Quarta-feira, Fevereiro 8, 2023
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Grupo Bomporto Hotels prevê abrir hotel em Gaia em abril de 2023

O Grupo Bomporto Hotels, detentor de duas unidades em Lisboa, o The Lumiares Hotel & SPA e o The Vintage Hotel & SPA, vai abrir o seu terceiro hotel em abril de 2023. O The Rebello Hotel & Spa marca a expansão do grupo a Norte do país, mais concretamente na cidade de Gaia. Com 103 suites, a unidade nasce da reabilitação de dois edifícios no Cais de Gaia, onde antigamente funcionaram uma fábrica de tachos e panelas e caves do vinho do Porto.

Com uma localização premium, como é apanágio do grupo, o The Rebello espera tornar-se numa das melhores unidades hoteleiras da cidade, replicando aquilo que já acontece com os outros hotéis do grupo em Lisboa, que figuram no Top 20 do TripAdvisor.

The Rebello Hotel & Spa, no Cais de Gaia

Por agora, e porque se aproxima a fase final de construção do hotel, é tempo de preparar a equipa. Ludwig Melo assumiu o cargo de Hotel Operations Manager da unidade no final de setembro. No currículo traz uma experiência acumulada nos últimos anos nas áreas de F&B, em vários hotéis de referência, o último dos quais no Porto, o Pestana Brasileira. Conhece a dinâmica da hotelaria no destino e vai liderar um hotel onde a aposta na gastronomia será forte, explica o diretor geral do grupo, Nicolas Roucos, em entrevista ao TNews.

No total serão criados 70 postos de trabalho, que podem chegar aos 110 no pico da atividade. O recrutamento está a ser feito em duas fases. A primeira, que contempla cargos de chefia, teve início em novembro com um Open Day. Agora em janeiro, prossegue o recrutamento para as restantes funções.

É preciso recuar a 2016, para contar a história do The Rebello. Foi nesse ano que o grupo comprou os edifícios. “O projeto de arquitetura foi finalizado em 2017 e entregue na Câmara de Gaia no início de 2018”, recorda Nicolas. Previam-se dois anos de construção e a abertura no final de 2020. No entanto, os efeitos da pandemia, nomeadamente na cadeia de abastecimento, atrasaram a obra.

A história dos edifícios serviu de inspiração para os nomes, tanto do hotel, como do restaurante principal. Começando pela designação do hotel, The Rebello presta homenagem aos barcos que transportam o vinho do Porto, ao mesmo tempo que é um trocadilho com a faceta rebelde do conceito hoteleiro do grupo Bomporto, explica o diretor geral. Já no caso do restaurante, o nome Pots&Pans (tachos e panelas em inglês) é uma homenagem à fabrica de tachos e panelas que ali existia. Quanto à gastronomia, servirá “comida tradicional portuguesa com um twist, servida em pequenos tachos e panelas”.

Suite

O projeto de arquitetura é da Metro Urbe, que volta a trabalhar com o grupo Bomporto depois de ter sido responsável pelo Hotel The Lumiares. No design de interiores há também uma repetente, a designer espanhola Daniela Francheschini, do Quiet Studios, que assina o projeto com a parceria da portuguesa Room2Fit. O resultado é “uma mistura do conceito industrial e chique”, que remete para um luxo despretensioso, que é a imagem de marca dos Hotéis Bomporto.

Já a opção por suites, que podem oferecer desde um a três quartos, prende-se com o sucesso do The Lumiares, em Lisboa, cujo conceito junta a hotelaria tradicional e o aluguer de apartamentos, preconizado pela Airbnb. “A nossa concorrência são os hotéis de cinco estrelas, mas também o Airbnb de luxo. Percebemos que havia um segmento que queria o Airbnb de luxo mas com serviços: spa, restauração. Estamos entre dois segmentos”, explica Nicolas Roucos. A oferta de alojamento é ainda complementada por cinco penthouses.

Por sua vez, além do Pots&Pans, o The Rebello terá ainda um outlet com esplanada, no qual serão servidas iguarias portuguesas, como queijos, enchidos e vinhos, e um rooftop que terá um conceito de pizzaria, em resposta ao segmento famílias, que se prevê que seja importante para o hotel, por causa do conceito de suites. A unidade terá ainda kids club e spa, inspirado nos spas romanos.

The Rebello Spa

Mercados de aposta

Sobre os mercados de aposta, Nicolas Roucos aponta o crescimento das ligações aéreas no aeroporto do Porto como positivo para o destino, mas não descarta a possibilidade dos clientes que já ficam hospedados nos hotéis do grupo em Lisboa, viajarem para o Porto e ficarem no novo hotel do grupo.

