Quinta-feira, Fevereiro 9, 2023
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Grupo UIP regista um dos melhores anos de sempre e segue atento às oportunidades em Portugal

Depois de registar, em 2022, um dos melhores anos de sempre, a United Investments Portugal (UIP), proprietária dos hotéis Pine Cliffs Resort, no Algarve, Sheraton Cascais Resort e YOTEL Porto, é cautelosa quanto a 2023. Em entrevista ao TNews, Carlos Leal, diretor do grupo, afirma que o próximo ano será “de estabilização e aumento da quota de mercado”, mas garante que estarão atentos a oportunidades de investimento. O grupo inaugurou esta terça-feira, dia 29, o Hyatt Regency Lisboa, o seu primeiro hotel na capital. Localizado em Belém, este novo hotel marca a chegada a Portugal da marca Hyatt, pelas mãos da UIP e Fibeira, sob a gestão da UIP Hospitality Management. Através da combinação entre investimento financeiro e hotelaria, o Hyatt Regency Lisboa oferece um conceito “inovador”: a flexibilização das suas unidades de alojamento T2 e T3, que podem ser alugadas como unidades de tipologia T2 e T3 ou como suites T1 e quartos de hotel permitindo chegar as 204 unidades, 99 quartos (entre duplos e twin) e 105 suites. 

Qual é a expetativa para a operação no primeiro ano do Hyatt Regency Lisboa?

É muito positiva. O início foi extremamente positivo, muito devido ao produto, ao trabalho de preparação que foi feito, em termos de equipa de vendas e gestão, e à nossa localização, próxima às embaixadas e ao centro de congressos. Abrimos a 26 de agosto e, no primeiro mês, tivemos uma taxa de ocupação de quase 100%. No próximo ano esperamos que continue. Já estamos a competir com outras propriedades que estão estabelecidas em Lisboa. Vai ser um ano difícil, por todas as razões que sabemos: a Guerra na Ucrânia, custo dos combustíveis, falta de mão de obra especializada. Vai ser um ano difícil, mas julgamos que, pelo produto e pela sua localização, conseguiremos vencer. Estamos muito otimistas quanto ao próximo ano.

Como corre a venda dos apartamentos?

Estão praticamente vendidos, restam dois T3 e dois duplex. Em princípio até ao final do ano serão vendidos. Não disponibilizámos todas as unidades para venda, apenas 94. Dessas, temos quatro por vender.

Vão disponibilizar mais?

Não.

A que mercados foram vendidos?

Maioritariamente mercado brasileiro, português, do Médio Oriente e EUA.

“Tem sido um ano fabuloso, um dos nossos melhores anos.”

Qual é o balanço que faz da atividade do grupo UIP este ano?

Foi extremamente positivo em todos os ramos. No campo do real state, batemos o recorde este ano em vendas imobiliárias. Em termos hoteleiros, para dar o exemplo do Pine Cliffs, estamos 25% acima de 2019, e no Sheraton Cascais, estamos cerca de 15% acima de 2019. No Médio Oriente, estamos bem acima de 2019. Tem sido um ano fabuloso, um dos nossos melhores anos.

“Neste momento, estamos com um pipeline para abrir mais três Spas da MARCA SERENITY em Portugal, sob gestão.”

Fazendo um ponto de situação dos investimentos do grupo e começando pela marca Serenity SPA, o que está previsto?

Em janeiro, abrimos um spa Serenity no Fairmont Dubai. Depois, em abril, abrimos no Koweit. Neste momento, estamos com um pipeline para abrir mais três Spas em Portugal, sob gestão. Ainda não posso revelar as localizações. Por sua vez, a Hyatt definiu a Serenity como a sua marca de referência para todas as novas propriedades na Europa.

E no que diz respeito à Quinta Marques Gomes, em Vila Nova de Gaia?

A primeira fase da Quinta Marques Gomes já está em construção. Quanto à parte imobiliária, já está 80% vendida, os lotes das vivendas estão vendidos. Estamos agora a fazer o projeto para o hotel, que prevê manter o palácio como está. A construção vai estar abaixo do palácio. Já defini a marca que quero, mas não vou revelar, só posso dizer que não é uma marca que existe em Portugal. Estamos agora a desenvolver o projeto e segue-se a fase de licenciamento. Tendo em conta que a Câmara de Vila Nova de Gaia é uma das mais eficientes em Portugal, teremos o projeto licenciado dentro de um ano e depois serão dois anos de construção.

