Amesterdão considera proibir cruzeiros marítimos até 2035

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Amesterdão pondera o fim da operação de cruzeiros marítimos até 2035, inserido numa política mais alargada de gestão dos fluxos turísticos e de reforço da sustentabilidade urbana. A possibilidade está a ser analisada pelas autoridades municipais, após a suspensão dos planos para relocalizar o terminal de cruzeiros marítimos atualmente situado junto ao centro da cidade.

Nos últimos anos, a capital neerlandesa tem vindo a implementar diversas medidas para conter o turismo excessivo e reduzir a pressão sobre o centro histórico, depois de ter registado mais de 21 milhões de dormidas em 2019. Entre as decisões já tomadas, destaca-se a limitação do número de navios de cruzeiro fluvial, que deverá passar de 190 para 100 até ao final de 2026, bem como a proibição de novas construções hoteleiras. Em 2023, foi ainda aplicada uma restrição à atracação de navios de cruzeiro marítimos no centro da cidade.

Paralelamente, o município tinha definido a remoção do Cruise Port Amsterdam – que serve cruzeiros marítimos e fluviais – da sua localização atual, no rio IJ, até 2035. No entanto, este plano foi interrompido após um estudo de viabilidade ter apontado custos de investimento considerados “indesejáveis”, estimados em cerca de 85 milhões de euros.

De acordo com as autoridades locais, uma eventual proibição total dos cruzeiros marítimos implicaria também perdas financeiras. As estimativas indicam que a cidade deixaria de arrecadar cerca de 46 milhões de euros em receitas associadas a taxas portuárias e turísticas ao longo de um período de 30 anos.

A possibilidade de um fim definitivo dos cruzeiros marítimos está alinhada com a visão de política turística de Amesterdão para 2035, que prevê o desincentivo de formas de turismo associadas a grandes fluxos de visitantes, como excursões organizadas, autocarros turísticos e cruzeiros. Em alternativa, a cidade pretende promover atividades económicas “criativas e sustentáveis”, que contribuam positivamente para a vida urbana e para os residentes.

“O nosso desafio comum é criar uma economia de visitantes que acrescente qualidade à cidade, em vez de a prejudicar”, refere o documento estratégico da autarquia.

Citada pela DutchNews, a vice-presidente da Câmara Municipal de Amesterdão, Hester van Buren, responsável pelas áreas portuária e aeroportuária, afirmou que a cidade está a avaliar essa possibilidade. “Queremos dar prioridade à sustentabilidade e à qualidade de vida. Isso significa que, nos próximos meses, iremos explorar a opção de terminar os cruzeiros marítimos em Amesterdão até 2035”, declarou.

As discussões encontram-se ainda numa fase preliminar, não estando definida uma decisão final sobre o futuro dos cruzeiros oceânicos na cidade.

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