O presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, apelou esta quarta-feira, dia 11, ao Governo para que avance com uma solução intermédia para o aeroporto de Lisboa enquanto o novo aeroporto de Alcochete não se concretiza, alertando que a ausência de decisões pode comprometer o futuro da estratégia turística nacional.
“Sem um novo aeroporto, ou no mínimo sem uma solução intermédia, temo que a próxima estratégia para o turismo tenha de ser várias vezes atualizada”, afirmou Francisco Calheiros, na sessão de abertura do Congresso da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), que decorre no Porto.
O responsável defendeu que o Executivo não deve ter receio de decidir nem de assumir o ónus político de uma eventual alteração de estratégia. “Ninguém levaria a mal uma pequena inversão e que o Governo equacionasse o investimento numa solução intermédia enquanto não houver aeroporto em Alcochete. Não é só pelo bem do turismo, é pelo bem de todo o país”, sublinhou, apelando ainda à aceleração de decisões, ao fim das “burocracias desnecessárias” e ao investimento dos fundos já disponíveis.
Francisco Calheiros traçou um retrato positivo do setor, sublinhando que o turismo em Portugal “está saudável” e continua a ser um dos principais motores da economia nacional. Em 2025, as receitas turísticas cresceram 6,1%, atingindo um novo recorde de quase 30 mil milhões de euros, superando os 27,7 mil milhões registados em 2024.
“Nunca como no ano passado os turistas gastaram tanto dinheiro em Portugal”, afirmou, acrescentando que este crescimento beneficia toda a economia, uma vez que “os resultados do turismo chegam a todos os setores de atividade”.
O presidente da CTP destacou ainda que as receitas têm crescido mais do que o número de dormidas, o que demonstra que “a qualidade está a imperar sobre a quantidade”, gerando mais valor para o país.
Aposta em mercados de maior valor e papel das ligações aéreas
Para garantir um crescimento sustentável, Francisco Calheiros defendeu a continuidade da aposta em mercados com maior poder de compra, apontando os Estados Unidos como um exemplo claro, mas também os mercados asiáticos, como China, Japão e Coreia do Sul.
Nesse contexto, reforçou a importância das ligações aéreas diretas, considerando essenciais as rotas para os Estados Unidos e para Seul, e desejável o seu reforço. Manifestou também confiança no papel da TAP, admitindo que a companhia poderá sair reforçada com a entrada de um novo acionista privado, mantendo a sua relevância estratégica para a ligação de Portugal aos mercados internacionais.
Outro dos desafios apontados foi a escassez de mão de obra, que continua a afetar o desenvolvimento do setor. Francisco Calheiros destacou, no entanto, as respostas que têm sido encontradas, nomeadamente através do Programa Integrado para o Turismo, que junta o Turismo de Portugal, a AIMA e a Confederação do Turismo de Portugal, com o objetivo de identificar, formar e integrar migrantes na atividade turística.
Classificando o turismo como “a melhor parceria público-privada do país”, o presidente da CTP defendeu ainda a importância da revisão da legislação laboral, em discussão no âmbito do Trabalho 21, considerando-a “uma reforma positiva e equilibrada”. Para o turismo, sublinhou, é essencial que a lei assegure simultaneamente a proteção dos trabalhadores e a flexibilidade necessária às empresas, tendo em conta a natureza sazonal e cíclica da atividade.
Ferrovia, TGV e mobilidade sustentável
No final da intervenção, Francisco Calheiros defendeu a aceleração dos investimentos na ferrovia e no TGV, considerando-os essenciais para a mobilidade em Portugal e para uma distribuição mais equilibrada dos fluxos turísticos entre regiões. “A oferta turística cresceu em todo o país e é cada vez mais diversificada. Temos de garantir ligações fáceis entre regiões e uma mobilidade mais sustentável”, afirmou.
Destacou ainda o crescimento regional do turismo, como acontece no Porto e Norte, e deixou uma mensagem de confiança no futuro do setor, apesar das rápidas mudanças que exigem capacidade de adaptação.
“O turismo é fundamental para o futuro do país. Como dizia John F. Kennedy, a mudança é a lei da vida — e quem olha apenas para o passado ou para o presente acabará por perder o futuro”, concluiu.



