A Airmet Portugal atingiu as 540 agências de viagens e pretende continuar a crescer “com solidez”. O grupo, que regista um crescimento de 16% em volume de vendas a nível geral, assegura que atravessa uma fase de estabilidade e reitera a sua posição de liderança no segmento de lazer. “O nosso volume de faturação está muito fortíssimo aí e somos líderes em Portugal nessa área”, disse Susana Fonseca, diretora-geral da rede, durante uma conferência de imprensa realizada este sábado, à margem da 21.ª Convenção da Airmet, em Punta Umbría, Espanha.
Susana Fonseca traçou um balanço positivo do ano, confirmando que “as expectativas estão a ser cumpridas”. Em finais de 2024, recorda, “estávamos nas 500 agências e, neste momento, nas 540”. O número total de sedes totaliza “cerca de 430”, adiantou.
O agrupamento, que cresceu 16% em volume de vendas até 31 de agosto de 2025, pretende continuar a aumentar o número de agências “com solidez”, apostando em empresas que “vão permanecer no mercado durante algum tempo”.
“Estamos numa fase em que queremos crescer consistentemente no número de agências e apostar sobretudo em angariações de agências com alguma solidez. Portanto, estamos numa fase um bocadinho mais seletiva na permissão da entrada das agências de viagens na rede”, explicou.
Além disto, a Airmet está a “conseguir melhorar algumas das condições comerciais com muitos dos fornecedores principais com que trabalhamos”, referiu Susana Fonseca, sublinhando que “quanto mais agências somos, quanto mais faturação temos, melhor capacidade de negociação temos com os fornecedores”.
Durante o discurso de abertura da 21.ª Convenção, Miguel Quintas, chairman da Airmet, anunciou que “hoje, pela primeira vez na nossa história, somos o grupo de gestão líder em lazer em Portugal”. Sobre este marco, a diretora-geral do grupo afirmou que “ser líder em lazer significa, na Airmet, que a nossa rede sempre foi muito mais de agências que se dedicam a esse tipo de negócio [face às] agências que se dedicam ao corporativo, (…) sobretudo no que diz respeito ao produto charter. Há agências [que são] muito boas produtoras nessa área e, como tal, o nosso volume de faturação efetivamente está muito fortíssimo aí e somos líderes em Portugal nessa área”.
Ainda no balanço do ano, destacou que o verão “correu bem” e que a procura se manteve sólida após a época alta. “Não houve aquela quebra que habitualmente existe no pós-verão. Ao falar com vários colegas, temo-nos apercebido de que, ao contrário daquilo que é o expectável, tem continuado a existir uma procura interessante por férias nesta altura do ano”, observou.
Entre os destinos mais vendidos pelas agências, a responsável indicou a República Dominicana e a Tunísia, que “continuam a ser extremamente procuradas”, a par das ilhas portuguesas – no verão, “em particular, a Madeira” –, o Algarve, o México e Cabo Verde.
“[Ao contrário daquilo] que se via há uns anos atrás, quando todos esperavam pela última hora para reservar, porque se considerava que existiam valores mais interessantes do preço das férias, atualmente já conseguimos mudar o mindset dos consumidores e cada vez mais compram antecipadamente”, referiu ainda a responsável.
Airmet garante estabilidade após “percalços de várias frentes”
Susana Fonseca reconheceu que o grupo enfrentou momentos de turbulência, mas sublinhou que atravessa uma fase de estabilidade. “Temos sentido alguns percalços de várias frentes – não de uma frente em particular –, como sempre tivemos. Há muito boato que, quer queiramos quer não, leva muitas vezes alguma importância que não deveria ter, mas não deixa de estabilizar as empresas, e nós não somos exceção”, afirmou.
“Já provámos muitas vezes que estamos cá para ficar, para continuar a crescer e a fazer o nosso trabalho, porque é só mesmo isso que queremos fazer: o nosso trabalho. Deixem-nos trabalhar”, frisou a diretora-geral.
Após mudanças na direção e na equipa interna, a Airmet diz estar estável e sem “intenções de contratar num futuro próximo novas pessoas”, de acordo com a executiva. “Temos todos os cargos necessários para ter uma equipa constante e bem dedicada às agências de viagens. Estou muito contente com a equipa que consegui construir”.
Lobbies: “parece que agora estão mais à vista”
Na abertura da convenção, Miguel Quintas denunciou que a Airmet tem sido “alvo de bloqueios e lobbies vindos de quem devia defender o setor”, mencionando “rasteiras de operadores turísticos” e “grupos concorrentes que ultrapassaram a linha da ética”.
Sobre o tema, Susana Fonseca comentou: “não lhe queria chamar perseguição, e não é em particular com a Airmet. Na verdade, sentimos que o mercado está estranho nesta altura e que existem muitos lobbies. Sempre existiram, porém, parece que agora estão mais à vista e perdeu-se um pouco o respeito pela concorrência em geral — não estou a falar da nossa concorrência em particular”.
