WTTC define oito prioridades estratégicas para garantir liderança da Europa no setor do turismo

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O novo relatório do World Travel & Tourism Council (WTTC), divulgado esta sexta-feira, dia 9, na 26.ª Cimeira Global do WTTC, em Valeta, apresenta a dimensão e a contribuição económica das viagens e do turismo na Europa e conclui que a região continua a ser “líder mundial em turismo internacional”. O documento identifica oito “prioridades estratégicas” para manter a liderança, analisa as políticas já em vigor na UE e na região em geral e apresenta recomendações práticas para as reforçar.

Segundo comunicado pelo WTTC, o relatório “Travel & Tourism in Europe: A Deep Dive Into Growth, Outlook and Policy” (Viagens e Turismo na Europa: Uma Análise Aprofundada do Crescimento, das Perspetivas e das Políticas), surge num momento de “forte dinamismo político”, à medida que os países de toda a Europa implementam novas estratégias nacionais de turismo, a Comissão Europeia prepara a primeira estratégia da União dedicada ao turismo e prosseguem as negociações sobre o Quadro Financeiro Plurianual (QFP) da UE para 2028–2034.

Europa é “líder mundial em turismo internacional”

Segundo o relatório, a Europa continua a ser “a região líder mundial em turismo internacional”, com 757,3 milhões de chegadas internacionais com pernoita em 2025, o que representa 49,1% do total mundial, e 835 mil milhões de dólares (cerca de 746 mil milhões de euros) em despesas dos visitantes internacionais, ou seja, 41% do total mundial.

O setor do turismo contribuiu com quase 3 biliões de dólares (cerca de 2,7 biliões de euros) para o PIB da Europa em 2025, o que representou 9,4% da economia da região, e sustentou 40,7 milhões de postos de trabalho, cerca de um em cada dez.

Os países fora da UE representam mais de um quarto dessa contribuição (834 mil milhões de dólares, cerca de 745 mil milhões de euros), liderados pelo Reino Unido, a segunda maior economia europeia no setor das viagens e do turismo. Prevê-se que o setor cresça 3,1% em 2026, acima dos 1,1% previstos para a economia europeia em geral.

A Alemanha é a maior economia de viagens e turismo da região, com 566 mil milhões de dólares (cerca de 506 mil milhões de euros), seguida pelo Reino Unido (380 mil milhões de dólares, cerca de 275 mil milhões de euros), França (312 mil milhões de dólares, cerca de 279 mil milhões de euros) e Espanha (291 mil milhões de dólares, cerca de 260 mil milhões de euros). A Espanha lidera a Europa em gastos dos visitantes internacionais, com 130 mil milhões de dólares (cerca de 116 mil milhões de euros), e um gasto por visitante no destino de 796 dólares (cerca de 711,08 euros), 1,7 vezes a média europeia.

Malta, anfitriã da Cimeira Global deste ano, foi um dos países europeus com melhor desempenho. O setor contribuiu com 4,6 mil milhões de dólares (cerca de 4,1 mil milhões de euros) para a economia maltesa em 2025, um aumento de 16,8% contra os 4% da economia em geral, representou 16,6% do PIB e sustentou um em cada cinco postos de trabalho. Os gastos dos visitantes internacionais atingiram 3,9 mil milhões de dólares (cerca de 3,5 mil milhões de euros), 47,5% acima do valor de 2019.

Ao longo da próxima década, prevê-se que a contribuição das viagens e do turismo para o PIB da Europa cresça a uma taxa anual de 2,2%, atingindo 3,8 biliões de dólares (cerca de 3,4 biliões de euros) até 2036 e sustentando mais de 50 milhões de postos de trabalho, 8,3 milhões a mais do que em 2026.

Oito prioridades para a Europa

De acordo com o WTTC, as oito prioridades estão “alinhadas” com as suas prioridades estratégicas e foram aprovadas a nível global pelo seu Conselho Executivo, garantindo que as recomendações para a Europa refletem “as principais prioridades em matéria de crescimento, investimento e competitividade identificadas pelo setor privado global das viagens e do turismo”.

Reforçar as viagens seguras e sem obstáculos: Os Estados Schengen emitiram 5,3 milhões de vistos de entradas múltiplas em 2025, 40% menos do que em 2019, e a sua percentagem no total de vistos emitidos diminuiu de 59 % para 51,7 %.

O WTTC recomenda “acelerar a implementação do visto Schengen digital, restabelecer a utilização de vistos de entradas múltiplas, criar um programa de viajantes de confiança à escala da UE com reconhecimento recíproco de programas como o Global Entry dos EUA e chegar a acordo sobre um quadro viável para a biometria nos aeroportos da UE”.

