O grupo alemão Motel One está a acelerar a expansão em Portugal, depois da estreia no mercado nacional com o The Cloud One Lisboa, a primeira unidade da sua marca lifestyle The Cloud One Hotels no país. Em entrevista ao TNews, Stefan Lenze, co-CEO do grupo hoteleiro, revela que a empresa já assinou um “contrato de arrendamento para um novo hotel no Porto” e está “em conversações sobre diferentes propriedades em Lisboa”.
Localizado nas Avenidas Novas, o The Cloud One Lisboa entrou em operação em maio e assinalou a entrada do grupo no seu 14.º mercado. A unidade dispõe de 88 quartos, incluindo suites e quartos com terraços privativos, e integra uma oferta que inclui um bar no rooftop, uma piscina interior e um restaurante dedicado à cozinha portuguesa contemporânea.
“Portugal é um mercado atrativo para nós, com uma forte procura turística internacional, um setor hoteleiro consolidado e cidades que combinam atratividade cultural com atividade empresarial”, disse ao TNews Stefan Lenze, quando questionado sobre a importância do país na estratégia de crescimento do grupo.
Em particular, destaca Lisboa pela “conectividade internacional, um ambiente urbano dinâmico e uma identidade local diferenciadora”. Para o co-CEO, o país apresenta “potencial para uma expansão adicional”, permitindo “reforçar a presença no sul da Europa e chegar a novos segmentos de clientes internacionais”, mas ressalva que o grupo pretende “crescer de forma comercialmente sustentável e coerente com o nosso posicionamento”.
“Assinámos um contrato de arrendamento para um novo hotel no Porto e estamos em conversações sobre diferentes propriedades em Lisboa”
Porto e Lisboa no radar da expansão em Portugal
Depois da entrada no país com o The Cloud One Lisboa, o grupo alemão já está a avançar com novos projetos de expansão. “Assinámos um contrato de arrendamento para um novo hotel no Porto e estamos em conversações sobre diferentes propriedades em Lisboa”, adianta o co-CEO.
A estratégia de expansão foca-se “sobretudo nas principais cidades e nos destinos urbanos com uma forte conectividade internacional, uma combinação equilibrada de procura de negócios e de lazer e localizações centrais atrativas”, explica Stefan Lenze. “Lisboa cumpre claramente estes critérios. O Porto é outro mercado com características que nos interessam”.
“Em última análise, porém, a qualidade de cada oportunidade específica é mais importante do que uma lista predefinida de cidades-alvo”, acrescenta.
“A abertura do The Cloud One Lisboa representa um marco importante para o nosso grupo e assinala a nossa entrada em Portugal, o nosso 14.º mercado”
The Cloud One Hotels estreia-se em Lisboa com 88 quartos
A inauguração do The Cloud One Lisboa “representa um marco importante para o nosso grupo e assinala a nossa entrada em Portugal, o nosso 14.º mercado”, afirma Stefan Lenze, que considera que a capital portuguesa se enquadra no conceito da marca por ser “uma cidade internacional e vibrante, com uma forte identidade cultural, uma cena criativa dinâmica e uma atratividade crescente tanto para turistas em lazer como para viajantes em negócios”.
“Para nós, entrar num novo mercado significa encontrar a localização certa e desenvolver uma unidade hoteleira que reflita o caráter da sua envolvente. Com o The Cloud One Lisboa, conseguimos precisamente isso”, acrescenta.
Com 88 quartos, o hotel das Avenidas Novas combina “design contemporâneo com um caráter marcadamente português”, descreve o responsável. “Os azulejos tradicionais, os materiais naturais e os interiores inspirados na identidade local refletem a arquitetura e o espírito criativo da cidade”.
O grupo posiciona a marca The Cloud One Hotels no “segmento lifestyle de gama alta”, combinando “alojamento de elevada qualidade com um design singular, uma atmosfera diferenciadora e uma ligação autêntica ao destino”.
A marca pretende atrair viajantes de lazer e de negócios “que valorizam o design, a qualidade e uma experiência mais personalizada”, mas também conquistar o público local. “Com o seu restaurante, bares e espaços comuns acolhedores, a unidade foi concebida não apenas para os hóspedes que pernoitam, mas também para os lisboetas que procuram um lugar para se encontrar, jantar ou desfrutar da cidade”, refere.
