Turismo fluvial no Douro ultrapassa 1,1 milhões de passageiros até setembro

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O turismo fluvial na Via Navegável do Douro (VND) registou 1.142.540 passageiros nos primeiros nove meses de 2026, um aumento de 0,60% face ao período homólogo de 2025, segundo dados da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL), divulgados esta segunda-feira pela agência Lusa. Os cruzeiros na mesma albufeira, nomeadamente no Porto, Vila Nova de Gaia e Pinhão, representam cerca de 80% do movimento total.

No ano em que o Alto Douro Vinhateiro assinala 25 anos da classificação como Património Mundial da UNESCO, atribuída a 14 de dezembro de 2001, o turismo fluvial mantém uma trajetória de crescimento, apesar de uma ligeira desaceleração. Face a 2023, o número de passageiros aumentou 14,13%.

Raquel Maia, da APDL, afirmou à Lusa que a classificação da UNESCO é uma das principais bandeiras do Douro, tendo contribuído para a projeção internacional da região. A responsável destacou que o turismo fluvial “tem vindo sempre a crescer”, tanto em número de passageiros como na diversidade da oferta, que inclui cruzeiros na mesma albufeira, cruzeiros de um dia, navios-hotel e embarcações de recreio.

“Cresce em número e cresce em diversificação”, afirmou, apontando para a possibilidade de um novo recorde de passageiros em 2026.

Entre janeiro e setembro, os cruzeiros na mesma albufeira transportaram 913.582 passageiros, mais 0,95% do que no período homólogo de 2025. Este segmento, que inclui os circuitos entre as pontes do Porto e Vila Nova de Gaia e os passeios no Pinhão, representa cerca de 80% do movimento total da VND.

Os navios-hotel registaram 96.153 passageiros, um aumento de 0,34% face a 2025 e de 19,77% em comparação com 2023.

Em sentido contrário, os cruzeiros de um dia contabilizaram 125.482 passageiros, menos 1,21% do que no ano anterior. Segundo a APDL, este segmento apresenta uma tendência estrutural de perda de procura, contrastando com o crescimento dos cruzeiros na mesma albufeira e dos navios-hotel.

A maior quebra percentual verificou-se nas embarcações de recreio, que transportaram 7.323 passageiros, menos 6,94% do que em 2025. Desde 2023, a redução acumulada neste segmento é de 21,99%.

Raquel Maia defendeu que o crescimento da atividade turística no Douro deve ocorrer de forma sustentável, com qualidade e equilíbrio entre os interesses dos operadores, das populações locais e dos municípios.

A responsável recordou ainda que, desde que assumiu a gestão da Via Navegável do Douro, em 2015, a APDL tem colocado a “segurança da navegação” entre as suas principais prioridades.

Com cerca de 200 quilómetros de extensão, a Via Navegável do Douro é navegável desde 1990 entre a foz do rio, no Porto, e Barca d’Alva, junto à fronteira espanhola. Ao longo do percurso existem cinco eclusas, que permitem vencer um desnível de aproximadamente 125 metros.

A inauguração da via navegável em toda a sua extensão completou 36 anos a 19 de outubro, data que será assinalada no próximo domingo, 25 de outubro, com a celebração do Dia do Douro, no Peso da Régua.

O programa inclui a primeira Corrida do Douro Navegável, com uma prova de dez quilómetros e uma caminhada de cinco quilómetros entre os concelhos da Régua e de Lamego, além de minicruzeiros com embarque no cais da Régua.

Estão também previstas visitas ao edifício da APDL/Douro e ao Museu do Douro, atividades para famílias, animação de rua e atuações de associações locais.

Raquel Maia afirmou que a iniciativa pretende ser “um dia de festa”, procurando sensibilizar a população para a importância do rio e da sua preservação.

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