Segunda-feira, Fevereiro 6, 2023
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Compra da Azores Airlines por grupo de agências: “Pode acontecer e seria interessante”, afirma Luís Rodrigues

O presidente da SATA considera que seria uma proposta interessante e bem-vinda se houvesse uma união entre agências para concorrer à compra da Azores Ailines. Em entrevista ao TNews, à margem do congresso nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que decorreu na semana passada nos Açores, Luís Rodrigues fala da relação da companhia com o setor da distribuição.

LEIA A PRIMEIRA PARTE DA ENTREVISTA

Em 2023, que novidades existirão na operação das companhias do grupo SATA?

Não vai haver novidades em termos de rotas em 2023, não temos frota para fazer isso, estamos condicionados pelo plano de reestruturação. O que vai haver, com base naquilo que temos visto, é uma ainda maior ocupação. Neste momento, todas as rotas que temos ou estão consolidadas ou foram lançadas em 2022, temos de lhes dar tempo para se consolidarem. Precisamos de ser justos com todas as rotas que estão em cima da mesa neste momento e dar-lhes tempo para se consolidarem.

A Azores Airlines tem oito aviões na sua frota. Já disse que antigamente os aviões voavam metade da sua capacidade e agora estão a fazer tanto voos regulares como charters. Ainda é possível, com esta mesma frota, crescer nas ligações?

Não, só sacrificando algumas. Pode haver esse ajuste, pode haver mercados que de repente passam a correr mal e é necessário substituir por outros. Mas, à partida, não é possível esticar mais esta corda. Uma companhia aérea que não cresce e não se desenvolve vai desaparecendo, porque a concorrência vai aumentando e os custos vão subindo. Por isso é que a privatização, e eu sou o primeiro defensor dela, é fundamental, para garantir que esse crescimento existe, que vêm mais fluxos turísticos e para garantir que a SATA continua a ser um excelente empregador na região.

A SATA vai continuar a apostar nos voos charter?

Na medida das nossas capacidades, sim. É óbvio que quanto mais acontecerem fora da época alta é melhor para todos, mas diria que à medida que a nossa operação regular vai aumentado, vai ser cada vez mais difícil, com esta frota, dar resposta a isso. Temos de ter isso em perspetiva para não fazer disparates. Por exemplo, tivemos a oportunidade de fazer uma operação para o Qatar esta semana que não estava prevista, e tivemos de dizer que não podíamos fazê-la por uma conjugação de temas: primeiro porque estamos num período em que estamos a lidar com uma greve no principal operador nacional e pela meteorologia. Se alguma coisa corresse mal na conetividade primária da região, e nós tivéssemos um avião no Qatar, não íamos conseguir justificar isso. Podíamos até ganhar mais dinheiro, no imediato, mas a médio prazo íamos condicionar a qualidade da nossa operação e o feedback das pessoas.

O que é que as agências podem esperar da SATA?

Podem esperar uma comunicação aberta, frontalidade e trabalho conjunto. Seremos sempre os primeiros a dizer que, quando há problemas, temos que os resolver e identificar quais é que são. Quando há oportunidades temos de as resolver também. Até agora temos tido uma excelente relação. Para que não haja dúvidas, não acreditamos na morte anunciada das agências de viagens. Estamos cá para trabalhar com eles. Obviamente que, a partir do momento em que houver a privatização, a frota possa crescer e o investimento novo possa vir, vamos de certeza ter oportunidade de discutir todas essas ideias e deixar bem claro que para nós as agências são um parceiro fundamental. É óbvio que, se as agências quiserem unir-se e fazer uma proposta para comprar a SATA, estou encantado em ouvir isso também. Pode acontecer e seria interessante.

Ligação a Faro: “Já houve no passado, acho que é uma rota interessante e que valia a pena estudar. 

Se tivesse frota para abrir novas rotas, equacionaria abrir uma ligação de Faro para os Açores?

Já houve no passado, acho que é uma rota interessante e que valia a pena estudar. Não consigo dizer se faria ou não, porque não tenho dados sobre esse mercado neste momento. Acho que há algum potencial. Terei todo o gosto em estudar essa rota e considerá-la como uma opção. Sem a privatização não é possível.

Para que destinos gostava que a Azores Airlines voasse?

Estamos num mercado extraordinário entre três continentes: América, Europa e África, é só escolher os que têm maior potencial. Os Açores são um ponto de passagem interessante entre os continentes, que são um mercado gigantesco, facilmente encheríamos os aviões.

Porque é que Faro é interessante para a SATA?

Sabemos que o Algarve é um destino particularmente atraente em Portugal, para o qual há muita procura. Em primeiro lugar, é um destino em Portugal, o nosso objetivo primário é contribuir para a coesão territorial desde que seja sustentável. Depois, é um destino que pode ser muito interessante, porque permite ligações vindas de outros continentes a uma região turística por excelência, que é o Algarve, via os Açores. Penso que vale a pena considerar. É complementar aos Açores, porque tem sol e praia, e nós temos outros fatores de atração. Por outro lado, tem excelentes condições para o golfe, tal como os Açores. Apesar de só termos três campos, pode haver um circuito de golfe que traga passageiros dos EUA, ou de outro destino, e fazer um circuito entre os Açores e o Algarve. Há várias razões para considerar Faro como uma opção.

Equacionam um voo direto sazonal para Porto Santo?

Desde que haja mercado. Já temos uma rota que corre bem, que aliás tem obrigações de serviço público entre o Funchal e São Miguel. Achamos que é uma rota importante, em termos de obrigações de serviço público. Mas ela é exatamente uma rota de obrigações de serviço público, porque ainda tem dificuldade em ter massa crítica para ser rentável em mercado liberalizado. Para o Porto Santo, a coisa ainda é mais complexa, poderia haver um esforço enorme de promoção que viesse a justificar isso, mas acho que há interesse significativo em manter uma ligação São Miguel/ilha da Madeira e depois, quem quiser, vai estar bem servido de certeza para aceder a Porto Santo. 

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