Quarta-feira, Outubro 5, 2022
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Grupo Viajes El Corte Inglés quer crescer em número de lojas e estuda a entrada na gestão de hotéis

No final de 2021, a Viajes El Corte Inglés (VECI) e a Logitravel fizeram um acordo de fusão e criaram uma nova empresa que ambiciona tornar-se uma “referência mundial no setor das viagens”. Meses após a fusão, Jorge Schoenenberger, CEO da Viajes El Corte Inglés, afirma em declarações ao TNews que o balanço dos últimos meses “é muito positivo, tanto do ponto de vista da integração entre as duas empresas, como do ponto de vista de recuperação do mercado.”

A prioridade desde a fusão, a nível de plano interno, tem sido “consolidar todo o novo modelo de gestão, como uma empresa única, integrada, com apenas uma equipa”. Esta consolidação só tem sido possível “com uma boa estratégia de mercado e com uma renovação, quase completa, da tecnologia do grupo”, afirma o CEO.

O objetivo, até ao final do ano, é “ter todos os negócios pensados em marcha, com a nova tecnologia implementada em todos os negócios” e, ainda, “com uma equipa de liderança única e que trabalha bem em conjunto”. No fundo, o plano interno da empresa é “deixar o grupo com os fundamentos necessários para acelerar o crescimento da empresa”. Jorge Schoenenberger fala ainda do plano externo, que visa captar as oportunidades nesta fase de retoma do turismo. “A nível de plano externo, vamos fazê-lo à vez, porque estamos muito implantados no terreno em cada negócio e em cada mercado, em Portugal, Espanha, México, Chile, com os nossos líderes e equipa, para assegurar que capturamos todas as oportunidades de recuperação.”

O CEO da VECI sublinha que, “com a visão conjunta de ambas as empresas”, estão a descobrir novas áreas de oportunidade.

O grupo conta com três marcas no mercado: a VECI, direcionada ao consumidor de classe média-alta e com lojas de rua e em centros comerciais; a Logitravel, uma agência de viagens 100% online; e a Utópica, uma marca de luxo dirigida ao cliente de classe alta.

Schoenenberger afirma que a VECI tem um “tamanho que nos permite ser competitivos em relação ao produto que podemos acrescentar à Logitravel” e, por outro lado, “a Logitravel já tinha uma posição líder muito poderosa”. Apesar da VECI ser “muito forte em loja”, a empresa é “muito débil na parte online”. Com a implementação da tecnologia da Logitravel, o responsável acredita que terão “duas marcas muito poderosas”: a Logitravel, que funciona 100% online e a VECI, “onde o cliente pode reservar em loja, online ou por telefone, num modelo perfeitamente omnicanal”.

“O nosso mercado mais forte é o mercado emissor da Península Ibéria: Portugal e Espanha, e também México e Chile”. Jorge Schoenenberger sublinha que o mercado português “tem um potencial enorme”. A oportunidade de negócio é “grande” e o mercado que querem capturar é “muito amplo”, o que será possível, de acordo com o CEO, “com as ideias que estamos a aplicar, de atualização, e segmentando a oferta com diferentes marcas e serviços.”

Planos de expansão de negócio

O responsável da VECI anuncia que a aquisição de lojas em Portugal para a rede Viagens El Corte Inglés faz parte dos planos futuros. Porém, as aberturas vão decorrer com “prudência”. “Queremos assegurar, antes de abrir um posto de venda, que os números da procura assegurem que teremos êxito”, afirma o CEO que explica que qualquer decisão do grupo “envolve muita análise de dados”.

Quando questionado sobre os negócios que estão a desenvolver no momento, Schoenenberger sublinha que o grupo “já tem todos os negócios que pretendia”. Contudo, há vários negócios, que surgiram este ano e que estão atualmente a avaliar se também serão implementados em Portugal, um desses casos é a Utópia, uma marca dirigida ao cliente de luxo, que ainda não existe em Portugal.

O grupo fez, também, uma joint venture com a Jumbo Tours e com o grupo Alpitour e criou a Contigo, a sua própria DMC, que já está em funcionamento em Portugal. “Antigamente, a VECI contratava o serviço em destino a terceiros”. A DMC Contigo espera aumentar gradualmente o volume de negócios nos próximos anos à medida que crescem as diferentes divisões do Grupo Viajes El Corte Inglés.

Outro dos planos no futuro da nova empresa é a gestão de hotéis. “Já estamos a dar os primeiros passos para lançarmos uma marca de gestão de hotéis”. O CEO sublinha que já têm “diretor geral, plano de negócio e ideias claras de como executar esse plano”. O objetivo da empresa não é a compra de hotéis, mas sim a gestão hoteleira. “Queremos convencer um proprietário de que temos a capacidade de distribuição e de gestão para que ele como proprietário ganhe mais dinheiro”.

A empresa está, também, a fazer várias parcerias com empresas do setor. “Neste momento estamos a fazer uma aliança com uma empresa hoteleira muito grande, que se dará a conhecer nos próximos meses. A cadeia hoteleira vai fornecer o hotel e nós temos de fornecer tudo o resto, o avião, os serviços no destino, etc.”

Resultados para 2022

Antes da pandemia, as vendas da VECI e da Logitravel somavam um total de 3.500 milhões de euros, contavam com mais de 500 pontos de venta e uma equipa de mais de 5.000 pessoas.

Jorge Schoenenberger acredita que, em 2022, o segmento de lazer deverá estar muito próximo dos resultados obtidos em 2019. O segmento corporate, de viagens de negócios, está a recuperar e deverá estar apenas “15 ou 20% abaixo de 2019”. O CEO refere que “desde há duas semanas que as grandes empresas começaram a viajar em trajetos de longa distância, o que deu mais volume ao business travel”.

O segmento de MICE também está a “recuperar de forma fantástica”, por isso deverá ficar apenas 10% abaixo de 2019. “Agora que a covid-19 já está controlada, as empresas sentem a necessidade de reunir as suas equipas, depois de dois anos de teletrabalho, por isso a procura por eventos começou a subir e também a necessidade das empresas de se reunirem com os seus clientes e parceiros.”

Apesar dos resultados positivos, o responsável da VECI afirma que estes valores são apenas uma expetativa. “Estes dados são apenas um desejo. Temos um plano para consegui-lo mas vamos observar o mercado, porque este setor caracteriza-se pela volatilidade e imprevisibilidade.”

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