O Governo dos Açores acredita que a SATA e a TAP têm “condições” para “colmatar” a saída da Ryanair, que realizou este domingo o último voo com ligação ao arquipélago, encerrando uma operação iniciada em 2015.
“Temos o verão IATA à porta e eu acho que a SATA e a TAP, as companhias de bandeira, quer a dos Açores, quer a do continente e portuguesa, têm condições para resolver e colmatar essa saída da Ryanair”, afirmou o vice-presidente do executivo açoriano, Artur Lima, à margem da reunião do Conselho do Governo, em Ponta Delgada.
O governante reconhece que a saída da low-cost levanta preocupações ao nível da “mobilidade dos açorianos com o continente português”, sublinhando, no entanto, que “em termos turísticos já há outras companhias a voar” para a região que “não voavam o ano passado” provenientes de outros destinos.
“A SATA e a TAP têm condições para colmatar esses voos [para] que os residentes possam ter a sua mobilidade assegurada por essa via. Não vale a pena fazer drama sobre uma coisa que já aconteceu. O Governo está a preparar e a olhar para essa situação com muito cuidado e eu presumo que vai correr bem”, reforçou.
Segundo Artur Lima, a resposta poderá passar pelo reforço de frequências ou pela utilização de aeronaves com maior capacidade, permitindo aumentar a oferta de lugares disponíveis. “O Governo [Regional] está a estudar ao pormenor para depois, com a SATA e a TAP, reforçar o número de voos que serão necessários”, detalhou.
Sobre os números avançados por associações empresariais, que apontam para cerca de 100 mil passageiros anuais transportados pela Ryanair para os Açores, o vice-presidente classificou-os como “contas de somar e sumir”.
Ainda assim, o fim da operação da companhia irlandesa tem gerado preocupação entre os empresários do arquipélago, que receiam uma quebra no fluxo de visitantes, num destino onde o turismo assume um papel importante na economia.
Artur Lima alertou ainda que não podem existir “retrocessos” no subsídio de mobilidade, uma vez que a suspensão da exigência de situação contributiva regularizada para aceder ao apoio termina na terça-feira. “O Governo Regional já foi bem claro. As forças políticas dos Açores já foram bem claras sobre essa matéria. O que esperamos é que não haja um retrocesso e que, efetivamente, se trate os açorianos com a dignidade que eles merecem”, afirmou.
“Não se trata de um subsídio. Trata-se do direito à mobilidade e do direito à continuidade territorial. É preciso não esquecer isso. O que esperamos é que essa situação seja corrigida”, realçou.



