Segunda-feira, Março 9, 2026
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BTL 2026: Agências e operadores destacam crescimento das vendas e reforço da compra antecipada

A BTL – Better Tourism Lisbon Travel Market voltou a afirmar-se como um dos principais momentos de venda do setor turístico em Portugal. No rescaldo da feira, o TNews falou com agências de viagens e operadores turísticos para fazer o balanço da edição deste ano, identificar os destinos mais procurados e perceber até que ponto a compra antecipada se está a consolidar no mercado nacional.

Para esta análise, o TNews recolheu contributos das agências de viagens do grupo de gestão Airmet, da Agência Abreu, da Bestravel e da Viagens El Corte Inglés, bem como dos operadores turísticos do grupo Ávoris, da Lusanova, da Solférias, da Soltrópico e do grupo World2Meet (W2M).

Agências de viagens: vendas em alta e clientes mais decididos

Airmet

Para Susana Fonseca, diretora-geral da Airmet, o balanço da BTL 2026 é “bastante positivo”. A responsável sublinha que se sentiu “uma grande dinâmica comercial, mais contactos qualificados e um ambiente de negócio muito ativo”.

Em termos de vendas, registou-se “um ligeiro crescimento face ao ano passado, ainda que não muito significativo”, reforçando que a feira continua a ser “um momento estratégico de proximidade e geração de oportunidades futuras”.

No que toca a destinos, destacou-se a “forte procura por destinos de médio e longo curso, sobretudo para viagens de verão”, com incidência na República Dominicana e Tunísia, além de escapadinhas prolongadas ao longo do ano.

A antecipação também deu sinais claros de consolidação. “Notámos uma maior predisposição para a compra antecipada face a 2025”, afirma Susana Fonseca, explicando que os clientes estão “mais conscientes da importância de garantir preço e disponibilidade com antecedência”, revelando um perfil “mais decidido e planeado, com menos adiamentos na tomada de decisão durante a feira”.

Agência Abreu

A Agência Abreu faz um “balanço globalmente positivo da BTL 2026”, mantendo “um crescimento moderado face à edição anterior”, o que, segundo Pedro Quintela, diretor de Vendas e Marketing, é “um sinal claro da confiança dos portugueses na viagem como prioridade de consumo”. O responsável destaca ainda “a qualidade do contacto com o público, a intenção real de compra e o reforço da notoriedade da marca”.

Os destinos de sol e praia continuaram a liderar as preferências, “com destaque para Cabo Verde e Caraíbas – sobretudo República Dominicana e México”. Também Tunísia e Brasil registaram uma “procura significativa”. 

Já as Ilhas Espanholas, Ilhas Portuguesas e Portugal Continental mantêm-se fortes, refletindo a “procura consistente por escapadinhas e férias de proximidade”. Verifica-se ainda o “interesse crescente por circuitos culturais, nomeadamente em Itália”.

Quanto à compra antecipada, Pedro Quintela é claro: “a antecipação está cada vez mais consolidada no comportamento do consumidor português”, algo que, segundo refere, já tinha sido “bem demonstrado na última edição do Mundo Abreu, realizada em meados de fevereiro”.

Bestravel

Ricardo Teles, diretor operacional da Bestravel, que integra o Grupo Newtour, considera que a BTL continua a ser “uma feira de referência, quer no período profissional, permitindo o encontro com diversos profissionais de outros países, quer no período de público, direcionado tanto à projeção de marca, como à venda”.

Apesar de este ano se ter sentido “uma menor afluência de público” e “picos de afluência menores do que em anos anteriores”, as vendas registaram “um crescimento muito interessante”, também impulsionado pelo facto de as campanhas estarem disponíveis nas próprias agências.

Entre os destinos mais vendidos estiveram Açores, Portugal Continental, Cabo Verde, Madeira, Baleares, Saídia, Egito, Djerba, México, Tanzânia e República Dominicana.

