O número de navios de cruzeiro das companhias associadas à CLIA – Associação Internacional das Companhias de Cruzeiros com capacidade para receber energia elétrica em terra mais do que triplicou desde 2018, passando de 55 para 193 navios em 2026. Estes representam atualmente 65% da frota e 72,5% da capacidade de passageiros, segundo o relatório anual sobre “Tecnologias e Práticas Ambientais”. Apesar da evolução, apenas 40 portos a nível mundial, menos de 3% do total, dispõem de pelo menos um cais de cruzeiros equipado com esta infraestrutura.
A tecnologia, conhecida como Onshore Power Supply (OPS), permite aos navios desligar os motores enquanto estão atracados, desde que exista uma ligação elétrica compatível no porto. A associação prevê que mais 47 navios sejam adaptados para utilizar este sistema e que 39 novas embarcações sejam entregues já equipadas com a tecnologia. Na União Europeia, os principais portos terão de disponibilizar ligações elétricas em terra até 2030, no âmbito das regras de descarbonização do setor marítimo.
O relatório, divulgado esta segunda-feira, 28 de setembro, revela também uma redução da utilização de fuelóleo pesado. De acordo com os dados comunicados à Organização Marítima Internacional (IMO), a sua utilização pelos navios de cruzeiro de oceano diminuiu de 74,2% em 2019 para 60,6% em 2024. Em sentido inverso, o peso combinado dos restantes combustíveis, incluindo gasóleo marítimo, combustíveis com menor teor de enxofre e gás natural liquefeito, aumentou de 25,8% para 39,4%. Entre as companhias associadas à CLIA, esta última percentagem atingiu 40,3% em 2025.
Segundo a associação, a análise dos dados da Agência Europeia de Segurança Marítima relativos aos navios de cruzeiro que navegam na Europa aponta ainda para uma redução de aproximadamente 18,5% no consumo médio de combustível por navio e de 19,4% nas emissões médias de CO₂ por navio entre 2018 e 2025. Estes indicadores dizem respeito a médias por embarcação e não à evolução das emissões totais do setor.
“Ano após ano, os dados demonstram que as companhias de cruzeiros continuam a investir nas tecnologias, combustíveis e capacidades operacionais que estão a tornar a frota global de cruzeiros mais eficiente e a prepará-la para o futuro”, afirma Bud Darr, presidente e CEO da CLIA. O responsável atribui os resultados ao “investimento e inovação sustentados pelas companhias de cruzeiros mundiais”, nomeadamente em navios mais eficientes, motores multifuel, ligações elétricas em terra e sistemas ambientais avançados.
A flexibilidade na utilização de combustíveis é outra das áreas destacadas. O número de navios associados à CLIA equipados com motores multifuel, capazes de alternar entre combustíveis convencionais e opções de emissões zero ou próximas de zero, aumentou de uma embarcação em 2018 para 30 atualmente. A carteira de encomendas aponta para 69 navios com esta tecnologia até 2039, incluindo os já existentes.
Bud Darr salienta, contudo, que “maximizar todo o potencial desses investimentos exigirá que produtores de combustíveis, governos, portos, fornecedores de energia e outras partes interessadas contribuam para criar as condições necessárias” à disponibilização, em escala, de combustíveis renováveis e de menores emissões, acompanhados das infraestruturas necessárias.
Na gestão da água, 293 navios analisados, correspondentes a 98,7% da frota, têm capacidade para produzir água potável a bordo. Destes, 218 conseguem produzir a totalidade das suas necessidades, podendo, em teoria, operar sem reabastecimento de água. Já os sistemas avançados de tratamento de águas residuais estão instalados em 249 navios, o equivalente a 83,8% da frota, face a 136 em 2018.
Publicado anualmente desde 2018, o relatório da CLIA reúne dados sobre as tecnologias e práticas ambientais das companhias associadas. A edição de 2026 analisa 297 navios de cruzeiro de oceano que estiveram em operação durante 2025, representando 96% dos navios membros da associação e 98% da respetiva capacidade nesse ano.




