O 51.º Congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que decorre de 5 a 7 de dezembro, em Marraquexe, vai debater temas como a revisão da Lei 33, a Estratégia Turismo 2035, as infraestruturas aeroportuárias, a privatização da TAP e a relação entre o turismo e as comunidades locais. O programa foi apresentado esta quarta-feira, 28 de outubro, pelo presidente da associação, Pedro Costa Ferreira, durante uma sessão que assinalou também a inauguração da nova sede e o lançamento do livro comemorativo dos 75 anos da APAVT.
Sob o tema “Culturas Diferentes, Pessoas Mais Próximas”, o congresso conta atualmente com cerca de 750 inscritos, um número que Pedro Costa Ferreira espera ver aumentar após a divulgação do programa. A edição anterior, realizada em Macau, reuniu 1.034 participantes, dimensão que o responsável considera difícil de acomodar em determinados destinos, sobretudo pela dificuldade em encontrar espaços com capacidade para receber todos os congressistas nos almoços e jantares.
O programa está organizado em três dias temáticos – desafio, estratégia e inspiração -, com sessões de trabalho entre 5 e 7 de dezembro. Segundo Pedro Costa Ferreira, a associação pretende manter uma abordagem transversal à atividade turística. “Temos feito do congresso, não um congresso de agências de viagens, mas um congresso do turismo organizado por agências de viagens”, afirmou.
O primeiro dia, 5 de dezembro, terá como mote “Se não se sentirem desafiados, não terá valido a pena” e arrancará com uma intervenção de Rita Marques, antiga secretária de Estado do Turismo e atual diretora do Tourism Futures Center da Porto Business School.
A sessão, designada pré-opening, constitui uma novidade no formato do congresso, ao anteceder a abertura institucional. Pedro Costa Ferreira explicou que a iniciativa pretende desafiar os participantes a questionar práticas estabelecidas e refletir sobre o futuro do setor.
Seguir-se-á a sessão oficial de abertura, com intervenções dos presidentes da APAVT e da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), de um representante das autoridades locais e do secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços.
A primeira sessão do congresso ficará a cargo de Paulo Portas, que abordará o futuro da economia, da democracia e do turismo. Pedro Costa Ferreira explicou que a escolha do antigo governante pretende proporcionar uma reflexão sobre os desafios que se colocam à economia, à Europa e ao setor turístico, com particular atenção às perspetivas para os próximos anos.
Lei 33, TAP e Estratégia Turismo 2035 em destaque no segundo dia
O dia 6 de dezembro, dedicado à estratégia, começará com uma sessão sobre inovação aberta na distribuição turística, centrada no programa Push4Tourism, recentemente concluído pela APAVT em parceria com a GesEntrepreneur.
O painel contará com Sérgio Guerreiro, diretor-coordenador da Direção de Estratégia e Gestão do Conhecimento do Turismo de Portugal, e Miguel Gonçalves, managing director da GesEntrepreneur, que deverão apresentar um balanço da iniciativa e abordar os próximos passos.
“É a intenção da APAVT manter-se muito próxima dos temas da inovação e dos programas de inovação aberta”, afirmou Pedro Costa Ferreira.
Seguir-se-á uma conversa com Hugo Espírito Santo, secretário de Estado das Infraestruturas, que regressa ao congresso depois de ter participado na edição de 2025, em Macau. A sessão abordará os investimentos em infraestruturas aeroportuárias, o funcionamento dos aeroportos portugueses e o processo de privatização da TAP.
Segundo Pedro Costa Ferreira, o objetivo é retomar a discussão iniciada no ano passado e “tentar perceber se aquilo que se esperava há um ano está a acontecer ou não”, bem como abordar os “próximos passos”.