Diversificar os mercados de origem: Quase três quartos (74,3%) das chegadas internacionais à Europa em 2025 tiveram origem no próprio continente. Excluindo as viagens dentro da região, a balança comercial de viagens da Europa passa de um excedente de 33,9 mil milhões de dólares (cerca de 30 mil milhões de euros) para um défice de cerca de 45 mil milhões de dólares (cerca de 40 mil milhões de euros): os europeus gastam mais em viagens para fora da região do que os visitantes de fora da Europa gastam aqui. As chegadas da Ásia-Pacífico permanecem 4,8% abaixo dos níveis de 2019, com a China ainda 43,2% abaixo dos níveis pré-pandémicos e o Japão e a Coreia do Sul cerca de 30% abaixo.

O WTTC recomenda “parcerias público-privadas de marketing nos mercados de longo curso, metas de diversificação de mercado a par de metas de volume, orçamentos de promoção estáveis e campanhas associadas a um acesso mais fácil aos vistos”.

Impulsionar o investimento nas viagens e no turismo: O investimento neste setor na Europa atingiu 259 mil milhões de dólares (cerca de 231 mil milhões de euros) em 2025, um aumento de 7,1% em relação ao ano anterior, mas ainda 3,6% abaixo do nível de 2019 e atrás da Ásia-Pacífico (395 mil milhões de dólares, cerca de 353 mil milhões de euros) e da América do Norte (273 mil milhões de dólares, cerca de 244 mil milhões de euros).

O WTTC apela a que “as viagens e o turismo sejam reconhecidos como um ecossistema estratégico no QFP 2028–2034, com acesso direto aos instrumentos de investimento da UE, a par de segurança jurídica, estabilidade regulatória e melhor acesso ao financiamento para as PME”.

Promover o turismo sustentável: O setor representou 6,3% das emissões de gases com efeito de estufa da Europa em 2024, e a sua intensidade de emissões diminuiu 14,8% entre 2019 e 2024. Os destinos mediterrânicos concentraram 52,2 % das despesas dos visitantes internacionais na Europa e estão “altamente expostos ao calor e ao stress hídrico”.

O WTTC recomenda “o investimento na adaptação às alterações climáticas, na gestão da água e dos resíduos e na proteção da natureza, uma adoção mais rápida de combustíveis sustentáveis para a aviação e o transporte marítimo, bem como uma melhor acessibilidade física e digital”.

Promover a gestão responsável dos destinos: Prevê-se que as chegadas internacionais à Europa atinjam 1,14 mil milhões até 2036, contra os 757,3 milhões previstos para 2025.

O WTTC recomenda “um planeamento que integre alojamento, mobilidade e serviços locais, uma transição de metas baseadas no volume para metas baseadas no valor, ferramentas de dados para distribuir os visitantes por diferentes locais e épocas do ano, e taxas de visita transparentes e destinadas exclusivamente à gestão dos destinos”.

Atrair e qualificar talentos: O setor das viagens e do turismo é “um dos principais empregadores de jovens na Europa”, representando 13,1% dos postos de trabalho diretos, contra 8,3% na economia em geral. A procura por trabalhadores está a ultrapassar a oferta: prevê-se que a mão-de-obra na Alemanha e na Grécia fique 26% e 27% aquém da procura até 2035.

O WTTC recomenda “percursos de aprendizagem, um maior reconhecimento do ‘Passaporte de Competências em Hotelaria e Turismo’ e a conclusão antecipada do Programa de Experiência Juvenil entre o Reino Unido e a UE”.

Apoiar a adoção da IA no setor das viagens e do turismo: A inteligência artificial pode “tornar o setor europeu das viagens e do turismo mais competitivo, resiliente e capaz de responder às necessidades em constante mudança dos viajantes, ao mesmo tempo que ajuda os destinos a gerir a procura de forma mais eficaz”.

O WTTC recomenda que “os decisores políticos prestem apoio específico através de subvenções, formação profissional, aconselhamento especializado e acesso a ferramentas digitais partilhadas. A regulamentação da IA deve também permanecer centrada no ser humano, transparente e proporcionada, permitindo a inovação ao mesmo tempo que protege os viajantes e apoia o crescimento inclusivo”.

Ampliar a conectividade: Viagens sem interrupções e a diversificação dos mercados de origem “dependem de ligações aéreas, ferroviárias, marítimas e rodoviárias mais fortes, incluindo para ilhas, zonas rurais e regiões periféricas”. Uma melhor conectividade pode “alargar o acesso às despesas dos visitantes, apoiar o emprego ao longo de todo o ano e ajudar a aliviar a pressão durante os períodos de pico”.

O WTTC recomenda que “os decisores políticos facilitem viagens multimodais através de informação de viagem interoperável, plataformas de reserva acessíveis e bilhética integrada entre modos de transporte e fronteiras, a par de medidas práticas de descarbonização que ampliem as opções de baixas emissões, protegendo simultaneamente as ligações aéreas essenciais para destinos com alternativas limitadas”.

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