Segunda-feira, Julho 22, 2024
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Contra a “great resignation” na hotelaria, formar, formar!

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Aquela velha máxima do “contrate as pessoas pelo seu caráter, mas depois treine as suas habilidades e desenvolva as suas competências” parece continuar em vigor e aplica-se perfeitamente à indústria hoteleira.

Isto porque os traços de personalidades são extremamente importantes, mas não suficientes – este setor precisa de profissionais simpáticos, educados, pacientes e atentos, claro, mas estes mesmos profissionais precisam também de estar suportados por programas de formação e desenvolvimento de competências que lhes proporcionem demonstração (como se fazem as coisas), prática (tempo para aplicar e aprender por tentativa-erro), feedback (para corrigir e reforçar positivamente a evolução), implementação (autonomia para aplicar a aprendizagem no local de trabalho) e um plano de acompanhamento e recompensa sólido que nutra esta cultura de aprendizagem e crescimento dentro da organização ao longo do tempo.

Não falamos apenas dos estagiários em início de carreira, dos profissionais que decidiram mudar de área e abraçar uma função em hospitality, ou até daqueles mais seniores que trabalham em hotelaria há mais de 20 ou 30 anos. TODOS precisamos de renovar os nossos hábitos, práticas e conhecimentos com regularidade para sermos capazes de sobreviver com sucesso às constantes e desafiantes transformações deste mercado de trabalho altamente competitivo.

Caso contrário, como vamos poder identificar e aportar novas práticas e processos que permitam à nossa equipa melhorar e otimizar processos? Como vamos poder acompanhar a legislação e os mais elevados standards de qualidade e certificação mundiais? Como vamos conseguir evoluir as nossas competências de liderança, de negociação, de ética, de falar outros idiomas ou de saber integrar e gerir equipas cada vez mais diversas culturalmente? Com vamos conseguir ver mais além e encontrar a nossa “unique value proposition”, aquele aspeto que nos diferencia e nos torna únicos aos olhos dos nossos clientes?

Combater os elevados níveis de turnaround e a onda de “great resignation” que assola o mundo (e o setor hoteleiro há muito tempo!) passa também por isto: por aumentar o salário emocional das pessoas, valorizando-as, dando-lhes a oportunidade de crescer, dotando-as de formação e das ferramentas que precisam para desempenhar cada vez melhor (e de forma mais eficaz e inteligente) as suas funções.

Se este é um investimento para as organizações? Sim, mas o que dizer sobre o preço a pagar por não envolver os seus colaboradores e estes acabarem por sair a curto prazo da empresa? E o desgaste constante de preparar, em tempo recorde, os novos colaboradores que chegam?

Ninguém pode colher aquilo que não semear. E se precisa, agora mais do que nunca, de colaboradores qualificados em várias áreas críticas na hotelaria, motivados e disponíveis para trabalhar em horários exigentes, bem como líderes empenhados em alavancar o potencial e o nível de retenção das suas equipas e orientá-las para os vários perfis de cliente emergentes e as novas formas de gerar negócio num mercado pós-pandémico, não subestime o poder da formação. A par de um salário atrativo e de um ambiente de trabalho saudável, a formação é um dos requisitos essenciais para quem quer reforçar as suas estratégias de Employer
Branding e Employee Experience e assim atrair e reter os melhores talentos num setor tão estratégico para o nosso país.

Por Esmeralda Correia, Head of Hospitality Business na CEGOC

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