Outro dos momentos em destaque será o debate sobre a revisão da Lei 33/2013, que estabelece o regime jurídico das áreas regionais de turismo e das entidades regionais de turismo. A sessão contará com Pedro Machado, secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, António Valle, presidente da Agência de Promoção de Lisboa, e Luís Pedro Martins, presidente da Turismo do Porto e Norte de Portugal, com moderação da jornalista Rosário Lira.
Pedro Costa Ferreira explicou que a APAVT solicitou ao Governo uma apresentação das bases da nova proposta legislativa e um ponto de situação sobre o processo de revisão, reconhecendo que “muita gente esperava que a lei já estivesse cá fora”.
O presidente da associação considera que o debate será importante para discutir “a organização das regiões de turismo e a adequação das verbas da promoção”.
“Se há algum vetor de atração turística que não tem tido êxito na integração da oferta turística portuguesa, é a cultura”
O programa prosseguirá com uma sessão dedicada à relação entre a atividade turística, os residentes e o desenvolvimento económico, procurando identificar soluções para conciliar o crescimento do setor com a qualidade de vida das comunidades locais.
“Não podemos impedir as cidades e as regiões de manter o crescimento e o desenvolvimento económico”, afirmou Pedro Costa Ferreira, defendendo a necessidade de articular esse crescimento com a pressão sentida pelos residentes em determinados destinos.
A cultura terá também um painel próprio, intitulado “Cultura, fator de atração das próximas procuras”, com a participação de Catarina Valença, administradora da Spira, Álvaro Covões, administrador da Everything is New, e Sónia Santiago, diretora de comunicação de O Valor do Tempo.
“Se há algum vetor de atração turística que não tem tido êxito na integração da oferta turística portuguesa, é a cultura”, afirmou Pedro Costa Ferreira, defendendo uma maior valorização da gastronomia, da história e do património como instrumentos de desenvolvimento turístico, sobretudo nas regiões menos consolidadas enquanto destinos.
“Eu pessoalmente espero que [a Estratégia 2035] esteja muito mais ligada a valor acrescentado do que a hóspedes, dormidas ou mesmo a receitas”
O segundo dia terminará com uma sessão dedicada à Estratégia Turismo 2035, na qual a APAVT pretende conhecer e debater os pilares do próximo referencial estratégico para o setor, cuja apresentação pública continua a ser aguardada.
Pedro Costa Ferreira explicou que a associação desafiou a tutela a apresentar as bases do documento durante o congresso, independentemente de este já ter sido divulgado nessa altura. Para o responsável, a demora na apresentação da estratégia reforça a importância de promover este debate, que deverá abordar não apenas as orientações propostas, mas também a sua concretização e os próximos passos.
“Eu pessoalmente espero que [a Estratégia 2035] esteja muito mais ligada a valor acrescentado do que a hóspedes, dormidas ou mesmo a receitas”, afirmou Pedro Costa Ferreira, defendendo uma abordagem que privilegie a criação de valor no turismo português.
Tendências do setor e futuro da Europa encerram programa de debates
O último dia de sessões, 7 de dezembro, terá como mote “Se não se sentirem inspirados, não terá valido a pena” e começará com uma apresentação de Paul de Villiers, Senior Vice President Travel Sellers Europe da Amadeus, dedicada às tendências e aos desafios futuros do setor.
Seguir-se-á uma intervenção de Luís Amado, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, sobre a reorganização do sistema internacional e o futuro da Europa.
“Abrimos com uma visão do Paulo Portas, fechamos com uma visão do Luís Amado”, explicou Pedro Costa Ferreira, destacando que se trata de “diferentes maneiras de olhar para o mundo”.
A sessão de encerramento contará ainda com a participação de Luís Martelo, trompetista português radicado no Reino Unido, cuja história pessoal inclui um período de três anos em que viveu numa gruta em Vila Nova de Milfontes.
O programa inclui também momentos de convívio e contacto com o destino anfitrião, nomeadamente jantares patrocinados pelo Turismo de Marrocos e pela TAP Air Portugal, além de uma visita à medina de Marraquexe.
