Segunda-feira, Março 4, 2024
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Comboio Presidencial regressa à Linha do Douro com parceria entre CP, Museu Ferroviário e chef Chakall

O projeto turístico do Comboio Presidencial, entre o Porto e o Pocinho, vai regressar à Linha do Douro em março, desta vez pela mão da CP, do Museu Nacional Ferroviário e do ‘chef’ Chakall.

“Isto é uma parceria entre a CP, a Fundação e o chef Chakall. Todos entram com uma parte do negócio, todos entram com risco, e vai existir uma chave de distribuição de receita em função da participação de cada um dos três neste projeto”, disse na quarta-feira aos jornalistas o presidente da CP, Pedro Moreira, a bordo do Comboio Presidencial.

Questionado sobre os valores envolvidos, o responsável da empresa pública ferroviária não quis adiantar o montante do investimento total, advogando sigilo comercial, mas adiantou que se trata de um valor “elevado”.

“É elevado ao ponto de, para ser rentável, ter de estar com uma lotação próxima dos 70%”, num comboio com 72 lugares, que pode ser ajustado em função das reservas e do tipo de ocupantes, como famílias, amigos ou empresas, disse Pedro Moreira aos jornalistas.

Na quarta-feira realizou-se uma viagem de apresentação do novo produto turístico da CP, cuja experiência custa 750 euros, depois de um serviço do mesmo comboio, mas dinamizado pelo empresário Gonçalo Castel-Branco, ter feito a última viagem em outubro de 2022.

O comboio original remonta ao Comboio Real de 1890, tendo atravessado a monarquia, a 1.ª República e o Estado Novo com diferentes configurações, tendo como função oficial o transporte dos chefes de Estado. O último serviço oficial remonta aos anos 70 do século XX, ainda antes do 25 de Abril.

Pedro Moreira diferenciou o novo serviço da CP do terminado em 2022, defendendo que o novo proporciona “uma experiência completamente diversificada do anterior”.

“Quisemo-lo fazer de uma forma muito mais democrática, com maior envolvimento da região. O que existia, a experiência anterior, não tinha um envolvimento tão grande. Havia um acordo com uma quinta, nós temos um acordo com dez quintas e com vários restaurantes da região”, advogou.

O líder da transportadora disse ainda que a empresa sente a responsabilidade, enquanto empresa pública, de utilizar todos os comboios históricos de que dispõe “para promover as regiões”, “à medida do que pode criar mais valor” para cada uma, e “criar mais atratividade”.

O presidente da CP participou também numa conferência de imprensa conjunta com o presidente da Fundação Museu Nacional Ferroviário (FNMF), Manuel de Novaes Cabral, com o ‘chef’ Chakall e com o presidente da Câmara de Vila Nova de Foz Côa, João Paulo Sousa (PSD).

Na ocasião, o autarca saudou o projeto, defendendo que a região não se torne num “’sunset’ [pôr do sol] degustativo em que [as pessoas] chegam e vão embora passado meia hora”.

“Isso não deve acontecer. Nós temos que tornar esta região sustentável, e torná-la sustentável é com estas iniciativas”, frisou, defendendo ainda a reabertura da Linha do Douro entre Pocinho e Barca d’Alva.

O chef Chakall, que desenhou um menu especial para o Comboio Presidencial, defendeu que o serviço “tem de representar o bom da região”, algo que considerou “muito fácil” e foi exemplificado durante a viagem de apresentação, em que foi buscar pão e presunto a fornecedores locais na paragem que o comboio faz no Peso da Régua (distrito de Vila Real).

“O menu grande vai ser definido por mim e pela minha equipa, mas o prato principal será sempre de um cozinheiro ou de uma cozinheira que não tem o reconhecimento que merece”, disse o ‘chef’ aos jornalistas, querendo fomentar um “espírito familiar” no comboio, com “os melhores vinhos, dez quintas fantásticas, e os melhores pratos de Portugal”.

Já o presidente da FNMF assinalou que o comboio-museu deve ser “uma espécie de museu vivo” e de “museu fora do museu”, sediado no Entroncamento (distrito de Santarém).

“Este comboio foi reabilitado para ser posto na linha. Está preparado para andar. A sua casa é no Entroncamento, mas está preparado para fazer viagens como esta”, explicou.

O objetivo da FNMF é que o comboio seja “um instrumento não apenas do turismo, mas do território e da economia do território”, não servindo apenas “para as pessoas olharem”, mas sim para as pessoas viverem”.

As vendas serão feitas quer através da CP, quer através das agências de viagens, que poderão incluir o produto noutros pacotes mais abrangentes envolvendo a região.

A primeira de dez viagens deverá realizar-se no último fim de semana de março, mas os últimos detalhes ainda estão a ser alinhavados entre a CP e as agências.

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