Um ano depois de Mario Draghi ter partilhado “a sua avaliação severa e recomendações ousadas sobre o futuro da competitividade da UE”, a situação mantém-se crítica. Para a Associação das Companhias Aéreas Europeias (A4E), “uma coisa está clara sobre o estado da União Europeia: o ritmo da reforma precisa acelerar”. Os passageiros europeus enfrentam “custos regulatórios mais elevados em casa do que em outras partes do mundo”, o que afecta directamente a competitividade das companhias aéreas europeias e da própria Europa, levando cada vez mais voos a desviar-se para destinos ou hubs fora do continente.
Mario Draghi, ex-presidente do BCE, ex-primeiro-ministro italiano e Conselheiro Especial da Presidente da Comissão Europeia, apresentou no dia 9 de setembro de 2024, em Bruxelas, o relatório sobre o futuro da competitividade europeia. No documento, Draghi destacou que sectores difíceis de descarbonizar, como a aviação, enfrentam custos elevados que podem colocar a Europa em desvantagem face a concorrentes de outras regiões.
A A4E cita estas conclusões para reforçar que não basta definir metas ambientais; é necessário garantir “acesso a SAF acessíveis e a manutenção da liderança tecnológica da Europa em aeronaves e tecnologia de gestão de tráfego aéreo”, lembrando que “mandatos por si só não podem garantir um mercado competitivo funcional”. Em suma, Draghi reforça que sustentabilidade e competitividade têm de andar de mãos dadas para que a aviação europeia continue a ser globalmente competitiva.
As companhias aéreas associadas à A4E, que representam 80% do tráfego aéreo europeu, viram “o custo de fazer negócios na Europa triplicar na última década, chegando a € 15,5 mil milhões por ano (o equivalente a 300 novas aeronaves)”. E sem medidas imediatas, prevê-se que este custo aumente “para € 27,5 mil milhões por ano até 2030”.
A A4E aponta três áreas prioritárias onde os governos da UE e nacionais devem atuar de forma urgente. Primeiro, gerir a transição para zero líquido, com foco na redução de emissões e promoção de combustíveis sustentáveis, de modo a evitar desvantagens competitivas significativas no futuro. Em segundo lugar, reformar o espaço aéreo, uma vez que só este verão “110 milhões de passageiros foram afectados por um total de 24 anos de atrasos”, situação que poderia ter sido ainda pior sem “o mau tempo e as mudanças introduzidas por alguns provedores de serviços de navegação aérea”. A A4E defende que os governos nacionais devem acelerar o recrutamento de controladores de tráfego aéreo e a implementação de novas tecnologias.
Por fim, atualizar a Estratégia da UE para a Aviação, já que, publicada em 2015, a estratégia necessita de ser revista; a A4E aponta que “a UE precisa actualizar a sua Estratégia da Aviação para direcionar a sua direcção para a competitividade e nivelar as condições de concorrência para as companhias aéreas, tanto na Europa como no mundo”.
A A4E conclui que “a Europa não pode continuar a ficar para trás numa era marcada pela crescente incerteza geopolítica e económica”, apelando a “medidas ousadas e rápidas por parte dos governos nacionais e das instituições da UE” para manter a competitividade e a interligação do continente.



