Sábado, Dezembro 6, 2025
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A COP26 será um ponto de viragem para o turismo?

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A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas 2021 (COP26) ocorreu em Glasgow, de 31 de outubro a 13 de novembro de 2021. Nesta conferência, mais de 300 organizações e empresas assinaram a Declaração de Glasgow sobre a Ação Climática no Turismo, comprometendo-se a reduzir as suas emissões de carbono. O National Geographic UK coloca a seguinte questão: O que é que a Declaração de Glasgow exige dos seus 300 signatários e o que isso significa para os viajantes?

O turismo é responsável por cerca de 8 a 11% das emissões globais de gases de efeito estufa, de acordo com o World Travel & Tourism Council (WTTC). A aviação, sozinha, causa cerca de 17% do total de emissões de carbono em viagens.

Todos os sinais indicam que as emissões de carbono vão aumentar, à medida que o mundo se torna cada vez mais móvel. Pesquisas publicadas na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2019 sugeriram que, até 2030, as emissões relacionadas ao transporte provenientes do turismo representarão 5,3% das emissões de carbono produzidas pelo homem. Isto acontecerá se as chegadas anuais de turistas, tanto nacionais como internacionais, aumentarem de 20 mil milhões em 2016 para 37 mil milhões em 2030, conforme previsto.

O que aconteceu em Glasgow?

As conferências anuais da COP têm sido um fórum de debate e resolução e o turismo tem estado em foco nestes eventos climáticos. A COP26 de Glasgow representou, sem dúvida, o momento mais significativo até agora, porque o foco mudou para as emissões de carbono das grandes empresas.

Mais de 300 empresas envolvidas no turismo global assinaram a Declaração de Glasgow sobre a Ação Climática no Turismo. Galvanizadas pelos desafios da pandemia e pela oportunidade que ofereceu à indústria de redefinir os seus caminhos, todas as empresas que assinaram comprometeram-se a reduzir pela metade as suas emissões até 2030 e chegar a zero líquido até 2050.

Todas estas empresas devem apresentar, dentro de um ano da assinatura, um plano detalhado de ação climática para traçar planos para atingir essas metas e mostrar que reservaram fundos suficientes para que isso aconteça.

Quem está por detrás disso?

A declaração foi criada como uma colaboração entre a Organização Mundial do Turismo, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, VisitScotland, a Travel Foundation e o Tourism Declares a Climate Emergency.

“Essas organizações influentes não tinham uma abordagem unificada durante grande parte da pandemia sobre as principais questões que afetam o reinício das viagens, por isso é ótimo ver que elas estão mais dispostas a trabalhar juntas”, diz Lebawit Lily Girma, repórter da Skift.

Quem assinou a declaração?

Os 300 signatários iniciais incluem alguns gigantes da indústria, incluindo várias cadeias hoteleiras globais e destinos turísticos importantes. Entre eles estão Accor, Barbados, Aeroporto Internacional de Dallas Fort Worth, Iberostar Group, Intrepid Travel, Holanda, Noruega, Escócia, Skyscanner e The Travel Corporation. Espera-se que mais empresas e organizações assinem a declaração.

Quem não assinou?

Ausências notáveis ​​até agora incluem as principais companhias aéreas e de cruzeiro. “Apesar da sua enorme contribuição para as emissões, estas companhias não têm a tecnologia necessária para reduzi-las significativamente”, diz Girma.

O trabalho para melhorar a eficiência e encontrar combustíveis relativamente mais limpos está em andamento e a ganhar ritmo. “Mas é improvável que isso aconteça até 2030 ou mesmo 2050”, acrescenta Girma.

O WTTC também usou Glasgow para lançar um “roteiro de descarbonização”, descrevendo várias maneiras pelas quais diferentes setores da indústria de viagens, incluindo aviação e cruzeiros, podem reduzir as emissões.

Como é que os signatários farão esses cortes?

Vai depender do tipo de negócio. Um dos signatários, a Intrepid Travel, uma empresa global de viagens na Austrália, diz que se tornou neutra em carbono em 2010. Esta empresa oferece consultoria gratuita para outras empresas na mesma jornada, incluindo maneiras de medir adequadamente as emissões, reduzi-las minimizando a aviação, cortando e reciclando resíduos e confiando mais no transporte público do que a maioria dos operadores turísticos tradicionalmente fazem.

A Intrepid também compensa as emissões restantes comprando créditos vinculados a projetos de energia renovável que atendem às mais altas certificações atualmente disponíveis. “As mudanças climáticas representam uma ameaça existencial para toda a humanidade, mas em nenhum lugar isso é mais profundo do que para a indústria de viagens”, disse o cofundador da Intrepid, Darrell Wade, antes da COP26.

Quão significativo é tudo isto?

“Isto sinaliza um grande ponto de viragem para a indústria de viagens”, diz Girma.

“Antes deste esforço, não havia diretrizes uniformes para a indústria do turismo sobre como se alinhar ao Acordo de Paris. Na verdade, a ação climática não foi priorizada em termos de como enfrentá-la como uma indústria, por mais difícil que seja acreditar”, afirma Jeremy Smith, cofundador da Tourism Declars a Climate Emergency e consultor de turismo sustentável.

Como saberemos se os signatários estão a cumprir as suas promessas?

O termo “greenwashing” originou-se na indústria de viagens e seria tentador suspeitar que algumas empresas possam usar o estatuto de signatária para se comercializar como vagamente “verdes”, sem necessariamente tomar nenhuma ação significativa.

Porém, além de apresentar um plano de ação climática no prazo de um ano após a assinatura, os participantes também devem continuar a relatar o seu progresso anualmente. Haverá apoio para os signatários que enfrentarem dificuldades para fazê-lo, mas o estatuto de signatário será revogado após um período de carência de 90 dias se não houver relatórios adequados.

Será que os viajantes se vão preocupar?

A indústria do turismo já começou a polir as suas credenciais ambientais como forma de se comercializar para uma população de viajantes cada vez mais consciente. À conversa com a Forbes após a COP26, Wade relembro que o compromisso da Intrepid de se tornar neutra em carbono há mais de uma década confundiu mais pessoas do que impressionou. “Hoje, somos cerca de 10 vezes maiores e 15 vezes mais lucrativos do que éramos naquela época e agora quase toda a gente se preocupa com as mudanças climáticas e as emissões de carbono”, conclui.

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