Segunda-feira, Junho 17, 2024
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Amanhã é tarde de mais

Por Sofia Almeida

Quantas ondas de calor atípicas ainda nos faltam?
Quantas subidas de temperatura ainda teremos que tolerar?
Quantas inundações (in)evitáveis ainda vão acontecer?
Quantos incêndios desmesurados teremos que suportar?
Quantas espécies mais teremos que ver em sofrimento absoluto até finalmente sucumbirem?

Não sei responder, nem sei se alguém saberá.

Mas sei que enquanto humanidade teremos que fazer muito mais do que temos feito. O que temos feito para proteger o nosso planeta é manifestamente pouco. O Acordo de Paris assinado em 2015 teve o mérito de mostrar preocupação pelos Governos e pelos decisores para as questões da sustentabilidade e proteção do nosso Planeta. A sua existência foi sinal de alerta, mas ao mesmo tempo de esperança. Hoje em 2023, já sabemos que mesmo que o mundo parasse, tal como aconteceu nos últimos confinamentos, não iriamos conseguir atingir os objetivos estabelecidos para 2030. E felizmente, não se prevê que o mundo vá parar e, portanto, como se gere esta frustração e inação?

A humanidade está repleta de chamadas de atenção para os problemas do nosso planeta, algumas mais tácitas, outras mais explicitas. Basta ler as notícias para perceber a ´nossa´ influência nefasta nas mudanças climáticas. Nos últimos 150 anos a temperatura média subiu cerca de 1 grau na Europa e os resultados diretamente relacionados com este aumento são as ondas de calor, as ondas de secas, as inundações, as alterações dos padrões de chuva, os furacões e os incêndios que invadem as nossas televisões e as nossas vidas.

Existem consequências mais concretas nas alterações climáticas no nosso planeta, o degelo do Ártico origina o aumento do nível de água dos oceanos e atira para a água os pequenos pinguins imperadores que sem saberem nadar, se afogam. O ano passado morreram mais de 9000. Esta espécie já está na categoria de espécies em vias de extinção. Outra das consequências é a degradação de ecossistemas naturais, como recifes de coral e áreas costeiras.

Não obstante, as mudanças climáticas também vão exercer uma pressão enorme no negócio do turismo. E uma das mais notórias é a influência do aumento da subida de temperatura na Europa nas deslocações dos fluxos turísticos. Os destinos no sul da Europa, nomeadamente, os do Mediterrâneo deixarão de ser confortáveis para receber turistas devido ao calor excessivo e, portanto, aumentará a procura pelo norte da Europa. Estas alterações irão mudar o panorama turístico tal como o conhecemos no que diz respeito aos países emissores e recetores. O próprio conceito de sazonalidade, sofrerá alterações nos períodos que conhecemos agora como os mais populares ou os períodos de baixa procura. O aumento da frequência de eventos climáticos extremos levará também a prazo, a aumentos nos custos dos seguros para empresas de turismo, afetando a sua viabilidade financeira. Outra das consequências para as empresas da não adoção de práticas sustentáveis e responsáveis é o aumento de críticas e danos à sua reputação, à medida que os turistas se tornam mais conscientes das questões climáticas.

Ao nível do Turismo, estas implicações impactam negativamente nas experiências de viagem dos turistas, considerando a sua exposição a experiências de viagem perturbadoras devido aos eventos climáticos extremos, como o cancelamento de voos, as evacuações de destinos e subsequentes alterações nos planos de viagem. Felizmente, a conscientização ambiental está a crescer. Os turistas estão cada vez mais conscientes do fenómeno das mudanças climáticas e procuram destinos e empresas de turismo que adotam práticas sustentáveis e de baixo impacto ambiental.

A sustentabilidade é e deve continuar a ser mais do que uma preocupação da moda. Claro que ainda há muito trabalho a ser feito, mas acredito que vamos ganhando mais adeptos. E para o mercado, a sustentabilidade deve fazer parte da estratégia e dos negócios das empresas. Preferencialmente, deve ser mais do que uma política empresarial ou fazer parte de um objetivo. Deve ser uma vantagem competitiva, sinal de que há vontade das empresas se sobreporem à concorrência por via da adoção de boas práticas sustentáveis. E assim, só assim, podemos todos sonhar com um mundo melhor…. porque amanhã pode ser tarde de mais!

Por Sofia Almeida

Coordenadora da Área de Turismo & Hospitalidade da Universidade Europeia

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