A tendência de compra antecipada “mantém-se bastante forte”, disse. “Tal como as vendas para a época de 2025, também para 2026 as mesmas se iniciaram com a Black Friday e mantiveram-se altas neste primeiro trimestre”.

Viagens El Corte Inglés

Para Ricardo Cardia, diretor-geral da Viagens El Corte Inglés, o balanço comercial foi “um sucesso” ao apostar numa “partilha de visibilidade com uma marca em potência do grupo”. Em volume de vendas, admite que a campanha ainda está a arrancar, mas a empresa está empenhada em “fechar muito do que se produziu e promoveu na feira”.

“Ainda há bastante produto para vender e vamos até ao meio de março confiantes num incremento histórico nesta campanha para a nossa organização em Portugal”, acrescentou.

Em termos de destinos mais vendidos, destacam-se “Espanha por natureza, Caraíbas e Cabo Verde por serem clássicos, a Grécia a surpreender e os Cruzeiros a consolidar”. Nota ainda para “um aumento considerável da procura de Grandes Viagens”, com Bali, Japão, Tailândia e Maurícias entre os mais procurados.

Ricardo Cardia sublinhou que “sem dúvida e ainda bem” que os clientes portugueses estão a comprar as suas viagens antecipadamente. Os últimos três meses de 2025 foram “muito bons para venda futura”, sendo que “depois o mercado fica ‘inundado’ de campanhas, o que retira sentido de oportunidade e foco na decisão do cliente”. O grande momento de vendas “culmina com a BTL para os mais atrasados na antecipação e mais abertos aos destinos e promoções”.

Operadores turísticos: balanço positivo apesar de constrangimentos externos

Tnews
Da esquerda para a direita: Nuno Mateus, CEO da Solférias; Constantino Pinto, diretor comercial da Tour Operação do Grupo Ávoris; Daniel Graça, diretor comercial da Soltrópico; Duarte Correia, country manager em Portugal da W2M; e Tiago Encarnação, diretor de operações da Lusanova.

Ávoris: Catai, Nortravel e Travelplan

Constantino Pinto, diretor comercial do grupo em Portugal, admite que, “no cômputo geral”, a Ávoris não cresceu face ao ano passado. A ausência da operação para Cuba, que tinha “um peso muito grande no portfólio de produto”, obrigou a compensar com destinos como República Dominicana e México, que registaram “um crescimento significativo”. 

Ainda assim, “conseguimos quase balear esse problema, ficando em termos globais ao mesmo nível do ano passado”, sublinhou Constantino Pinto, destacando um “crescimento significativo do produto Nortravel, do produto Catai e do produto de médio curso da Travelplan”.

Os destinos mais vendidos foram República Dominicana, Tunísia e Ilhas Baleares, seguindo-se o México. A República Dominicana, frisou, foi “o destino que realmente marcou a diferença em termos de crescimento, o que era de esperar com o desaparecimento de Cuba”.

Questionado sobre o impacto nas vendas das notícias relacionadas com episódios de violência e o agravamento das condições de segurança em alguns estados do México, o responsável reconhece que se “nota algum receio” por parte dos clientes. Contudo, faz questão de sublinhar que, nas zonas onde a Travelplan opera, “não aconteceu rigorosamente nada e está tudo perfeitamente normal”.

“Entre as zonas [afetadas] e a Riviera Maya há uma distância semelhante à daqui à Ucrânia, e não estamos preocupados se aquilo que se passa na Ucrânia nos vai atingir”, referiu. “Mas entendemos que, sendo do outro lado do Atlântico e sendo o nome do país, isto cause alguma preocupação às pessoas”.

Quanto à antecipação, não identifica grandes diferenças face aos últimos anos, reforçando que os clientes vão “muito em função do preço”. Para a Ávoris, a BTL “continua” a ser “um grande momento de venda”.

