Sábado, Fevereiro 14, 2026
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FITUR: Empresas portuguesas antecipam 2026 mais moderado e reforçam alerta para pressão dos custos

Depois de, em novembro, no World Travel Market (WTM), as empresas portuguesas terem alertado para a pressão crescente dos preços no turismo, a presença na FITUR confirma que essa preocupação se mantém em 2026. No principal certame turístico de Espanha, os responsáveis ouvidos pelo TNews voltam a apontar o aumento dos custos como um dos principais fatores de risco, agora num contexto de crescimento mais moderado e maior incerteza internacional.

Para Heinrich Tontur, diretor de Sales & Business Development do StayUpon Hospitality Group, as perspetivas para o início de 2026 são “as melhores”, ainda que com alguma reserva em relação ao verão. O responsável refere que a realização de grandes eventos internacionais, como o Mundial de Futebol nos Estados Unidos, poderá influenciar os padrões de procura. “Poderá sempre causar a alguns destinos um comportamento diferente”, admite.

Apesar desse contexto, o grupo regista um arranque de ano positivo e antecipa “uma época baixa e um primeiro semestre bem melhor do que 2025”. Entre as principais preocupações, Heinrich Tontur destaca o desfasamento entre o crescimento da oferta e o da procura em Lisboa, bem como a estagnação dos slots no Aeroporto Humberto Delgado. Segundo explica, já se sentem “sinais de muita competição em relação ao preço”, sobretudo na época baixa, uma pressão que considera historicamente negativa para o mercado português.

Também Isabel Tavares, diretora-geral de Vendas & Marketing da The Editory Collection Hotels, reconhece que 2026 deverá marcar uma mudança de ciclo. “Estamos preparados para que seja um ano mais de estabilização do que de grande crescimento”, afirma, antecipando um crescimento a um dígito, após vários anos de desempenhos mais robustos.

A responsável aponta como principais riscos a instabilidade política internacional e a concorrência de destinos próximos, sublinhando a importância de manter uma estratégia de crescimento sustentável e de valorização do destino. Questionada sobre os constrangimentos do aeroporto de Lisboa e o aumento dos custos, considera que são temas que “preocupam todas as pessoas envolvidas na área do turismo”, pela sua influência direta na competitividade do país.

No segmento da restauração e do turismo cultural, Nuno Fernandes, diretor do Fado & Food Group, antecipa um ano “em linha com 2025”, desde que não ocorram perturbações externas significativas. Ainda assim, identifica o aumento dos custos como o principal desafio do setor. “A matéria-prima está muito mais cara, a margem está muito esmagada”, refere, acrescentando que esse aumento acabará por ter reflexos no preço final ao consumidor.

Madeira mantém trajetória positiva e aposta em nichos

Na perspetiva regional, a Madeira apresenta um cenário distinto. Sara Marote, diretora executiva da Associação de Promoção da Madeira, revela que, no final de novembro de 2025, a região já igualava os resultados de todo o ano de 2024 em hóspedes, dormidas e proveitos. Para 2026, embora reconheça um contexto global desafiante, mantém uma expectativa positiva, com foco no aumento do valor gerado pelo destino.

“Aumentar os proveitos totais é de facto o nosso objetivo”, afirma, destacando a aposta contínua em produtos de nicho como enoturismo, cultura, wellness e casamentos. A responsável sublinha ainda a importância da conectividade aérea, referindo a manutenção de rotas existentes, incluindo a ligação aos Estados Unidos com a United Airlines, e o trabalho em curso com mercados como França, Alemanha e Reino Unido.

Questionada sobre sinais de abrandamento, Sara Marote garante que, até ao momento, a região não os sente, reforçando a importância da FITUR como plataforma de contacto direto com companhias aéreas e operadores.

Operadores alertam para perda de competitividade

Entre os operadores turísticos, Carlos Sanchez, diretor-geral da VEFA Travel, espera que 2026 seja, pelo menos, “igual a 2025”, ano que classifica como muito positivo. Apesar de não registar ainda um abrandamento nos resultados, reconhece que os longos tempos de espera no Aeroporto de Lisboa podem afetar negativamente a perceção do destino junto dos mercados emissores.

Uma visão mais crítica é partilhada por Elisabete João, diretora-geral da DTravel DMC, que admite um elevado nível de incerteza quanto à confirmação plena dos grupos para 2026. Embora exista “muito negócio em carteira”, a instabilidade internacional dificulta previsões mais seguras, sobretudo em mercados-chave como os Estados Unidos.

A responsável identifica o aumento dos preços hoteleiros como o maior problema atual, alertando para a perda de competitividade face a destinos como Grécia e Itália. “Deixámos de ser competitivos”, afirma, sublinhando que a classe média, que considera “a almofada do turismo”, está a ser progressivamente afastada. Apesar de reconhecer a excelência da oferta de topo em Portugal, alerta que este segmento representa apenas uma parte reduzida do fluxo turístico total.

Apesar do contexto de incerteza global, a maioria das empresas entrevistadas refere não sentir, para já, um impacto negativo significativo do mercado norte-americano. Heinrich Tontur aponta mesmo crescimento, embora admita que o verão será determinante para avaliar eventuais efeitos da concorrência interna nos Estados Unidos. Também Nuno Fernandes considera que os constrangimentos no aeroporto de Lisboa são, neste momento, mais preocupantes do que a situação interna norte-americana.

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