Segunda-feira, Julho 15, 2024
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Como será viajar num aeroporto no ano 2100?

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No ano 2100, a forma de viajar nos aeroportos vai sofrer uma transformação radical. Pods autónomos e tecnologia biométrica irão redefinir a experiência dos passageiros, enquanto arquitetos visionários, como Dušan Sekulić, estão a projetar aeroportos futuristas com foco na sustentabilidade. Com base num artigo da Euronews, descubra como o futuro da aviação está a ganhar forma desde 2023.

Como serão as deslocações nos aeroportos no ano 2100? O arquiteto esloveno Dušan Sekulić fez a si próprio a mesma pergunta. Em 2022, ganhou o segundo prémio no Fentress Global Challenge, um concurso internacional anual de arquitetura que visa antecipar o futuro das experiências aeroportuárias.

Ao reimaginar o Aeroporto Internacional Hartsfield-Jackson, em Atlanta, nos Estados Unidos, como um “aeroporto drive-in,” Sekulić concebeu um cenário onde os passageiros utilizam cápsulas totalmente autônomas para viajar sem complicações desde as suas casas até ao terminal. Depois, os passageiros elevam-se numa espécie de “coroa voadora” para voarem até ao seu destino. Para viagens mais longas, essas cápsulas podem ser carregadas em aviões especiais e voar em “enxames” coordenados.

“Pode ter a sua casa inteira ou a sua casa de verão dentro de uma cápsula e deslocá-la juntamente com os outros enxames de cápsulas da constelação para o seu destino de férias. Até podemos ter pessoas que vivem no mesmo bairro e que têm um destino semelhante”, disse Sekulić à Euronews Next. “De certa forma, o aeroporto do futuro é apenas a ponte entre a terra e o céu”, acrescentou.

Um aspeto crucial do projeto de Sekulić é a sustentabilidade. O arquiteto acredita que projetar os aeroportos do futuro de forma sustentável é imperativo: “Esta conceção não é apenas viável, mas também necessária. O futuro é o que imaginamos. Devemos visualizá-lo como um futuro sustentável e moldá-lo de acordo com nossos desejos. Isso é o que o futurismo representa, na minha perspetiva.”

Algumas das características do projeto de Sekulić podem não estar tão distantes da realidade quanto parece.

Faça o check-in e passe a segurança a partir do seu automóvel autónomo

Atualmente, o número de viajantes aéreos está a aumentar e é necessário repensar a conceção dos aeroportos, segundo os especialistas. “O maior desafio neste momento é o ritmo de crescimento da procura na indústria da aviação”, disse Robert Feteanu, diretor de aviação internacional da HDR Inc., uma empresa americana de design e engenharia global, à Euronews Next.

“Um número crescente de pessoas quer viajar, e as infraestruturas estão a envelhecer. A previsão é que, em 25 anos, dupliquemos a procura de viagens, o que significa que, em teoria, se continuarmos a fazer negócios como sempre, deveríamos duplicar a nossa infraestrutura, o que não é possível,” frisou.

“O maior desafio neste momento é o ritmo de crescimento da procura no setor da aviação”.

Robert Feteanu, diretor da aviação internacional, HDR Inc.

Em resposta a este desafio, a HDR Inc. apresentou conceitos que exploram os benefícios potenciais da tecnologia autónoma nos aeroportos. Isso inclui a ideia de que os passageiros realizem o check-in e passem por verificações de segurança enquanto viajam em carros autónomos fornecidos por companhias aéreas ou aeroportos, com a bagagem entregue separadamente. À chegada, os passageiros passam por um “processo de rastreio dinâmico,” que utiliza reconhecimento facial e scanners de raios X avançados em passadeiras móveis. Esta abordagem, apesar de futurista, já é viável com a tecnologia atual.

A Coreia do Sul, por exemplo, já implementou o reconhecimento facial no Aeroporto de Incheon em julho, permitindo que os passageiros evitem a digitalização de cartões de embarque e passaportes. Embora muitos passageiros estejam satisfeitos com esta abordagem, preocupações com a segurança dos dados ainda persistem.

