Grupo Endutex acelera expansão em Portugal e no Brasil com cinco hotéis em carteira

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A marca Moov anunciou os seus planos de expansão em Portugal e no Brasil nos próximos anos. Em entrevista ao TNews, André Ferreira, administrador da Endutex, revelou que, em território português, estão previstos dois novos hotéis: um em Braga e outro em Matosinhos. No Brasil, por sua vez, vai estrear-se em Joinville (Santa Catarina) e Foz do Iguaçu (Paraná) e abrir um novo hotel em São Paulo.

O Moov Hotels, marca hoteleira do Grupo Endutex, está atualmente presente em três cidades portuguesas, com um total de cinco hotéis. Na Invicta opera dois: o Moov Porto Centro e o Moov Hotel Porto Norte. Na capital portuguesa é responsável pelo Moov Hotel Lisboa Oriente e pelo Moov Hotel Oeiras, enquanto em Évora está à frente do Moov Hotel Évora.

“Na operação em Portugal tivemos crescimentos muito grandes depois da pandemia e agora chegámos a um ponto em que o mercado está mais ou menos estável”, começou por dizer André Ferreira, acrescentando que, neste momento, “o mercado está mais maduro”. O administrador do Grupo sublinhou que as maiores subidas devem-se à abertura de novas unidades do que propriamente ao aumento do preço médio e da taxa de ocupação. As perspetivas para o final do ano são positivas, uma vez que espera terminar “ligeiramente acima de 2024”.

Entre as unidades com melhor desempenho, destacam-se as corporate por estarem a registar um crescimento maior a nível de ocupação e preço médio. “Notámos que este crescimento deu-se em Matosinhos, por ser uma unidade mais corporate, em Oeiras, por estar numa zona que tem imensas empresas à volta, e em Évora, que, apesar de ser um hotel muito central, a componente corporativa tem um peso muito significativo. Em Lisboa também tivemos uma subida, mas foi o segundo ano completo e, por isso, ainda é um hotel em consolidação.”

Mercados e segmentos

Em relação a mercados, o português continua a ser o principal, representando 40% do total de hóspedes, dos quais 20% pertencem ao segmento corporativo. “O corporate é essencialmente português. Depois, a nível de mercados emissores, temos Espanha, França, Estados Unidos e Brasil. Nas nossas unidades em Lisboa, notámos também um crescimento muito grande do mercado asiático no último ano”, adiantou o responsável.

A nível de segmentos, a marca Moov trabalha com o corporativo e o lazer. “Percebemos, por exemplo, que o nosso hotel junto ao Parque das Nações vive muito dos eventos que são organizados na região. E, com isto, refiro-me a tudo o que é organizado na FIL e na Altice Arena, onde percebemos que há picos de ocupação quando esses promotores têm eventos a acontecer. E depois temos um mercado turístico normal, ou seja, o cliente que marca um fim de semana ou uma estadia curta”, explicou.

Projetos em carteira

Questionado sobre novidades, André Ferreira referiu que, este ano, a grande aposta do Grupo foi a abertura de um novo conceito: os Moov Apartments, “que vêm colmatar necessidades reais de quem procura ficar mais tempo na cidade, com maior liberdade e menos imprevistos”. 

“Acredito que a hotelaria está cada vez mais direcionada para pequenos nichos, ou seja, os clientes são cada vez mais específicos naquilo que procuram. Por isso, acredito que as marcas têm de ter um produto mais definido e direcionado para os clientes. A nossa grande questão foi perceber qual era o tipo de cliente em que éramos menos fortes – e basicamente eram as famílias, porque o nosso conceito não era o mais simpático para esse tipo de utilizador.”

A inauguração deste novo conceito deu-se no Porto com a abertura dos Moov Apartments Boavista. Localizado junto ao Mercado do Bom Sucesso e à Casa da Música, o hotel nasce da reabilitação do antigo Centro Comercial Boavista e representa um investimento de 4,5 milhões de euros. A unidade hoteleira conta com 28 apartamentos de tipologia T1 e T2, totalmente equipados e idealizados para famílias, profissionais em viagem de trabalho ou nómadas digitais.