“Nos hotéis em Lisboa, os principais mercados são o americano (Lumiares) e o do Reino Unido (The Vintage). Há muitos americanos a viajar em família. Como sabemos, muitos viajantes que vão para o Porto, depois vão para o Douro. Por isso, estamos a trabalhar em parceiras com algumas quintas do Douro. O aeroporto do Porto tem ainda muita capacidade, enquanto o de Lisboa está esgotado. Por outro lado, quando estou no Porto dizem-me sempre o mesmo: que faltam hotéis restaurantes, sobretudo em época alta”, constata Nicolas Roucos, para quem o mercado americano terá o melhor comportamento em 2023. “Uma coisa que percebemos do mercado americano é que não vem só em turismo, os americanos vêm para comprar casas. Estão a investir. Não me admirava que o Golden Visa não acabasse tão depressa. Será que podemos viver sem este investimento?”, questiona.

Com uma visão a médio prazo, Nicolas Roucos afirma que o grupo ambiciona que o The Rebello se torne “o melhor hotel do Porto”. “Estamos a concorrer com os melhores hotéis do Porto, embora sejamos diferentes. À semelhança dos hotéis em Lisboa, queremos ver o retorno ao fim de cinco anos”.

Balanço da operação em 2022

Contra todas as expetativas iniciais, a hotelaria recuperou os números de 2019 já este ano. O grupo Bomporto não foi exceção. “Chamamos a esta recuperação ‘covid honeymoon’”, afirma. “As pessoas não viajaram durante dois anos, fizeram poupanças e agora quiseram compensar. O desconfinamento começou em janeiro de 2022, estamos neste ciclo apenas desde fevereiro, acredito que vai arrastar-se para, pelo menos, mais um ano. Já temos esses indicadores para a procura de 2023. Se compararmos com 2022, é um pouco mais forte. Além de que o turismo de negócios está a voltar”, defende.

Apesar das limitações aéreas do aeroporto de Lisboa, o grupo está confiante no desempenho das suas unidades hoteleiras no futuro. “Este dois hotéis estão no Top 20 do TripAdvisor. Claro que há ciclos, mas temos muita confiança no produto que temos”, destaca.

As taxas médias de ocupação foram de 72% no The Lumiares e 80% no The Vintage. No entanto, o preço médio no The Lumiares é superior devido à tipologia de alojamento. “O The Vintage tem o preço médio da concorrência, que ronda os 200 euros. O The Lumiares é mais alto, porque são suites, estamos com esperança de terminar acima dos 350 euros”. Apesar do Porto ainda ter um preço médio abaixo do de Lisboa, o grupo espera “conseguir um preço médio mais interessante” justamente por se tratarem de suites.

Quanto a novos investimentos, Nicolas afirma que o grupo está “sempre aberto”, desde que faça “sentido na ótica do conceito que temos, não só no que diz respeito à localização, mas também de tipo de produto”. O responsável revela, contudo, que gostariam de crescer nas cidades do Porto e Lisboa ou mesmo fora. “É verdade que, em Lisboa, temos uma boa representação com dois hotéis, mas ainda estamos interessados na Grande Lisboa, no Porto e no Douro”.

Nicolas Roucos reconhece que o maior desafio da hotelaria atualmente é o recrutamento de colaboradores, mas, apesar de tudo, está confiante: “Tivemos dificuldade com os recursos humanos em Lisboa, penso que teremos menos dificuldades no Porto, porque há mais pessoas no Porto dispostas a trabalhar para este tipo de projeto e o mercado é um bocadinho mais largo no Porto, as pessoas estão dispostas a vir de outras cidades, os transportes são muito bons. Pela resposta que tivemos agora no Open Day, penso que nos vamos sair bem”.

Para contrariar o problema da falta de mão de obra, o grupo teve de fazer adaptações. “Tivemos de rever a nossa política salarial, temos um salário mínimo de 900 euros, quando há um ano era de 700. Tratamos os nossos colaboradores como tratamos os nossos clientes, parece um cliché, mas não é, é uma tendência, para sermos competitivos em Portugal e no resto da Europa, temos que ser muito fortes”.

O grupo opera em Portugal desde 2015, ano em que foi fundado por Peter Lowe e Chris Eddis. Tem também negócios no setor imobiliário, nomeadamente com dois projetos residenciais: Palácio do Sandomil, no Chiado, e o Palácio da Emenda.

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