Durante o verão, o TNews conversa com agentes de viagens de norte a sul do país, em entrevistas informais que revelam o outro lado da época alta. Histórias curiosas, pedidos insólitos e tendências do setor — tudo contado por quem vive o verão no centro da ação, na nova rubrica “Agentes em Época Alta”.
À conversa com Bruno Durães | Go N’ Get
Qual foi a viagem mais inusitada que já vendeu?
Ao longo dos anos, tivemos a oportunidade de organizar diversos programas diferenciados, mas uma das solicitações mais inusitadas foi uma viagem de finalistas com foco integral em visitas culturais. O grupo solicitou um itinerário que incluía duas visitas a museus por dia, ao longo de quatro dias consecutivos.
Tratando-se de um segmento tradicionalmente associado a lazer, praia e entretenimento, este pedido destacou-se não apenas pela sua abordagem pedagógica, mas também pelo envolvimento demonstrado pelos próprios estudantes na definição do programa.
É um exemplo de como o setor das viagens deve estar preparado para responder a interesses diversos, valorizando sempre a personalização e a adequação às expectativas de cada cliente.
E a pergunta mais estranha que já ouviu de um cliente?
“Estou no Brasil, não trouxe euros e o MB Way não funciona! Como faço para levantar euros?”. Foi um daqueles momentos em que percebemos que trabalhar em turismo vai muito além de vender viagens — passamos a ser também o ponto de apoio para qualquer situação, por mais inusitada que seja.
Que destino recomenda de olhos fechados — e porquê?
Itália. Qualquer canto. Literalmente, até a estação de comboios tem charme. Boa comida, cultura, paisagens, e uma paixão nacional por crianças — o que, viajando com três filhos, é um verdadeiro milagre. É um dos poucos países onde fomos a um restaurante com os miúdos e recebemos elogios em vez de olhares de terror.
Há alguma tendência no setor que lhe desperte particular entusiasmo?
Trabalhamos sobretudo com viagens de finalistas e, sem dúvida, é uma das áreas que mais me entusiasma. Estamos a falar de criar um produto para mais de 10.000 jovens — cheios de energia e com expectativas (quase) tão altas quanto o volume das colunas.
O desafio é grande: combinar boas atividades, hotéis de qualidade, segurança reforçada e, claro, muita diversão. É um festival… mas com pais a ligar a perguntar se os filhos comeram bem.
O mais gratificante? A quantidade de mensagens que recebemos a agradecer todo o nosso trabalho. No fim, saber que fizemos parte de um momento marcante na vida de tantos jovens faz tudo valer a pena.
Quando chega a sua vez de viajar, como escolhe os seus próprios destinos de férias?
Como tenho uma família numerosa com três crianças, basicamente escolhemos onde há menos hipóteses de uma criança perder um sapato, um telemóvel ou um dente. Depois disso, se tiver sol, praia e um sítio onde sirvam café forte e gelados gigantes, está perfeito. A logística é um desafio, mas há sempre aquela sensação boa de “sobrevivemos e ainda nos divertimos” — o que é, no fundo, o espírito da nossa viagem em família.
Nota de editor
Se é agente de viagens e quer participar na rubrica “Agentes em Época Alta”, envie o seu contributo respondendo a estas cinco perguntas para cmonteiro@tnews.pt.