André Ferreira lembrou que o Grupo Endutex está também a construir o seu “maior projeto em Portugal, onde misturamos os dois conceitos no mesmo edifício: o Moov Hotels e o Moov Apartments”. O Moov Matosinhos Sul, situado na Avenida da República, contará com 143 quartos e 44 apartamentos de tipologia T1 e T2, distribuídos por 10 pisos (sete acima do solo). Com abertura prevista para abril de 2026, a unidade integrará ainda um rooftop panorâmico e salas de eventos, permitindo uma vista de 360º sobre Matosinhos.

O responsável assegurou que a receção deste novo conceito no mercado português tem sido “excelente”. “Além de ir buscar um mercado que não atendíamos bem, também percebemos que os métodos não tradicionais de hospedagem estão a crescer imenso em Portugal nos últimos anos. E nós percebemos que o cliente procura esse tipo de oferta e quisemos oferecê-la de forma profissional, com um serviço hoteleiro de excelência”, disse, acrescentando que, no segundo mês de operação, “ultrapassámos os 50% de ocupação, o que é muito bom”.

Entre as novidades, destaca-se um novo hotel em Braga, próximo da estação de comboios, com 98 quartos. Fruto de um investimento de 8 milhões de euros, a obra iniciar-se-á no 1.º trimestre de 2026 e terá a duração de dois anos.

Operação no Brasil

Sobre a operação no Brasil, André Ferreira lembrou que a Moov opera atualmente três hotéis, espalhados por Curitiba, Porto Alegre e São Paulo (cidade onde operam com a marca Sooz).

“Diria que no Brasil está a ser o nosso melhor ano de sempre. Até à data, estamos com um resultado 70% acima do ano passado, mas isto obviamente tem explicações externas. Desde que estamos no Brasil tivemos a pandemia, as cheias de Rio Grande do Sul e o aeroporto [da região] fechado durante meses. E claro que isto teve um reflexo tremendo nas ocupações. Portanto, diria que este é o primeiro ano normal que temos no país – sem interferência de fatores externos. A nossa operação está finalmente consolidada”, explicou.

No Brasil contam com o Moov Hotel Porto Alegre, o Moov Hotel Curitiba e o Sooz Hotel Collection São Paulo. A isto vão juntar-se duas novas unidades, com abertura prevista para os próximos anos: “Temos mais dois projetos em que temos o terreno comprado e o licenciamento feito, que é em Joinville (135 quartos) e Foz do Iguaçu (118 quartos). Estamos, neste momento, a fasear a construção, de forma a garantirmos fluxos de investimento que façam sentido, mas acredito que, finalizando Joinville, avançaremos com Foz do Iguaçu.”

Além destes, foi anunciado a aquisição de um novo hotel em São Paulo, com 128 quartos, fruto de um investimento de 5 milhões de euros. A abertura está prevista para abril de 2026.

Questionado sobre o perfil de cliente que recebe no Brasil, André Ferreira começou por dizer que, à exceção de São Paulo, é o mercado nacional. “O Brasil vive muito do mercado interno. Contudo, em São Paulo, os estrangeiros já representam 40%, ou seja, é uma realidade bastante diferente daquela que estamos habituados.”

Além de Portugal e Brasil, a Moov está de olhos postos noutros mercados, mas ainda não há nenhuma decisão tomada. “Acredito que vamos pensar nisso em breve.”

Principais desafios do setor hoteleiro em Portugal

Sobre os principais desafios do país, André Ferreira identificou a mão de obra qualificada, a questão do aeroporto e a burocracia. “Um deles é a mão de obra qualificada, que acredito que vai ser crítico para a hotelaria. O outro tem a ver com a questão do aeroporto, que atingiu o limite. Se o aeroporto não conseguir receber mais turistas, o mercado vai ficar um bocadinho mais difícil para todos os operadores. Depois ainda temos algumas questões burocráticas que nos dificultam a operação. E, obviamente, quanto menos mão de obra disponível e qualificada, mais difícil vai ser lidar com todo esse tipo de burocracia que existe no mercado.”

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