Sábado, Novembro 26, 2022
Sábado, Novembro 26, 2022

SIGA-NOS:

Congresso AHRESP: “Somos daqueles que não pedimos nem menos Estado, nem mais Estado, precisamos é de melhor Estado”

“Sustentabilidade, utopia ou sobrevivência?” é o tema do Congresso AHRESP que congrega no Convento de São Francisco, em Coimbra, durante dois dias, mais de 60 oradores, duas sessões plenárias, 12 sessões paralelas e vários workshops para um amplo debate em tempos de incerteza.

Carlos Moura, presidente da direção da AHRESP, afirmou na sessão de abertura do congresso que este é, “por ventura, o maior evento de sempre da AHRESP”, reunindo 1100 participantes e 60 oradores, entre eles “empresários, gestores, profissionais, especialistas, académicos e institucionais que irão percorrer os vários painéis”.

A AHRESP procura com este evento analisar, refletir e agir, de acordo com as palavras de Carlos Moura. “O que importa hoje é olharmos para um novo mundo, que nos convoca para novas formas de estar na vida e nos negócios. Somos daqueles que não pedimos nem menos estado, nem mais estado, nós precisamos é de melhor estado”.

O presidente da direção da AHRESP recorda que enfrentamos “um grave ciclo inflacionista; elevados custos de transportes de mercadorias, que triplicaram; [o aumento dos custos do] gás e da eletricidade; custos de produção elevados; matérias-primas alimentares que cresceram o mês passado 16,9%; temos escassez no mercado de trabalho, precisamos de mão-de-obra”. “Temos de nos preparar para o futuro”, defendeu, questionando se “ficamos pelas utopias, ou agarramos as oportunidades?”.

Pedro Machado, presidente da Turismo do Centro de Portugal, também esteve presente na sessão de abertura da convenção da AHRESP, e destacou a importância de “retomar o crescimento, voltar a contrair e a captar mais investimento (…)”, mitigar as alterações climáticas sem travar o crescimento e ainda “o trabalho que o turismo pode desenvolver na coesão territorial e na mobilidade social num contexto de uma maior solidariedade intergeracional”.

Pedro Machado

O ministro da economia, António Costa e Silva, começou por destacar três fatores que são fundamentais para o sucesso de um país. “O primeiro é a qualidade das suas instituições; o segundo é a sabedoria das políticas públicas, em particular das políticas económicas, [porque] sem empresas fortes e sem associativismo empresarial não existem países de sucesso; e a terceira é a capacidade dos países construírem mercados inclusivos, isto é, trazer o maior número de pessoas para a atividade económica, e essa atividade económica ser sustentável, não depender de subsídios, não depender de conjunturas e ser cada vez mais forte e afirmativa”. O ministro afirmou que Portugal merece estas três componentes, defendendo que “sem elas não seremos um país de sucesso”.

Devido à guerra na Ucrânia “estamos a entrar num mundo novo”, que vem substituir um mundo que tinha “baixas taxas de inflação”, disse. A propósito, António Costa Silva citou o filósofo marxista italiano Antonio Gramsci, para enfatizar que “o mundo novo está a desaparecer”, enquanto “neste mundo cinzento crescem os monstros”.

Face aos atuais problemas mundiais, criados pelas alterações climáticas e pela guerra, Portugal “tem de trabalhar, também em conjunto com a União Europeia”, para ajustar as suas políticas à nova realidade. Porém, preconizou, “sem pôr em perigo a vida das nossas empresas”, as quais são agora desafiadas a “adotar de forma gradual” estratégias inovadoras que não acarretem “efeitos perversos”.

António Costa Silva

“Com a pandemia, o setor do turismo recuou 24 anos ao nível das dormidas e 11 anos ao nível das receitas”

António Costa Silva destacou que o turismo “cresceu cerca de 60% em quatro anos, até 2019, ano em que bateu todos os recordes da história que tivemos no nosso país ao nível de hóspedes, recebemos 27 milhões de visitas em 2019, as receitas que o setor propiciou foram de 18.4 mil milhões de euros e esta é a demonstração clara de que nós conseguimos fazer as coisas”.

Com a pandemia, o setor do turismo recuou 24 anos ao nível das dormidas e 11 anos ao nível das receitas, avançou Costa Silva, mas em 2022 houve “uma resposta absolutamente extraordinária”, de acordo com o ministro, que acredita que este ano “vamos bater os recordes, pelo menos em termos de receitas e de geração de riqueza no país”. “Portanto para um setor que é profundamente específico porque tem esta capilaridade em todo o território nacional, pode ser um dos motores fulcrais do desenvolvimento do país e o que nós precisamos de fazer não é criticar o turismo, é usar o exemplo do turismo para desenvolver todos os outros setores da economia”.

Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, numa mensagem gravada, lembrou que a pandemia da covid-19, “de repente, congelou a nossa vida”, sobretudo em 2020 e 2021, e que agora a economia nacional, tal como noutros países, é afetada pelo aumento do preço da energia e dos custos de produção, havendo ainda falta de mão-de-obra em diversas áreas, designadamente no turismo.

O Presidente da República enviou aos congressistas “um abraço solidário e amigo em nome de todos os portugueses”.

DEIXE A SUA OPINIÃO

Por favor insira o seu comentário!
Por favor, insira o seu nome aqui

-PUB-spot_img