Filas no aeroporto de Lisboa podem afetar turismo, mas impacto será temporário, dizem economistas

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Os constrangimentos registados no aeroporto de Lisboa devido à implementação do novo Sistema de Entradas/Saídas (EES) poderão afetar a atividade turística, mas os impactos na economia portuguesa deverão ser limitados e temporários, consideram economistas ouvidos pela Lusa.

Ricardo Ferraz, professor no ISEG e na Universidade Lusófona, admite que a situação pode ter algum impacto na atratividade do destino Portugal. “Pode ter um efeito dissuasor, sobretudo junto de quem privilegia destinos com maior facilidade de circulação e menos tempo de espera à chegada”, afirmou à Lusa.

Ainda assim, o economista acredita que se trata de uma situação transitória. “É um problema temporário, dado que se trata de um período de adaptação a um novo sistema”, considerou.

Ricardo Ferraz recorda que o turismo tem um peso significativo na economia portuguesa, representando cerca de 12% do Produto Interno Bruto (PIB), quando considerados os impactos diretos e indiretos. Segundo o economista, uma quebra expressiva no número de turistas teria repercussões em diversos setores, incluindo hotelaria, restauração, comércio e transportes, com possíveis efeitos também ao nível do emprego.

Apesar disso, considera que o cenário atual não aponta para uma deterioração significativa da procura turística. “Não é expectável uma queda abrupta e significativa do turismo”, afirmou.

Também Ricardo Amaro, economista da Oxford Economics, defende que os constrangimentos não devem ser ignorados, uma vez que “a maioria dos turistas” que visita Portugal utiliza o transporte aéreo, nomeadamente através do aeroporto de Lisboa.

No entanto, recorda que situações semelhantes têm ocorrido nos últimos anos sem comprometer o desempenho do setor turístico nacional. “Não tem sido suficiente para convencer muitos dos que nos querem visitar a optar por outras paragens”, afirmou, defendendo, ainda assim, que o ideal seria corrigir os problemas existentes.

Ricardo Amaro considera, por outro lado, que o atual contexto geopolítico poderá mesmo trazer algumas oportunidades para o turismo nacional. Segundo o economista, o conflito no Médio Oriente poderá levar à redução de voos de longo curso com destino ou escala naquela região, beneficiando destinos alternativos considerados seguros, como Portugal.

“Isto mais do que compensará o efeito negativo por via da redução da procura gerada pela subida dos preços”, afirmou. Ainda assim, sublinha que o impacto deverá ser limitado e sem consequências relevantes para a evolução da economia portuguesa. “O efeito será modesto e não altera a performance geral da economia, onde continuamos a esperar crescimento em torno dos 2% este ano”, concluiu.

O Sistema de Entradas/Saídas (EES) começou a ser implementado de forma faseada em Portugal e nos restantes países do espaço Schengen em outubro de 2025, introduzindo novos procedimentos de controlo de fronteiras, incluindo a recolha de dados biométricos de cidadãos de países terceiros.

O sistema está a funcionar a 100% desde 10 de abril e, desde então, os tempos de espera agravaram-se, sobretudo no aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, onde os passageiros têm enfrentado, em alguns casos, várias horas de espera.

Face ao aumento dos tempos de espera, a PSP tem recorrido à suspensão parcial da recolha de dados biométricos em situações excecionais. Segundo explicou à Lusa o porta-voz da PSP, Sérgio Soares, essa medida é aplicada quando “o tempo de espera num posto de fronteira aérea se torne excessivo”, permitindo acelerar o fluxo de passageiros nos aeroportos.

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