Os Açores não têm guias suficientes para fazer face à procura de visitação da montanha do Pico, que registou no primeiro semestre do ano uma queda de 35%, segundo a Secretaria Regional do Ambiente.
A procura turística pela montanha do Pico “tem vindo a crescer, verificando-se em 2024 um aumento de cerca de 18% face a 2023”, de acordo com os dados recolhidos desde 2022, quando a Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática começou a gerir a Casa da Montanha, na ilha açoriana.
No entanto, verificou-se um decréscimo de 35% nas escaladas à montanha do Pico no primeiro semestre do ano, o que “não acompanhou a tendência de crescimento observada em anos anteriores, apresentando valores semelhantes aos do ano de 2022”, disse a secretaria regional à agência Lusa.
A escassez de guias de montanha “tem vindo a provocar carência de recursos humanos para que as empresas possam fazer face à procura de visitação, sobretudo durante a época alta”.
A subida da montanha do Pico, que é muito procurada por turistas na época alta, pode ser feita com recurso a guias ou de forma autónoma, mediante o cumprimento de determinadas regras que salvaguardam a segurança dos visitantes.
Entre 2015 e 2020, foram promovidos 22 cursos de guia de parques naturais dos Açores, em todas as ilhas, e três cursos de guia da montanha do Pico, o que permitiu formar “mais de meia centena de guias de montanha até à data”. No entanto, “por diversas razões, muitos dos guias de montanha formados nesse período não exercem a função de guia no Pico”.
A Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática abriu pré-inscrições para os cursos de guia do parque de natural de ilha do Pico e guia da montanha, sendo que também estão abertas as inscrições para a formação de guia de parque natural dos Açores, com previsão de realização “no último trimestre deste ano”.
Atualmente, o regulamento de acesso à montanha do Pico estipula uma capacidade máxima de carga de 320 visitantes por dia e de 160 visitantes em simultâneo. A pernoita na cratera é condicionada a 32 visitantes por dia.
Segundo o Governo Regional, o decréscimo no número de escaladas à montanha do Pico pode ser justificado pelas “condições meteorológicas particularmente adversas no início do ano”, nomeadamente “a ocorrência de neve até ao mês de abril”, que “limitou o acesso seguro ao topo da montanha”.
Além disto, terá também contribuído a “emissão de vários alertas por parte do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) que levou à interdição temporária ou à não recomendação de subida por motivos de segurança, conforme está estabelecido no regulamento de acesso à montanha do Pico”, o que “terá condicionado o normal funcionamento das atividades e influenciado a decisão dos visitantes e operadores turísticos”.




