Segunda-feira, Fevereiro 6, 2023
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André Villa de Brito cria empresa de consultoria de Enoturismo: “Há muito por fazer enquanto produto turístico”

Depois de uma experiência acumulada nos últimos 10 anos como guia de Enoturismo, sommelier e coordenador de eventos e incentivos em Portugal, através da qual teve oportunidade de conhecer 14 regiões demarcadas de vinhos no país, André Villa de Brito fundou, em 2022, a Villa de Brito – Wine Tourism Consultant com o objetivo de impulsionar o Enoturismo em Portugal.

Em entrevista ao Tnews, explicou como pretende fazê-lo. Essencialmente através de três vertentes: como guia e sommelier de experiências e roteiros específicos de enoturismo para clientes estrangeiros; na prestação de serviço de consultoria a DMC’s, operadores turísticos e agências de viagens, para a construção de programas neste segmento adequados ao perfil de cada cliente; e por fim, na consultoria a quintas de produção de vinho, quer na fase de construção do seu projeto de enoturismo; ou como sommelier na criação de menus de degustação com harmonização de vinhos para os clientes que visitam as adegas.

À experiência adquirida nestes últimos anos, junta um currículo anterior na área da hotelaria. Sempre comunicador e extrovertido, foi na enogastronomia que encontrou a sua maior paixão. É com paixão que fala deste segmento que quer ver crescer a breve trecho.

“Andei na estrada, aprofundei um bocadinho mais os conhecimentos e tentei perceber onde estavam as oportunidades para este segmento”, conta. Ao mesmo tempo, investiu no conhecimento e na formação em vinhos nacionais e internacionais, integrou a Associação dos Escanções de Portugal e tem participado como júri em vários concursos nacionais.

Agora, André Villa de Brito quer ver o segmento do Enoturismo cada vez mais dinamizado em Portugal. Ou seja, clientes a procurarem o nosso país para circuitos de enogastronomia que incluem estadia, restaurante e provas. “Construo o programa e faço as harmonizações com os chefs e os vinhos locais, depois operacionalizo, sou o guia, complemento os guias locais”, explica.

Colocar o Enoturismo ao nível de outros segmentos como o MICE, a Tour Operação ou Golfe, segmentos de mercado já consolidados em Portugal, é um dos desígnios de André Villa de Brito. Apesar de, na sua opinião, o país ter essa vocação, há ainda um trabalho a desenvolver: “Portugal é um país riquíssimo, do ponto de vista da gastronomia, temos 14 regiões demarcadas de vinhos, 350 castas identificadas, vários perfis de vinhos para mercados diferentes a nível de exportação. Mas julgo que há muito para fazer e há muita falta de cooperação dentro das regiões, entre produtores, porque não têm formação em turismo e não sabem como fazer. O Enoturismo é uma grande ferramenta de marketing para este tipo de entidades, porque ajuda a vender o vinho e a cultura portuguesa”, constata. “As regiões do Alentejo e o Douro já estão perfeitamente consolidadas no panorama nacional e internacional – mas podemos dar mais projeção a outras regiões como o Algarve – que tem mais para oferecer do que sol, praia e golfe -, a região da Bairrada, de Lisboa, do Tejo”.

André Villa de Brito tem desenvolvido este trabalho com DMC’s. Trabalha com determinados DMC’s para cada mercado, seja o brasileiro, escandinavo ou americano e não pretende alterar esse modelo. “Trabalho numa perspetiva de B2B, não tenho intenções de trabalhar com o cliente final, porque não tenho, nem quero ter, infraestrutura para o fazer. O meu trabalho é na rua, com o cliente final. As agências têm essas infraestruturas, mas, por sua vez, não têm um conhecimento vasto nesta área do Enoturismo”, afirma.

Sobre o perfil do cliente de Enoturismo, André Villa De Brito explica que é “um cliente com poder de compra, habituado a viajar, com um palato muito bem educado e com conhecimento vasto da indústria do vinho”. Por outro lado, “é um cliente que vem maioritariamente de países que também produzem vinhos. Ou seja, já têm um conhecimento vasto da sua própria região, dos processos de vinificação e dos perfis de vinho. São pessoas com um nível de formação alto, com um gosto muito grande pela gastronomia também e dispõem-se à descoberta e à aventura”, acrescenta. Querem experimentar vinhos de categorias superiores, explica, com determinado tipo de caraterísticas e já vêm com o seu perfil muito bem definido dos vinhos e do tipo de experiência que querem ter. “Este tipo de cliente já pede provas de categorias superiores e pede visitas em formato privativo. É um cliente muito exigente, muito bem educado e adaptado a este nicho. Sabe ao que vem”, conclui.

Analisando a oferta de Enoturismo em Portugal, André Villa de Brito faz uma diferenciação. “Temos grandes produtores nas grandes regiões que, pelo seu nível de exportação e pela sua penetração no mercado, já são conhecidos. São paragem obrigatória para os clientes estrangeiros. Depois temos os mais pequenos, que baseiam o seu comércio na exportação e, por isso, têm contactos lá fora e utilizam esses contactos também para promover não só a própria região, como os seus próprios vinhos”.

Sobre a promoção do Enoturismo, o profissional constata que “não há um grande esforço e também conhecimento de como o fazer”. “Esse é um dos pontos essenciais: como podemos melhorar a promoção deste tipo de produto? A promoção ainda é feita de uma forma muito rudimentar enquanto produto turístico, não há nenhuma entidade a promover globalmente o país neste segmento”.

Perspetivas para 2023

Habituado a trabalhar com os mercados estrangeiros, André Villa de Brito tem boas perspetivas para 2023, no que diz respeito ao turismo. “Espero que possamos bater os números de 2022, que foi o melhor de sempre. Portugal tem de se posicionar, e está a fazê-lo, numa perspetiva de preço, mas também de adequar o serviço para o qual está a cobrar”. Já quanto ao Enoturismo, afirma que “há muita procura para este segmento, mas o que sinto é que não há conhecimento para trabalhar este produto cá, não se diversifica. O Algarve hoje em dia tem 80 produtores, e 30 deles já tem Enoturismo de muito boa qualidade e ninguém fala disto. Deveríamos dinamizar e tornar o Enoturismo um segmento de mercado, neste momento é um nicho”.

4 COMENTÁRIOS

  1. Excelente ideia, amigo André.
    No todo do teu contesto,simpatizo muito com a ideia do Algarve, por unir meu esporte- golfe, praias e vinhos, nossas paixões.( Renato e eu)
    Tanto que usamos muito, esta região.
    Sucesso sempre, amigo!

  2. Parabéns !Andre, Você é um excelente profissional competente, dedicado e com objetivos claros ! Só podemos lhe desejar muito sucesso e grandes realizações nesta etapa de sua Vida !

  3. Parabéns André, ideias claras e esclarecedoras, sobre o panorama nacional, no que diz respeito, ao mundo vitivinícola, gastronomia, turismo e a relação entre estes três vectores, sendo, ao mesmo tempo, um incentivo aos respectivos ” players”, para fazer mais e melhor…
    Muito bom

  4. O André Villa de Brio é um profissional de excelência com uma enorme paixão por tudo aquilo que faz.
    Sei que vai ser o percursor do verdadeiro enorurismo em Portugal. O seu carácter, a sua humildade e a boa atitude que sempre tem, são a garantia de um óptimo trabalho.
    Parabéns

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