Quanto ao desempenho desde a abertura, em maio, o co-CEO afirma que o grupo está “satisfeito com a evolução” da unidade, embora reconheça que a consolidação da presença no mercado e a “criação de uma base de clientes fiéis” são “processos graduais”.
“A reação inicial ao hotel, particularmente ao seu design, à sua atmosfera e à oferta de restauração e bebidas, tem sido muito encorajadora”, adianta, acrescentando que o objetivo passa por gerar “uma procura sustentável e afirmar o The Cloud One Lisbon como um destino reconhecido tanto pelos viajantes internacionais como pelos clientes locais”.
“Para além de Lisboa, estamos a desenvolver a marca, nomeadamente através de projetos em Londres e Roma”
Grupo ultrapassou os mil milhões de euros em receitas e acelera expansão internacional
O grupo Motel One opera atualmente mais de 110 hotéis, com mais de 30 mil quartos, em 14 países. O “portfólio contratualmente assegurado” inclui mais de 150 hotéis e mais de 40 mil quartos, incluindo unidades já em operação, “o que demonstra a solidez da nossa carteira de projetos para o crescimento futuro”, sublinha Stefan Lenze.
Em termos financeiros, o grupo encerrou 2025 com receitas anuais superiores a mil milhões de euros, pela primeira vez, e um EBITDA de 279 milhões de euros, correspondente a uma margem de 26%.
“Estamos otimistas quanto à evolução do nosso negócio em 2026. O nosso modelo de negócio continua a demonstrar resiliência e iniciámos o ano a partir de uma posição sólida”, afirma Lenze.
O responsável destaca que 2026 é um ano “particularmente importante do ponto de vista estratégico”, com o grupo a acelerar “a expansão internacional, a reforçar a marca The Cloud One Hotels e a recorrer cada vez mais a aquisições e conversões para complementar o nosso crescimento orgânico”.
No ano passado, o portfólio de unidades em operação foi alargado para 104 hotéis. Para 2026, o Motel One prevê continuar a acrescentar unidades, embora não avance um número concreto de hotéis que espera ter em funcionamento até ao final do ano.
“A nossa ambição é continuar a aumentar tanto o portfólio hoteleiro como as receitas, mantendo a rentabilidade e a eficiência operacional”, explica Stefan Lenze. “Cada novo hotel tem de fazer sentido do ponto de vista estratégico e económico e contribuir para o desenvolvimento do grupo a longo prazo”.
“Estamos a acelerar a expansão internacional, a reforçar a marca The Cloud One Hotels e a recorrer cada vez mais a aquisições e conversões para complementar o nosso crescimento orgânico”
“Historicamente, o nosso crescimento foi impulsionado sobretudo pelo desenvolvimento de novos hotéis. Atualmente, estamos a complementar esta abordagem com a conversão de unidades existentes e aquisições estratégicas”, afirma o co-CEO.
A localização continua a ser o critério “mais importante” na avaliação de novos projetos, com o grupo a privilegiar zonas urbanas centrais, com procura sustentada, boas acessibilidades e uma combinação de clientes em negócios e em lazer. O modelo de exploração é “flexível”, incluindo “contratos de arrendamento de longo prazo e, quando adequado, estruturas de propriedade selecionadas”.
“Estamos continuamente a avaliar novas oportunidades, sobretudo nas principais cidades europeias, onde é cada vez mais difícil desenvolver de raiz hotéis em localizações centrais”, indica Lenze, destacando “vários projetos interessantes em curso no nosso portefólio internacional”, nomeadamente em Londres e em Roma.
O Motel One identifica ainda potencial “em mercados consolidados, como a Alemanha, a Áustria e o Reino Unido”, e na América do Norte, ao mesmo tempo que procura “oportunidades no sul da Europa e noutros destinos europeus atrativos”.
“A nossa abordagem mantém-se seletiva: damos prioridade às cidades e localizações certas, em vez de nos expandirmos para mercados apenas com o objetivo de aumentar a nossa presença geográfica”, conclui.