MARCA YOTEL : “Em Portugal, está definido um hotel para Lisboa e estamos a planear abrir numa cidade entre o Porto e Lisboa.

Quais os planos de expansão para a marca Yotel?

Há planos de expansão da marca em Portugal e no estrangeiro. Neste momento temos 22 hotéis a funcionar mas, até 2024, teremos 49 propriedades, incluindo dois no Japão, um em Melbourne, um em Sydney, um em Istambul, um em Atlanta, Los Angeles, e um em Genebra, que abre em março. Em Portugal, está definido um hotel para Lisboa e estamos a planear abrir numa cidade entre o Porto e Lisboa. Estamos ainda em fase de confidencialidade para um projeto a sul do Rio Tejo e a estudar dois projetos em Espanha, juntamente com a construção de um hotel no Médio Oriente.

Considera que, com esta crise da subida de juros, aumento da inflação, vão existir oportunidades de investimento em Portugal? Como vê a entrada e o interesse cada vez maior de fundos internacionais por Portugal?

Os fundos internacionais têm um problema, que é a chamada pólvora seca, ou seja, têm dinheiro e não investiram durante a pandemia. Estão à procura de investimento. Nos EUA, os yields estão muito altos. Por isso, a rentabilidade é difícil quando em Portugal ainda se conseguem adquirir propriedades a preços mais acessíveis, o que dá uma rentabilidade mais interessante aos fundos. Por isso é que os fundos estão a vir para Portugal. Portugal é visto nos EUA e, no mundo todo, como um destino preferencial e consegue-se fazer um investimento de entrada acessível com retorno e yields interessantes em comparação com outros países na Europa que já estão mais avançados.

“Há pessoas que se intimidam com a concorrência. Para nós, a concorrência saudável não é um problema”.

Para quem já está cá estabelecido no mercado, caso do grupo UIP, como vê esta entrada? São abordados para vender os vossos ativos, como por exemplo o Pine Cliffs?

Claro que sim, mas o Pine Cliffs não está à venda. Há pessoas que se intimidam com a concorrência. Para nós, a concorrência saudável não é um problema. Alguns até estão a falar connosco para fazer parcerias. O que julgo é que vão existir oportunidades, até para nós. Há alguns projetos que estão altamente alavancados e, com esta crise – vamos chamar as coisas corretamente, vem aí uma turbulência, com o custo do financiamento a aumentar, e com os custos de energia, aparecem oportunidades. Para quem estiver posicionado, com dinheiro para investir, e uma equipa estruturada e capaz, vão aparecer oportunidades definitivamente.

“Não acredito no fim dos vistos gold”.

Como vê o fim dos vistos gold?

Não acredito que aconteça. É um programa que tem trazido muito dinheiro para os cofres do Estado. Acredito que vai ser estruturado de modo a atingir o objetivo que não foi conseguido até agora, que é o investimento nos vistos gold ser feito em zonas mais rurais. Continuamos, este ano, com 80% do investimento dos vistos gold concentrado no Porto e em Lisboa. Julgo que vai haver uma reestruturação de modo a privilegiar mais os destinos rurais.

Estão dispostos a investir no Interior?

Estamos disponíveis, mas infelizmente o nosso Interior não tem a massa crítica e a dimensão para investirmos lá. É essa a única razão, porque não fazemos um hotel de 20 quartos.

Como perspetiva o ano de 2023 com estes fatores de incerteza?

Penso que há alturas de crescimento e de estabilização. Julgo que o próximo ano é uma altura de estabilização, de proteger os negócios que temos, aumentar a nossa quota de mercado, e estar atentos a oportunidades de investimento. Temos grandes expectativas para esta propriedade, porque já estamos a competir com propriedades estabelecidas no mercado há mais tempo, isso tem a ver com o produto, localização e gestão. É um ano de precaução. 

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