Quarta-feira, Outubro 5, 2022
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Conferência AHRESP: Política de salários baixos é “um modelo esgotado”, diz o secretário de Estado do Trabalho

O secretário de Estado do Trabalho, Miguel Fontes, afirmou esta quarta-feira, dia 20, que o problema estrutural da sociedade portuguesa relativamente aos salários baixos está esgotado. Miguel Fontes falava na abertura da conferência “Mercado de Trabalho”, organizada pela AHRESP no Salão Nobre da Alfândega do Porto.

“O país viveu durante muitos anos a fazer dessa dimensão [salários baixos] uma das suas questões mais críticas para a sua competitividade internacional, mas também sabemos que esse modelo se esgotou e que, infelizmente, noutras geografias do mundo, há sempre quem consiga, por essa razão, ser mais competitivo do que nós. O que significa que nós, aqui em Portugal, temos de abraçar um caminho diferente e esse caminho é o de reconhecermos que só temos presente e futuro enquanto país se formos para o mundo das qualificações, da valorização dos profissionais e com isso ganharmos produtividade e pagarmos melhor a quem trabalha”.

“Uma questão que me parece crítica quando refletimos sobre este tema tem a ver com uma alteração: em muito pouco tempo deixámos de falar em trabalhadores, para falar em talento. Isto, só por si, significa um ganho enorme em termos sociais. Finalmente reconhecemos que não estamos apenas a falar de um custo de produção, mas estamos a falar de talento ”, referiu o secretário de Estado do Trabalho.

Miguel Fontes defendeu que é preciso “valorizar aqueles que trabalham, nomeadamente para que a sua remuneração possa ser digna e atrativa, se quisermos construir uma sociedade mais justa e equitativa”.

“A redistribuirão da riqueza não pode ficar para um segundo plano. É a única forma que conheço de criar sociedades mais coesas, mais justas social e politicamente. Este é um desafio central que diria não é do governo, é da sociedade portuguesa como um todo, isto é, como é que criamos condições para que os nossos cidadãos, independentemente da posição que ocupam na estrutura social, se sintam devidamente valorizados, dignificados e remunerados?”, afirmou o secretário de Estado.

“A questão da política de rendimentos é hoje uma prioridade para o governo e por isso temos assumido que, na esfera da Concertação Social, iremos promover um acordo de políticas de rendimentos de médio prazo em que, para lá do esforço que todos reconhecem que tem sido feito nestes últimos anos, nomeadamente da recuperação da valorização do salário mínimo nacional, temos agora de criar o efeito de arrastamento dessa situação para uma valorização dos salários de um modo geral”, concluiu.

O tema dos recursos humanos estará a debate em três painéis da conferência da AHRESP que pretende responder à questão: Que profissionais teremos amanhã?

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