Lusanova

Tiago Encarnação, diretor operacional da Lusanova, faz um “balanço positivo” do certame, no qual o operador turístico “participou, pela primeira vez, como parceiro da Travelance”. Para o responsável, a feira continua a ser “um momento relevante de contacto e aproximação aos profissionais do setor”.

Embora a Lusanova não venda diretamente ao público final, durante os dias abertos ao consumidor foi sentida “uma procura muito expressiva por reservas através das agências de viagens presentes, o que traduz o interesse do mercado na nossa programação”.

“Em linha com as tendências que temos vindo a observar desde o final de 2025 e o início deste ano, a Ásia voltou a destacar-se como a região mais procurada, com especial destaque para o Japão e a China”, adiantou Tiago Encarnação.

Em termos de reserva antecipada, a procura “mantém-se alinhada com os níveis registados em 2025”, confirmando que os portugueses estão “conscientes das vantagens de planear e reservar as suas férias com antecedência”.

Solférias

O balanço da BTL 2026 é “extremamente positivo” para a Solférias. Nuno Mateus, CEO do operador turístico, explica que a mudança de comportamento do mercado, “principalmente desde o ano passado, com uma antecipação muito maior”, levou também a que este ano existissem “muito mais campanhas”.

O CEO recorda que, “durante muito tempo, a BTL era quase o primeiro grande momento de vendas”, mas o calendário promocional foi-se alterando, com a Black Friday a ganhar peso. “Hoje em dia vemos que há vários momentos e a BTL continua a crescer”, afirma. Apesar de o período total de vendas ainda não estar fechado – “só conseguimos analisar para já as vendas que foram efetuadas de quarta-feira até domingo” –, a conclusão é clara: “já há crescimento e foi superior ao ano passado”.

Em termos de destinos mais procurados, os charters continuam a dominar em volume, “porque são no fundo onde há a maior disponibilidade”. No caso da Solférias, “Cabo Verde liderou, seguindo-se o Egito, Senegal, Tunísia e Marrocos”. Já nos produtos não charter, “os três primeiros destinos acabam por ser o Brasil, as Maldivas e a Disneyland Paris”.

Nuno Mateus defende ainda que “o comportamento do cliente nos últimos dois anos, desde outubro de 2024, mudou consideravelmente”. Os viajantes portugueses “ já perceberam que há uma dinâmica completamente diferente, muito mais agressiva por parte das companhias aéreas e dos hotéis”, sendo que “quem reserva com antecedência acaba por ter, muitas vezes, diferenças muito grandes em relação às últimas horas”, o que tem impulsionado este movimento, que considera “extremamente positivo para todos”.

Soltrópico

Daniel Graça, diretor comercial da Soltrópico, do grupo Newtour, resume o balanço como “bastante positivo com aumento de vendas em período homólogo”. Ilha do Sal e Djerba foram, “sem dúvida”, os destinos mais procurados.

Também na Soltrópico se nota que “os viajantes estão a marcar as suas férias cada vez mais cedo”, confirmando uma “antecipação maior face ao ano anterior”.

World2Meet (W2M): Icárion, Kannak e Newblue

Na W2M, o “somatório de todas as marcas foi positivo” e “subimos em relação ao ano passado”, afirmou Duarte Correia, country manager do grupo em Portugal, admitindo que “houve alguma retração no mercado [devido à situação no Médio Oriente], mas não se transformou num saldo negativo”.

Os operadores turísticos Kannak e Newblue registaram desempenho positivo. Em termos de destinos, “acima de tudo o que mais se vendeu, e isto por ordem decrescente, foi República Dominicana, Jamaica, Zanzibar e México”, operados pela Newblue.

Já a Icárion, que integra programação no Médio Oriente ou rotas com passagem pela região, foi afetada pela escalada de tensões na zona, levando a uma “paragem de vendas” durante a feira.

Leia também: Operadores e agências confirmam clientes afetados no Médio Oriente mas admitem: “É prematuro avaliar impacto nas vendas”

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