A APAVT está a considerar realizar o seu congresso em Marraquexe, 38 anos depois da última edição na cidade, em 1987, podendo o regresso acontecer já em 2026. A possibilidade foi avançada durante o “Portugal Senior MICE Experience”, um encontro que decorreu esta quarta-feira em Marraquexe e que reuniu agentes de viagens portugueses, representantes de DMCs, unidades hoteleiras e entidades oficiais marroquinas ligadas ao setor do turismo.
“Estamos a falar da possibilidade de realizar o nosso congresso nacional da APAVT em Marraquexe”, afirmou Pedro Costa Ferreira, presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo. O responsável explicou que “os marroquinos já decidiram que sim, os portugueses ainda estão a estudar (…), mas há conversações sérias para fazermos aqui um congresso, que seria um regresso quase após 37 anos”, recordando que o último congresso da APAVT no destino teve lugar em 1987 e que “ficou célebre” por ter reunido cerca de 1.300 participantes.
“Esperamos regressar em breve, mostrando que Marraquexe é um destino fabuloso”, acrescentou. Questionado sobre uma eventual data, admitiu que “poderia ser para 2026”, embora tenha sublinhado que a associação está também a considerar outros destinos.
A realização do congresso em território marroquino surge num momento de reforço da cooperação entre a APAVT e Marrocos no setor do turismo. Em 2025, Marrocos foi designado “Destino Preferido Internacional da APAVT”, o que tem motivado uma agenda intensa de ações promocionais no destino, organizadas pela associação com o envolvimento de agentes de viagens portugueses.
“Marrocos é um destino estratégico para o mercado emissor português e, por isso, é também estratégico para a APAVT”, referiu Pedro Costa Ferreira. Entre os desafios identificados, destacou a necessidade de promover não só Agadir e Marraquexe, mas também cidades imperiais como Fez e Casablanca, bem como o turismo de aventura, com destaque para Dakhla.
Nos primeiros cinco meses do ano, o mercado português cresceu 7%
Jillar Ayoub, Country Manager para Portugal do Gabinete Nacional de Turismo de Marrocos, destacou que “Portugal é um mercado muito importante para Marrocos no setor MICE. É um mercado em crescimento. Estamos a crescer neste mercado. Em 2024, registámos um crescimento de mais de 32% em relação a 2023. Este ano, nos primeiros cinco meses de 2025, o mercado cresceu 7%.” O responsável sublinhou ainda que a APAVT “representa 80% do volume de negócios do mercado português”.
Khalid Mimi, diretor da Oficina Nacional Marroquina de Turismo para Espanha, Portugal e América Latina, reforçou a ideia de crescimento contínuo do mercado português. “Nos últimos dois anos e meio, observámos um crescimento muito forte do mercado português.” Atualmente, mais de 200.000 portugueses visitam Marrocos por ano. “O mercado tem ainda mais potencial, porque Marrocos está a apenas uma hora de voo”, frisou.
Apesar de um ligeiro aumento da capacidade aérea a partir de Lisboa e do Porto, Khalid Mimi considera que “ainda é insuficiente.” Segundo o responsável, estão a ser estudadas medidas para reforçar tanto a oferta aérea como a ligação marítima entre Portimão e Tânger. A fam trip agora realizada, explicou, integra esse esforço de aproximação: “Queremos que os principais profissionais do setor MICE em Portugal conheçam melhor as infraestruturas de Marraquexe, mas não só, toda a região envolvente.”
Sobre a possibilidade de novos destinos preferidos, o presidente da APAVT explicou que “é com naturalidade que eles vão aparecendo, se calhar, mais para o final do ano.” Por agora, garantiu, “estamos sobretudo focados nos destinos preferidos que temos – Madeira e Marrocos – e em preencher essa agenda.”
Como complemento às ações em curso, a APAVT está também a promover um programa de formação online para agentes de viagens portugueses, com o objetivo de criar uma rede de especialistas no destino Marrocos.
A questão das acessibilidades foi identificada como um dos principais desafios no segmento MICE. “Preocupa bastante, porque as ligações aéreas têm aumentado, mas o tipo de aeronave, para MICE, são pequenas”, observou Pedro Costa Ferreira, explicando que essa limitação “faz com que os lucros fiquem um bocadinho incomputáveis do ponto de vista da tarifa.” Embora reconheça que é possível negociar ajustes caso a caso com as companhias, considera que “não é uma solução verdadeiramente estratégica.” A médio prazo, espera que o reforço do tráfego turístico gere também “o interesse das companhias aéreas em aumentarem o volume das aeronaves.”
*A jornalista viajou a convite da APAVT e do Turismo de Marrocos.




