundo o Turismo de Portugal, a retração observada nos primeiros dois meses do ano “foi compensada nos restantes meses”. Também o mercado nacional apresentou um comportamento semelhante, recuperando das quebras registadas no início do semestre.
A importância do golfe enquanto produto turístico é igualmente visível no peso dos jogadores não associados aos campos. A distribuição das voltas entre sócios e não sócios tem permanecido estável nos últimos três anos, com cerca de 70% a serem realizadas por não sócios. Durante a “alta temporada do golfe turístico em Portugal”, entre março e maio, essa proporção superou os 75%.
Reino Unido mantém liderança, mas procura recua 5,5%
Entre os mercados internacionais, o Reino Unido manteve-se como “o maior emissor de turistas de golfe para Portugal”, apesar de ter registado a maior quebra absoluta entre os principais mercados. O número médio de voltas dos jogadores britânicos caiu 5,5% em termos homólogos e ficou 14% abaixo do máximo alcançado em 2024. Alemanha e Suécia, que habitualmente disputam a segunda posição entre os mercados emissores, apresentaram ambas reduções de cerca de 5%.
No caso britânico, o Turismo de Portugal identifica uma “significativa retração de procura” ao longo do semestre, registada em quase todos os meses, à exceção de janeiro e abril. Ainda assim, o Algarve continuou a ser “o destino de eleição dos golfistas britânicos”, seguido pelo Centro, nomeadamente o Oeste, e pela Área Metropolitana de Lisboa. Norte, Alentejo e regiões autónomas registaram, por sua vez, aumentos da procura proveniente deste mercado.
A Irlanda destacou-se pela evolução em sentido contrário. O país consolidou a sua presença entre os cinco principais mercados e foi “o único dos principais mercados com aumento de procura nos dois últimos anos”, tendência observada em todos os meses do primeiro semestre, à exceção de fevereiro. O Algarve continuou a concentrar a maior procura dos golfistas irlandeses, seguido pelo Centro.
Fora do top 5, o mercado norte-americano continuou a ganhar terreno, com um crescimento homólogo de 4,7% no número médio de voltas por campo.
Norte e Alentejo lideram crescimento
A evolução da atividade apresentou diferenças significativas entre regiões. Segundo o Snapshot, “a maioria das regiões aumentou o número médio de voltas” relativamente a 2024 e 2025, com exceção do Centro, Algarve e Madeira. Norte e Alentejo apresentaram o melhor desempenho relativo, acumulando crescimentos de 45% e 47%, respetivamente, nos últimos dois anos.
No Norte, o número médio de voltas cresceu 14,2% face a 2025 e 29,5% relativamente a 2024, tendo sido alcançados máximos mensais em quatro dos seis meses. A região registou ainda um aumento da procura dos principais mercados internacionais, com o Turismo de Portugal a destacar Alemanha e Reino Unido, cujas taxas de crescimento anual foram superiores a 100% nos últimos dois anos.
O Alentejo registou uma subida ainda mais expressiva em termos homólogos, de 22,1%, e de 25,2% face a 2024. O organismo assinala “importantes ganhos relativamente aos dois anos anteriores” e uma consolidação da procura internacional, sustentada sobretudo pelos mercados norte-americano e britânico.
Na Área Metropolitana de Lisboa, a atividade cresceu pelo terceiro ano consecutivo. O número médio de voltas aumentou 2,4% face a 2025 e 15,3% relativamente a 2024. Apesar desta evolução, “quase todos os principais mercados internacionais evoluíram negativamente”, sendo França e Suécia as exceções, juntamente com o crescimento do mercado nacional.
Já o Algarve, que concentra 40 dos campos de golfe em funcionamento no país e permanece como principal destino para vários dos maiores mercados emissores, registou uma ligeira quebra homóloga de 0,7%. Face a 2024, a descida foi de 6,4%. O Turismo de Portugal assinala ainda a “queda de procura por parte do principal mercado emissor, o Reino Unido, pelo terceiro ano consecutivo”.
Nos Açores, o número de voltas aumentou 3,5% face a 2025 e 8,9% relativamente a 2024, atingindo “valores máximos desde que há registos”. Já a Madeira recuou 13% em termos homólogos, depois dos “máximos históricos ocorridos em 2025”, embora tenha registado máximos de procura nos meses de maio e junho.
O Snapshot Golfe é elaborado pela Direção de Estratégia e Gestão do Conhecimento do Turismo de Portugal, com base no Inquérito aos Campos de Golfe. O organismo acompanha desde 2015 o nível de utilização dos percursos existentes no país e publica relatórios semestrais e anuais desde 2019.