Relativamente aos “boatos” sobre a saída de agências online da rede, frisou que “na Airmet não houve qualquer recebimento de [pedidos de] rescisão de qualquer agência de viagens”.
“Todas as agências cujos boatos dizem que são as que estão envolvidas num possível grupo de gestão a ser criado estão na nossa rede. Não saíram nem apresentaram qualquer tipo de carta de rescisão”, reforçou, indicando que “mais do que uma” renovaram o contrato.
Relação com fornecedores e arranque da contratação de 2026
A Airmet afirma que mantém “sempre” a sua dependência dos operadores turísticos. “Não temos produto próprio dentro da nossa rede e, como tal, temos que fazer as nossas compras aos parceiros comerciais com os quais trabalhamos. Estamos a falar de quatro a cinco fornecedores principais onde a nossa rede mais compra”.
Com base nos resultados até 31 de agosto, o Top 3 de operadores em termos de vendas é composto pela Newblue, Solférias e Travelplan, respetivamente, conforme revelou Susana Fonseca.
A contratação de 2026, disse, irá começar “em breve”, visto que “normalmente começa no final do ano, no mês de novembro, e muitas vezes vai até à BTL”. A diretora-geral adiantou que “ainda não se começaram as negociações, portanto, está tudo em aberto”.
A Airmet planeia manter a sua categorização de fornecedores – os “premium e preferenciais” – e sublinha que terá especial cuidado na seleção dos mesmos. “Queremos escolher com consciência os fornecedores para cada uma dessas categorias, não só com foco na questão da rentabilidade, mas também na capacidade de resposta, na forma como trabalham, como apoiam efetivamente as agências”, referiu a responsável.
“Este ano foi um ano muito complicado para as agências de viagens. Muitos problemas aconteceram, com muitos aviões atrasados e que não descolaram. O que define, a meu ver, um fornecedor é o serviço que prestam às agências quando as coisas não correm bem”, defendeu.
Susana Fonseca lamenta que muitas vezes “cabe às agências de viagens gerirem os problemas com o cliente” quando há cancelamentos de operações no mercado, esperando que em 2026 “tudo corra dentro daquilo que está previsto”.
O grupo, disse, procura ter fornecedores premium de “áreas de negócio distintas”, não só a nível de charter, mas também “marcas de outros serviços, nomeadamente destinos de grandes viagens, circuitos, rent-a-ar, bed bank”, limitando a sobreposição dentro da mesma categoria para evitar que “choquem entre si”.
“Queremos crescer em volume de vendas, sem dúvida nenhuma, porque não queremos ser só líderes no que respeita ao lazer. Esse volume de vendas tem que estar associado naturalmente ao crescimento da rede, porque as agências têm que crescer também”, disse.
Questionada sobre a existência de excesso de oferta no mercado, considera que “viajar parece que se tornou uma necessidade” e que os fornecedores “acreditam que o crescimento ainda é possível acontecer e que vão conseguir vender todos esses lugares”.
Nesta ótica, Susana Fonseca admitiu que, “quando nos estivermos a aproximar das datas das operações, possam vir a acontecer” reduções de preços como consequência. “Quando isso acontece, infelizmente para a agência a rentabilidade baixa, mas felizmente para o fornecedor conseguem manter essas mesmas operações. Tem que haver um equilíbrio entre aquilo que o operador vende e aquilo que a agência de viagens vende, e entre aquilo que ambos ganham”, defendeu.
Novas plataformas tecnológicas e parcerias
A Airmet apresentou às agências de viagens três novidades durante o encontro em Punta Umbría, com especial enfoque na tecnologia. “Temos vários lançamentos de novas ferramentas para as quais as agências não vão sequer ter custos”, informou Susana Fonseca.
A primeira é uma plataforma online, dentro da intranet da rede, onde as agências poderão promover o seu produto próprio. Atualmente, explicou, a Airmet é “mais direcionada para a parte do produto charter”, porém, conta com “cada vez mais também agências que têm produto próprio e, de certa forma, queremos ajudá-las a fazer a promoção”.
O grupo lançará também novos sites B2C, que irão permitir às agências “ter uma presença online com total quantidade de produto, ou seja, produto charter, hotelaria, voo + hotel, atividades, rent-a-car, tudo”.
Além disso, a Airmet assinou um acordo com o Rock in Rio 2026, através do qual as suas agências de viagens serão parceiras oficiais do evento.
A 21.ª edição da Convenção da Airmet decorre de 16 a 19 de outubro, no Hotel Barceló Punta Umbría Beach Resort, em Huelva, Espanha, sob o tema “Mais Tecnologia, Mais Valor, Mais Futuro”. O evento reúne cerca de 400 participantes, entre agentes de viagens, parceiros, fornecedores e imprensa.
*Viajou para Punta Umbría a convite da Airmet