Durante a apresentação, Pedro Costa Ferreira confirmou ainda que o habitual almoço-reunião exclusivo para agentes de viagens não se realizará nesta edição, devido às dificuldades logísticas associadas à deslocação para Marrocos. O responsável explicou que este formato se consolidou sobretudo nos congressos realizados em Portugal ou em destinos próximos, como Huelva, em Espanha.
Questionado sobre a possibilidade de a Madeira acolher o Congresso de 2027, uma vez que o destino irá patrocinar um dos jantares desta edição, Pedro Costa Ferreira não confirmou qualquer localização. O responsável explicou que, tradicionalmente, o patrocínio de um jantar está associado ao destino anfitrião do congresso seguinte, mas que, quando este ainda não está definido, a associação procura outros parceiros.
Neste contexto, destacou a relação com a Madeira, que classificou como “o benchmark das boas práticas entre uma associação e um destino turístico”, sublinhando que essa parceria justifica a presença do destino no congresso, independentemente da escolha da próxima localização.
Nova sede e livro dos 75 anos marcam final do mandato
A apresentação decorreu na nova sede da APAVT, localizada na Alameda António Sérgio, em Miraflores, cuja inauguração assinala um dos últimos projetos concluídos durante a presidência de Pedro Costa Ferreira.
O espaço foi concebido para responder às necessidades de funcionamento da associação e reforçar a proximidade com os associados, que poderão utilizar as instalações para reuniões, apresentações e eventos. “É um espaço de trabalho, foi concebido para os associados estarem mais próximos da associação”, explicou o presidente.
A nova sede dispõe de salas de reunião, espaços de trabalho, uma área para eventos e um anfiteatro que poderá acolher iniciativas da associação, dos seus parceiros e dos associados. Pedro Costa Ferreira destacou a importância de concluir este projeto antes do final do mandato, considerando que a atual direção deixa “condições de trabalho modernas aos associados e à nova direção”.
Livro comemorativo dos 75 anos da APAVT: “Tentámos que a história da APAVT fosse contada pelos diversos players que interagiram com a associação”
A sessão ficou também marcada pelo lançamento do livro comemorativo dos 75 anos da APAVT, fundada em 1950. A obra reúne testemunhos de diferentes personalidades e entidades que se relacionaram com a associação ao longo da sua história, bem como referências às antigas sedes, presidentes, congressos e evolução da identidade institucional.
“Tentámos que a história da APAVT fosse contada pelos diversos players que interagiram com a associação”, explicou Pedro Costa Ferreira, acrescentando que a publicação encerra simbolicamente as comemorações do 75.º aniversário.
A apresentação decorreu ainda a poucos dias das eleições para os órgãos sociais da APAVT, agendadas para 2 de novembro, às quais concorre uma única lista, liderada por Marco Sequeira.
Pedro Costa Ferreira, que contou com a presença do seu sucessor na sessão, confirmou que a candidatura já foi validada e que o processo de transição está em curso. “A passagem de pasta está a ser feita, porque há uma tranquilidade relativamente às eleições. Sabemos quem é que vai ser o novo presidente da APAVT, sabemos quem será a nova direção”, afirmou.
O responsável revelou ainda que a última reunião da atual direção estava marcada para esta quarta-feira, juntando os dirigentes cessantes e os elementos da futura equipa, com o objetivo de assegurar a continuidade dos trabalhos e dos projetos em desenvolvimento.
O presidente cessante, que termina um ciclo de quase 15 anos à frente da associação, manifestou confiança na equipa que lhe sucederá: “Estou muito otimista relativamente ao futuro da associação”.
“A passagem de pasta está a ser feita, porque há uma tranquilidade relativamente às eleições. Sabemos quem é que vai ser o novo presidente da APAVT, sabemos quem será a nova direção. (…) Estou muito otimista relativamente ao futuro da associação.”