“Considero que é mais fácil de implementar em áreas mais favoráveis à tecnologia, como a Ásia ou o Médio Oriente. Podemos olhar para Incheon, Changi ou Dubai como pioneiros nesta área”, disse Feteanu. “Tentam fazer as coisas de forma diferente porque têm tendência para construir antecipadamente, sendo proativos e implementando estas coisas, enquanto as economias mais tradicionais, como a Europa Ocidental ou a América do Norte, são mais reativas”, enfatizou.

Aeroportos e aeronaves com emissões zero

No que diz respeito à sustentabilidade, a tecnologia também desempenha um papel fundamental na transformação dos aeroportos. O operador aeroportuário estatal sueco, Swedavia, está na vanguarda das viagens aéreas sustentáveis na Europa. O objetivo é tornar todos os voos domésticos livres de combustíveis fósseis até 2030 e todos os voos na Suécia até 2045. Esta visão envolve a utilização de aviões elétricos para voos curtos e aviões a hidrogénio para distâncias maiores, além do desenvolvimento de combustíveis de aviação sustentáveis (SAF) a partir de resíduos florestais suecos.

A Swedavia anunciou recentemente um projeto para desenvolver e testar um avião totalmente elétrico de 30 lugares, o ES-30, desenvolvido pela startup sueca Heart Aerospace. Este avião em escala real será testado no Aeroporto de Malmö durante o verão de 2023. A empresa afirma que este modelo será usado para demonstrar procedimentos de circulação e carregamento no aeroporto.

“Se tivermos em conta que todos estes aspectos estão reunidos, penso que a aviação deverá ser a forma mais sustentável de viajar no futuro”.

Lena Wennberg, directora de Sustentabilidade e Ambiente, Swedavia

Lena Wennberg, diretora de sustentabilidade e ambiente da Swedavia, acredita que a aviação pode “tornar-se a forma mais sustentável de viajar no futuro, uma vez que não requer tantas infraestruturas”. Em 2020, a Swedavia já tinha alcançado a neutralidade de carbono nos seus aeroportos, reduzindo 10.000 toneladas de dióxido de carbono por ano desde 2011.

Embora a empresa tenha alcançado emissões zero, nem todos os parceiros que operam nos aeroportos da Swedavia estão livres de combustíveis fósseis. No entanto, a empresa está a empenhar-se para que todos os parceiros que operam nos seus aeroportos façam a transição para energia livre de combustíveis fósseis até 2030, em conformidade com a iniciativa “Fossil-Free Sweden” do governo sueco. A Swedavia ambiciona tornar-se um modelo a nível internacional e partilhar o seu conhecimento em sustentabilidade com outros aeroportos na Europa e em todo o mundo.

“Temos vindo a reduzir continuamente as nossas emissões. São, de facto, zero. Não se trata de uma compensação ou algo do género.”

Lena Wennberg, directora de Sustentabilidade e Ambiente, Swedavia

Em 2019, 200 aeroportos de 45 países europeus comprometeram-se a não utilizar combustíveis fósseis até 2050, demonstrando um esforço coletivo para reduzir o impacto ambiental da indústria da aviação. Lena Wennberg, diretora de sustentabilidade e ambiente da Swedavia, destaca a importância desta colaboração: “Trabalhamos em estreita colaboração com os aeroportos europeus. Este outono, vamos iniciar uma colaboração com o aeroporto de Hamburgo para melhorar a utilização de hidrogénio nos aeroportos. E muitos dos aeroportos dos países bálticos também estão incluídos nesse programa. Por isso, tentamos trocar ideias e experiências entre todos os aeroportos neste domínio.”

Wennberg enfatiza que a transição para uma aviação mais sustentável não é apenas viável, mas também acessível, e que todos os aeroportos têm um papel a desempenhar nessa transformação. “Temos todo o tipo de máquinas, ferramentas e veículos que são comuns na sociedade. Por isso, se nós podemos tornar-nos emissores zero, toda a gente pode. Não é assim tão difícil. E também não é assim tão caro”, acrescenta.

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