Centro de Portugal pede “olhar nacional mais atento” e critica “injustiça territorial”

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Rui Ventura, presidente da Turismo Centro de Portugal (TCP), defendeu esta terça-feira, na abertura da 12.ª edição do Fórum de Turismo Interno Vê Portugal, em Viseu, um “olhar nacional mais atento” para a região. Destacando a “autenticidade” e as “relações humanas verdadeiras” como fatores diferenciadores do Centro, alertou para a necessidade de melhores acessibilidades, sublinhando que “tratar de forma igual aquilo que estruturalmente é diferente não é igualdade, é injustiça territorial”. 

Esta edição decorre entre 1 e 3 de junho, em Viseu, e dedica-se ao tema “Portugal Inspira. O Turismo Transforma”, com o objetivo de discutir algumas das principais questões que vão moldar o futuro do setor no país.

“O Vê Portugal nasceu no Centro de Portugal, mas hoje pertence ao país inteiro”, começou por afirmar Rui Ventura, destacando que “aquilo que começou por ser uma iniciativa da Turismo Centro de Portugal transformou-se de forma natural e sustentada num dos maiores espaços nacionais de reflexão sobre o turismo em Portugal”.

Na sua intervenção, o responsável procurou reforçar o posicionamento da região enquanto destino de futuro, defendendo que “o Centro de Portugal não é um território de calamidades. É um território de oportunidades – talvez hoje um dos maiores territórios de oportunidades da Europa”.

“Enquanto muitos destinos vivem problemas de saturação e perda de identidade, [a região] ainda consegue oferecer aquilo que o mundo mais procura: autenticidade, natureza, património, espaço, tranquilidade, qualidade de vida e relações humanas verdadeiras”, afirmou.

Referindo-se ao desempenho do setor, Rui Ventura recordou que “2025 voltou a confirmar a extraordinária força do turismo português”, com os melhores resultados de sempre, mas destacou “um dado particularmente relevante”: “o crescimento internacional começou a desacelerar, enquanto o turismo interno ganhou maior importância estratégica”.

Segundo o presidente da Turismo Centro de Portugal, “durante demasiado tempo, o turismo interno foi encarado como um complemento”, quando na realidade “ajuda a distribuir riqueza, a combater a sazonalidade, a fixar pessoas e a criar atividade económica em territórios de baixa densidade”.

Defendeu ainda que “o futuro do turismo não será apenas, e nunca deve ser apenas, uma questão de números”, mas antes “uma questão de valor”. Nesse sentido, sustentou que “o verdadeiro futuro está noutro caminho: menos volume, mais valor, mais autenticidade, mais qualidade de vida”, um posicionamento que, na sua perspetiva, abre uma “oportunidade extraordinária” para o Centro de Portugal afirmar as suas vantagens competitivas.

O Fórum de Turismo Interno Vê Portugal decorre entre 1 e 3 de junho, em Viseu.

Ao abordar o posicionamento internacional do país, Rui Ventura apontou as relações humanas como principal fator distintivo. “Se Itália é design, se França é luxo, se a Alemanha é engenharia, Portugal pode ser humanidade”, realçou. “Aquilo que verdadeiramente nos distingue não é apenas o clima, a gastronomia ou a paisagem. É a forma como recebemos os nossos turistas, como ainda valorizamos os afetos, a autenticidade e as relações humanas”.

Apesar de relembrar que o Centro de Portugal registou em 2025 “os melhores resultados turísticos da sua história”, reconheceu que “o início de 2026 nos trouxe dificuldades” devido aos efeitos das tempestades e ao agravamento do contexto internacional. Ainda assim, considerou que a região demonstrou “bases sólidas, capacidade de recuperação e resiliência”.

Foi neste contexto que lançou um apelo ao setor nacional. “Portugal precisa de olhar para o Centro de Portugal de forma diferente, porque tratar de forma igual aquilo que estruturalmente é diferente não é igualdade; é injustiça territorial”, defendeu o presidente da entidade regional.

O Centro de Portugal precisa de um olhar nacional mais atento, precisa de mais visibilidade, precisa de maior capacidade de promoção, precisa de instrumentos diferenciadores, precisa de políticas públicas adaptadas à nossa realidade e, sobretudo, precisa de mobilidade”, acrescentou.

Embora a região esteja localizada entre os aeroportos de Lisboa e do Porto, “continua a enfrentar enormes desafios ao nível da conectividade interna e da mobilidade ferroviária”, disse, sublinhando que “um território sem acessibilidades é um território com menos oportunidades”.

Rui Ventura defendeu igualmente a necessidade de uma “visão estratégica” para o território. “Precisamos de criar âncoras no nosso território: grandes eventos, grandes temáticas, experiências ligadas à natureza, à gastronomia, ao vinho, ao património, ao bem-estar, à espiritualidade, ao turismo ativo e desportivo”, referiu.

Paralelamente, apelou ao reforço da cooperação entre instituições públicas e privadas, considerando que “hoje nenhum território vence sozinho” e que é fundamental “perceber que cooperar não é perder protagonismo; cooperar é ganhar força, escala e relevância cada vez maior”.

Centro de Portugal quer ser “o catalisador entre Espanha e o Oceano Atlântico”

A sessão de abertura contou também com a participação de José Ribau Esteves, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR Centro), e de João Azevedo, presidente da Câmara Municipal de Viseu.

Na sua intervenção, João Azevedo destacou o papel do turismo na coesão territorial, afirmando que “o grande objetivo é que esta região seja o catalisador entre Espanha e o Oceano Atlântico”.

O autarca garantiu ainda que o município está “disponível para contribuir com uma agenda turística permanente, ora na época alta, ora na época baixa, para fazer aumentar o número de dormidas e de hóspedes e o número de investimentos privados”.

João Azevedo apontou também que já estão “marcadas no calendário várias iniciativas que vão acontecer este ano e no próximo”, destacando o regresso do Rali de Portugal a Viseu, em 2027, altura em que a cidade será base logística da prova desportiva.

Para o presidente da Câmara de Viseu, este evento “vem contribuir para que, num espaço de cerca de um mês, possamos ter uma quantidade enorme de visitantes, de operadores, de transformadores, de empresários do setor que possam não só olhar para Viseu, mas olhar para esta região como um potencial de investimento”.

Organizado pela Turismo Centro de Portugal, em parceria com o município de Viseu, o 12.º Fórum de Turismo Interno Vê Portugal arrancou esta segunda-feira, 1 de junho, com um conjunto de iniciativas paralelas, entre as quais o Vê Portugal Lab, um novo espaço de experimentação e reflexão colaborativa, dedicado ao tema “A Inteligência do Turismo não é Artificial, é Colaborativa”.

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