Alojamento Local dos Açores estima impacto de 30M€ com “quebra significativa” do turismo

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A Associação do Alojamento Local dos Açores (ALA) estima que a quebra da atividade turística na região possa representar um impacto de cerca de 30 milhões de euros na economia açoriana, afetando setores como o alojamento, restauração, comércio, transportes e animação turística.

Numa reação aos dados divulgados na semana passada pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA) sobre a atividade turística no primeiro semestre de 2026, a associação considera que os números confirmam “uma realidade preocupante”, marcada por “uma quebra significativa”, especialmente no alojamento local, que “perdeu cerca de 80 mil dormidas face ao mesmo período do ano anterior”.

Presidida por João Pinheiro, a ALA sustenta que esta redução representa “um impacto de cerca de 30 milhões de euros na economia açoriana”, correspondendo a “milhões de euros que deixaram de chegar ao alojamento, restauração, comércio, rent-a-car, animação turística, transportes e restantes empresas que dependem do turismo”.

A associação alerta ainda para a pressão crescente sobre as empresas do setor. “Ao mesmo tempo que as receitas diminuem, os custos continuam a aumentar. Energia, seguros, salários, manutenção, financiamento, matérias-primas e serviços continuam sob forte pressão, reduzindo cada vez mais a margem das empresas e colocando em causa a sua sustentabilidade”, refere.

A maior preocupação da ALA centra-se agora no próximo inverno IATA. Segundo a associação, continuam por anunciar medidas concretas para reforçar a acessibilidade aérea durante a época baixa.

“Continuamos sem conhecer medidas concretas que reforcem a acessibilidade aérea durante a época baixa. Não existem sinais de recuperação da oferta, nem de entrada de novas ligações capazes de compensar a perda de capacidade verificada nos últimos meses”, critica. 

A associação sublinha também que a “ausência de companhias low cost continua a fazer-se sentir”, defendendo que a redução da concorrência resulta em “menos lugares disponíveis, tarifas mais elevadas e menor capacidade para atrair turistas”, numa altura em que a região procura combater a sazonalidade.

Para a ALA, o contexto internacional “desafiante” não deve servir de justificação para os resultados registados. A associação destaca que destinos concorrentes, como a Madeira, continuam a apresentar crescimento da procura, “provando que estratégias adequadas de acessibilidade e promoção podem gerar melhores resultados”.

Neste contexto, a ALA considera que “este é o momento de agir”, defendendo medidas que permitam recuperar a competitividade do destino através do reforço da conectividade aérea, da captação de novas rotas e da intensificação da promoção nos mercados emissores. 

“O turismo continua a ser um dos principais motores da economia regional. Perder competitividade significa perder investimento, emprego, rendimento e oportunidades para os Açores. Ainda vamos a tempo de inverter esta tendência, mas isso exige decisões rápidas e eficazes”, defende.

Os alertas da associação surgem numa altura em que os Açores registam o nono mês consecutivo de descida homóloga nas dormidas turísticas. Segundo dados divulgados pelo SREA, em junho foram contabilizadas 506,4 mil dormidas no conjunto dos estabelecimentos de alojamento turístico da região (hotelaria, alojamento local e turismo no espaço rural), o que representa uma quebra de 3,8% face ao mesmo mês de 2025.

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