Sábado, Março 7, 2026
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“É preciso mais investimento em Trás-os-Montes”: Luís Pedro Martins apela à redistribuição do turismo no Norte

O presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal, Luís Pedro Martins, lançou esta quarta-feira, dia 11, um apelo direto ao investimento hoteleiro em Trás-os-Montes, defendendo que a região reúne todas as condições para crescer turisticamente, faltando apenas oferta de alojamento qualificada que permita fixar visitantes.

“É preciso mais investimento no subterritório de Trás-os-Montes. Se isso acontecer, como aconteceu no Douro e no Minho, conseguimos não só uma melhor distribuição de turistas, como melhores resultados económicos”, afirmou o responsável, durante a sua intervenção no Congresso da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), que decorre no Porto.

Segundo Luís Pedro Martins, Trás-os-Montes dispõe hoje de produtos alinhados com as preferências dos mercados — natureza, cultura, gastronomia, vinhos e património —, mas continua a perder visitantes por falta de unidades hoteleiras com o nível de qualidade exigido. “Quando chega a hora de pernoitar, é aí que falhamos. Falta esta última componente”, sublinhou, incentivando os empresários a “arriscar” e a avançar com projetos na região.

Falta de dados do INE distorce a leitura do desempenho turístico

O responsável deixou também críticas à falta de dados completos por parte do Instituto Nacional de Estatística (INE), alertando que a ausência de contabilização de algumas realidades está a subavaliar o verdadeiro impacto do turismo em regiões como o Douro. Como exemplo, referiu as dormidas realizadas em navios-hotel de cruzeiro fluvial, que não entram nas estatísticas oficiais.

“Todos os turistas e noites feitas nos navios-hotel contam zero para as estatísticas. Estes números que vos apresentei estão em défice e poderiam ser muito superiores”, afirmou, lembrando que centenas de milhares de dormidas ficam fora das contas oficiais, o que prejudica a leitura real do desempenho turístico e o apoio à decisão política.

Defendeu, por isso, a necessidade urgente de dados científicos e rigorosos para avaliar a capacidade de carga dos destinos. “Por vezes fazem-se afirmações empíricas, com base no ‘achómetro’. Precisamos de dados para decidir melhor”, sublinhou.

Porto e Norte lideram mercado interno em 2025

No balanço da atividade turística, o presidente do Turismo do Porto e Norte destacou o desempenho da região em 2025, que se afirmou como o principal destino turístico dos portugueses. No ano passado, registaram-se 5,4 milhões de dormidas de residentes, um crescimento de 4,5% face a 2024, e 3,3 milhões de hóspedes nacionais, mais 4% do que no ano anterior.

“Foi uma aposta clara no pós-pandemia. Queríamos agarrar o mercado interno e crescer, sem saber que poucos anos depois ocuparíamos esta posição de liderança”, afirmou.

Em paralelo, a região consolidou também a diversificação internacional, com mercados de longa distância a ganharem peso. Os Estados Unidos ocupam hoje a segunda posição no Porto e Norte e a primeira em subdestinos como o Douro. Brasil e Canadá continuam a crescer, enquanto mercados europeus como Irlanda, Países Baixos e Reino Unido registam aumentos significativos, com o mercado britânico a crescer 14% em 2025.

Aeroporto do Porto com 130 rotas em 2026

Luís Pedro Martins destacou ainda o papel do aeroporto Francisco Sá Carneiro, que encerrou 2025 com 17 milhões de passageiros, um crescimento expressivo face aos 400 mil registados há 35 anos. Para 2026, estão previstas cerca de 130 rotas operadas por mais de 30 companhias aéreas, incluindo ligações de longo curso com companhias como Delta Airlines, United, Air Canada e Azul.

“O crescimento não é apenas quantitativo, é consistente e equilibrado. Crescemos em volume, mas sobretudo em valor”, afirmou, defendendo que os aeroportos do Porto e de Faro podem desempenhar um papel decisivo na redistribuição da procura turística e na melhoria da imagem do destino Portugal.

Estudo de carga, taxa turística e coesão territorial

No final da intervenção, o responsável deixou vários temas para debate ao longo do congresso, entre os quais a necessidade urgente de estudos científicos sobre a capacidade de carga dos destinos, a discussão sobre a construção de novos hotéis em zonas potencialmente saturadas e a aplicação da taxa turística, que considerou excessivamente desigual entre municípios.

Defendeu ainda maior investimento em territórios de baixa densidade como forma de reforçar a coesão territorial e social do país, sublinhando que “o turismo e a hotelaria não são apenas uma atividade económica, mas um contributo decisivo para o desenvolvimento nacional”.

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