Os estabelecimentos de alojamento turístico em Portugal registaram 890,2 milhões de euros em proveitos totais em setembro de 2026, um crescimento homólogo de 6,1%, enquanto as dormidas aumentaram 2%, para 8,7 milhões, o maior crescimento dos últimos quatro meses. Os dados foram divulgados esta sexta-feira, 30 de outubro, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Segundo as estatísticas rápidas da atividade turística, os proveitos de aposento atingiram 696,6 milhões de euros, mais 6% do que no mesmo mês de 2025. Ambos os indicadores aceleraram face a agosto, quando tinham registado crescimentos de 4,7%.
Em setembro, o setor contabilizou 3,4 milhões de hóspedes, correspondendo a um aumento de 2,5% em termos homólogos, acima dos 1,9% registados no mês anterior.
“O crescimento das dormidas foi sustentado tanto pelos residentes como pelos não residentes, embora com evoluções distintas”, refere o INE. As dormidas de residentes aumentaram 3,1%, para 2,5 milhões, acelerando face a agosto (+1,4%), enquanto as de não residentes cresceram 1,6%, para 6,2 milhões, “abrandando ligeiramente face ao mês anterior (+1,9%)”.
No acumulado dos primeiros nove meses de 2026, o alojamento turístico registou 66 milhões de dormidas, mais 1,5% do que no período homólogo. Já os proveitos totais aumentaram 5,3%, para 6.020,1 milhões de euros, enquanto os proveitos de aposento cresceram 5%, para 4.649,2 milhões de euros.
Entre os dez principais mercados emissores, que representaram 75,6% das dormidas de não residentes em setembro, o mercado polaco destacou-se com o maior crescimento homólogo (+11%), enquanto o mercado francês registou o maior decréscimo (-5,5%).
O Reino Unido manteve-se como principal mercado emissor para o alojamento turístico nacional, com uma quota de 19,1% das dormidas de não residentes e um crescimento de 3%, ligeiramente abaixo dos 3,4% registados em agosto.
A Alemanha ocupou a segunda posição, representando 12% das dormidas de não residentes, apesar de ter registado uma quebra de 2,9%, depois de um crescimento de 0,4% no mês anterior.
Seguiram-se os Estados Unidos, responsáveis por 11,4% das dormidas de não residentes, com um crescimento homólogo de 5,7%, idêntico ao observado em agosto.
Norte lidera crescimento das dormidas e dos proveitos
A nível regional, o Norte registou o maior crescimento homólogo das dormidas em setembro (+6,6%), seguido do Centro e da Grande Lisboa, ambos com aumentos de 2,8%. Em sentido contrário, o maior decréscimo verificou-se no Oeste e Vale do Tejo (-2%).
O Algarve manteve-se como a região com maior peso no total de dormidas, concentrando 27,5%, seguido da Grande Lisboa (22,2%) e do Norte (18,8%). Em conjunto, estas três regiões representaram 68,5% das dormidas registadas no país.
Entre os residentes, os maiores crescimentos das dormidas verificaram-se na Península de Setúbal (+10,1%), na Grande Lisboa (+8%) e no Centro (+7,5%). Os Açores (-11,1%) e o Algarve (-2%) foram as únicas regiões a apresentar decréscimos neste segmento.
Já nas dormidas de não residentes, o INE assinala que “a evolução foi maioritariamente negativa nas diferentes regiões”, com as maiores quebras no Oeste e Vale do Tejo (-7,7%) e no Centro (-4,8%). O Norte registou o maior crescimento (+7,5%), seguido dos Açores (+1,9%).
No que respeita aos proveitos, a Grande Lisboa concentrou a maior parcela dos proveitos totais (28%) e de aposento (29,4%), seguida do Algarve (27% e 26,3%, respetivamente) e do Norte (17,1% e 17,5%).
Os maiores crescimentos dos proveitos totais foram registados no Norte (+10,3%) e no Alentejo (+9,3%). Nos proveitos de aposento, estas regiões apresentaram aumentos de 10,6% e 7,5%, respetivamente.
RevPAR e ADR aumentam, mas taxas de ocupação recuam
Em setembro, o rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) fixou-se em 102 euros, um crescimento homólogo de 2,8%, enquanto o rendimento médio por quarto ocupado (ADR) atingiu 147,3 euros, mais 3,3%.
A Grande Lisboa apresentou o RevPAR mais elevado do país, de 150,2 euros, seguida da Madeira, com 121,2 euros. Todas as regiões registaram crescimentos neste indicador, destacando-se o Norte, com uma subida de 5,7%.
Quanto ao ADR, os valores mais elevados foram observados na Grande Lisboa (182,2 euros) e no Algarve (155,6 euros). O maior crescimento registou-se no Oeste e Vale do Tejo (+7,8%), seguido do Alentejo (+7,4%).
Apesar da evolução positiva dos proveitos e dos indicadores de rendimento por quarto, as taxas de ocupação mantiveram uma trajetória de decréscimo. A taxa líquida de ocupação-cama situou-se em 56,5%, menos 0,3 pontos percentuais do que em setembro de 2025, enquanto a taxa de ocupação-quarto recuou 0,4 pontos percentuais, para 69,3%.
A estada média nos estabelecimentos de alojamento turístico foi de 2,57 noites, correspondendo a uma diminuição homóloga de 0,4%.
Entre os principais municípios turísticos, Lisboa concentrou 17,8% das dormidas nacionais em setembro, totalizando cerca de 1,5 milhões, mais 2,8% do que no período homólogo. As dormidas de residentes aumentaram 6,8% e as de não residentes cresceram 2,3%.
Albufeira ocupou a segunda posição, com 893,2 mil dormidas (+2,2%), impulsionadas pelo crescimento de 3,7% das dormidas de não residentes, que compensou a quebra de 3,4% entre os residentes.
O Porto foi o terceiro município com mais dormidas, contabilizando 714,5 mil, um aumento de 5,6%. Este crescimento resultou da subida de 6,6% nas dormidas de não residentes, enquanto as de residentes diminuíram 1,5%.
Entre os dez principais municípios, Porto e Lagoa registaram os maiores crescimentos das dormidas, ambos de 5,6%. Em contrapartida, Portimão apresentou a maior quebra (-5,2%), refletindo diminuições tanto entre os residentes (-8,3%) como entre os não residentes (-3,7%).




