O mercado do alojamento local em Portugal registou, em 2025, mudanças estruturais ao nível dos padrões de procura, com destaque para viagens mais curtas e frequentes, uma redução da sazonalidade e um maior recurso à tecnologia por parte dos anfitriões. As conclusões constam do mais recente relatório da Lodgify, plataforma de gestão de alojamento local, que analisa a evolução do setor ao longo do último ano.
De acordo com o estudo, as tradicionais férias longas concentradas no verão estão progressivamente a dar lugar a escapadinhas distribuídas ao longo de todo o ano, um padrão que “aponta para os primeiros sinais de mudança na sazonalidade do turismo em Portugal”. Esta tendência acompanha comportamentos observados noutros mercados europeus e reflete uma “maior flexibilidade dos viajantes”, tanto na duração das estadias como na antecedência das reservas.
Em 2025, a taxa média de ocupação em Portugal recuperou para 51,5%, representando um crescimento de 3,4% face ao ano anterior. Agosto manteve-se como o mês de maior procura, com uma taxa de ocupação de 65,1%, mas o aumento das reservas durante o inverno e o outono confirma uma distribuição mais equilibrada da procura ao longo do ano.
Ao nível dos destinos, Lisboa continuou a liderar em volume de reservas. No entanto, Leiria destacou-se como um dos mercados com maior crescimento em 2025, aproximando-se do Porto e evidenciando um interesse crescente por destinos fora dos principais centros urbanos. As estadias de curta duração continuam a dominar o mercado, com viagens entre uma e três noites a representarem 61,3% das reservas, um aumento de 15,8% face ao período anterior.
O relatório identifica também uma alteração significativa na janela de reserva. As reservas efetuadas até sete dias antes da estadia cresceram 30% desde 2023, enquanto as reservas realizadas com mais de 91 dias de antecedência registaram uma diminuição de 22,5%. Como consequência, a antecedência média das reservas reduziu-se para 60,2 dias, exigindo uma gestão mais dinâmica de preços e disponibilidade por parte dos anfitriões.
Apesar da recuperação da ocupação, o preço médio por noite (ADR) desceu para 177,3 euros em 2025, menos 6,8% face a 2023. Segundo a Lodgify, este comportamento indica que o crescimento da procura foi impulsionado sobretudo por “reservas em períodos de menor preço”. Ainda assim, as reservas diretas continuam a apresentar um valor médio superior ao das plataformas de intermediação, com um ADR de 235,9 euros, face aos 169,4 euros registados nas OTAs.
No que diz respeito às plataformas de reserva, a Booking.com manteve a liderança no mercado português, concentrando 42,6% do total das reservas. No entanto, perdeu quota para a Airbnb, que registou um crescimento de 2,9 pontos percentuais, reforçando a sua presença em destinos com maior procura e preços mais elevados, como Lisboa e Faro.
A nível europeu, o relatório destaca ainda o papel crescente da tecnologia na gestão do alojamento local. A inteligência artificial surge como uma área com potencial de desenvolvimento, nomeadamente na otimização de preços, automatização da comunicação com hóspedes e melhoria da eficiência operacional. Segundo Shaun Shirazian, CEO da Lodgify, “o futuro do alojamento local em 2026 pertence aos anfitriões independentes que estão informados, são adaptáveis e tiram partido da tecnologia”.




