O Grupo MSC, proprietário da MSC Cruzeiros, manifestou interesse em adquirir uma participação maioritária na ITA Airways, sucessora da falida Alitalia. Segundo a empresa, foi estabelecido o objetivo de criar uma parceria com o governo italiano e com a companhia aérea Lufthansa.
A MSC, com sede em Genebra, disse nesta segunda-feira, dia 24, que pretende criar uma parceria com o governo italiano, que detém integralmente a ITA Airways, ao lado da Lufthansa, estabelecendo um período de 90 dias para negociações exclusivas, segundo revela o Financial Times.
Recorde-se de que ontem, dia 24, a Lufthansa anunciou que pretendia adquirir 40% da ITA Airways. O jornal italiano Il Flogio noticiou que a parceria entre as duas companhias aéreas poderia ser anunciada já esta semana, estando a ITA e a Lufthansa muito perto de um entendimento sobre alguns termos operacionais.
A ITA Airways disse que a MSC e a Lufthansa pediram ao governo italiano que mantivesse uma participação minoritária na companhia aérea. A transportadora alemã confirmou a parceria com o grupo de navegação, sem oferecer mais detalhes.
A abordagem ao governo italiano ocorreu depois da ITA Airways realizar o seu primeiro voo em outubro, depois de emergir dos escombros da falida transportadora Alitalia, de 75 anos, após anos de perdas e resgates apoiados pelo Estado.
Os termos econômicos da proposta da MSC e da Lufthansa não foram divulgados, mas fontes do governo disseram ao jornal italiano Corriere della Sera que o acordo proposto tem um valor total entre 1,2 e 1,4 mil milhões de euros.
Nos próximos dias, a manifestação de interesse será examinada pelo governo e, até a sua aprovação, o conselho da ITA Airways vai reunir-se para discutir o próximo passo, informa a agência de notícias Reuters.
Roma assumiu o controle da Alitalia em 2020, depois das tentativas de encontrar um comprador privado terem falhado, quando a pandemia atingiu a aviação global. A ITA assumiu a marca Alitalia por apenas 90 milhões de euros, muito abaixo do preço original de 290 milhões de euros.
O governo italiano afirmou que a nova transportadora terá que ser lucrativa até 2025, algo que a Alitalia não conseguiu alcançar no século 21.
Desde o início, segundo o Financial Times, o presidente da ITA, Alfredo Altavilla, disse que a companhia aérea precisava de fazer um acordo com outra transportadora, para lhe dar escala para competir com as grandes companhias europeias. “O possível acordo com a Lufthansa e a MSC é uma solução muito atraente para a ITA”, defende Alfredo Altavilla.
Alguns executivos e analistas de companhias aéreas previram uma onda de consolidação à medida que o setor emerge da crise do coronavírus. Uma parceria entre a Lufthansa e a ITA iria fornecer evidências de como as transportadoras estão a posicionar-se para o mundo pós-pandemia, explica o jornal Financial Times.



