O presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, anunciou esta sexta-feira que o país registou um crescimento de 65% nas dormidas de turistas americanos durante os primeiros dois meses de 2023, em comparação com o mesmo período de 2019. Este aumento indica uma “procura crescente” que o Turismo de Portugal espera que continue a consolidar-se.
De acordo com Luís Araújo, este crescimento está relacionado com vários fatores, incluindo a conectividade aérea. Atualmente, Portugal tem cinco companhias aéreas a fazer voos diretos dos EUA para o país, e quatro dos cinco aeroportos nacionais estão cobertos com voos diretos, faltando apenas o Algarve. Em 2016, havia 1 milhão de lugares aéreos disponíveis entre EUA e Portugal, mas agora existem 2 milhões de lugares. Este aumento está relacionado, de acordo com o presidente, com “a ligação mais próxima com as companhias aéreas, especialmente após a pandemia de covid-19”.
Segundo o responsável, o Turismo de Portugal tem trabalhado arduamente para estabelecer uma relação mais próxima com o consumidor norte-americano e para posicionar o país de uma maneira diferente no mercado.
“O primeiro mercado long-haul internacional para Portugal em 2022 foi os EUA, seguido pelo Brasil, Canadá, Israel e Austrália. Isto demonstra a capacidade que hoje temos de atrair públicos diferentes, apesar de nem sempre haver voos diretos para estes destinos”, frisou o presidente, durante o debate ‘Turismo & Imobiliário no âmbito das relações Portugal / EUA’, que se realizou esta sexta-feira, no Pestana Palace Lisboa.
TAP: Passageiros americanos mais do que duplicaram em 2023
A TAP Air Portugal registou um crescimento acentuado de passageiros americanos nos primeiros três meses deste ano. Segundo Sofia Lufinha, Chief Strategy Officer da empresa, os passageiros americanos mais do que duplicaram na TAP, e a receita triplicou no mesmo período em comparação com 2019.
Sofia Lufinha explicou que a procura de voos entre os EUA e Portugal tem aumentado significativamente, o que levou a um aumento de 40% de frequências semanais entre os dois países. “Neste momento, de uma forma geral, há mais de 100 frequências semanais diretas entre os EUA e Portugal”, revelou, frisando que na TAP “o crescimento é ainda mais acentuado”.
“Face a 2019, crescemos 60% em termos de frequências semanais, tendo neste momento mais de 60 frequências semanais dos EUA para Portugal. Aumentámos 15 frequências só do verão passado para este”, sublinhou.
De acordo com a responsável, mais de metade dos passageiros americanos que chegam a Portugal são “connecting passengers” que vão para outros destinos na Europa, África e Tel Aviv. “Temos uma boa posição geográfica para ligar os EUA a estes destinos”, disse.
A TAP Air Portugal tem aproveitado o tráfego de passageiros americanos para promover o turismo em Portugal. A empresa oferece um programa chamado “Stopover”, que permite aos passageiros passar alguns dias em Portugal sem pagar mais. “Tem tido um crescimento enorme, neste primeiro trimestre já houve mais de 12 mil passageiros americanos que aproveitaram este programa”, avançou Sofia Lufinha.
O moderador do painel, José Roquette, administrador do Pestana Hotel Group, fez um comentário durante a discussão: “Se metade dos passageiros que vêm dos EUA para Lisboa não ficam na cidade, e se continuarmos a enfrentar constrangimentos no Aeroporto de Lisboa sem que uma solução seja apresentada, talvez a ideia de um hub esteja a prejudicar-nos. O nosso objetivo é atrair passageiros que visitem e fiquem na cidade, não aqueles que partem de Boston para Telavive e fazem escala em Lisboa. Nós temos o aeroporto que temos, com os constrangimentos que temos, em parte por causa do hub da TAP.”
Por outro lado, Sofia Lufinha argumentou que “se não houvesse um hub, não haveria oferta suficiente. Para termos frequências é necessário ter um determinado load factor, ou seja, o avião precisa de um número mínimo de passageiros para justificar a realização do voo. Apenas com os americanos que viajam para Portugal, teríamos uma redução significativa na rede e na frequência de voos”.
Luís Araújo, acredita que ainda há espaço para crescimento do turismo americano em Portugal. Para alcançar esse objetivo, defende a necessidade de reforçar as ligações aéreas existentes e atrair novas companhias aéreas para Portugal, bem como incentivar os passageiros que chegam através do hub de Lisboa a ficar na cidade. “Era bom que as empresas olhassem para o programa Stopover como algo extremamente positivo, porque é um argumento competitivo relativamente a outros hubs e companhias”, notou. Por fim, o presidente do Turismo de Portugal enfatizou a importância de continuar a segmentar a procura do mercado americano para Portugal.






