As principais cadeias hoteleiras internacionais estão a tomar uma posição em relação à Rússia, depois de tantas outras indústrias suspenderem as operações no país após a invasão da Ucrânia, informa o Skift.
Os grupos hoteleiros Hilton e Hyatt decidiram congelar os novos empreendimentos e suspender todos os investimentos na Rússia, anunciaram as empresas na quarta-feira. A Hilton também fechou o seu escritório corporativo em Moscovo e a Accor suspendeu todas as inaugurações que estavam planeadas, bem como desenvolvimentos futuros na Rússia, apurou o Skift.
O grupo IHG também fechou o seu escritório corporativo em Moscovo e suspendeu futuros investimentos, atividades de desenvolvimento e aberturas na Rússia, divulgou a empresa em comunicado.
A posição da Marriott ainda não é conhecida publicamente, porque um representante da empresa não respondeu ao pedido de comentário da Skift a tempo da publicação.
Estas medidas ocorrem quando a indústria hoteleira enfrenta um escrutínio por continuar a operar na Rússia, depois de grandes empresas americanas e europeias como a Airbus, Boeing e até a Starbucks e o McDonald’s se terem retirado da Rússia nos últimos dias, devido à invasão da Ucrânia. Embora o anúncio observe que as empresas hoteleiras estão a congelar os planos de desenvolvimento na Rússia, essas empresas hoteleiras ainda continuam a operar hotéis no país, o que está a gerar uma onda de descontentamento.
A Accor tem mais de 50 hotéis na Rússia, a Marriott tem 28 hotéis administrados no país e o grupo Hilton tem 26.
A Accor continua a operar no país e a apoiar os seus 3.500 funcionários. Porém, de acordo com o Skift, o grupo está a disponibilizar os seus hotéis como abrigo para membros da comunicação social e organizações não governamentais.
A Hilton planeia doar quaisquer lucros das suas operações na Rússia para esforços de ajuda humanitária na Ucrânia. A Hyatt está a enviar suprimentos para o povo ucraniano e a oferecer hotéis como abrigos para refugiados em toda a Europa. A IHG e outras marcas também estão a disponibilizar quartos para acomodar refugiados e a doar para várias causas humanitárias na Ucrânia.
Apesar de terem tomado algumas medidas, as operações contínuas na Rússia destas cadeias, fazem com que a indústria hoteleira esteja atrasada em comparação a outras marcas ocidentais. Contudo, especialistas em hotelaria dizem que há uma variedade de razões financeiras e políticas pró-Ocidente para a permanência dessas empresas na Rússia.
A suspensão temporária do McDonald’s dos seus 850 restaurantes é uma postura mais rígida, pois proíbe as entregas de alimentos nos restaurantes, “mas é mais difícil atrapalhar a operação de um hotel”, dizem os especialistas.
As cadeias hoteleiras dizem que os acordos de franchising são o motivo para não terem escolha a não ser manter as operações em hotéis existentes na Rússia, porém, segundo o Skift, as pessoas não estão a aceitar a justificação dada pelas empresas hoteleiras.
“As empresas têm cláusulas de rescisão em todos os contratos e incorporam sempre nos contratos algumas cláusulas que podem ser invocadas a qualquer momento”, disse Nicolas Graf, diretor associado do Jonathan M. Tisch Center of Hospitality, da Universidade de Nova Iorque.
“Não acho que isso seja um problema. Para eles, trata-se de relações comerciais. Eu acredito que a maioria dos proprietários e investidores [dos hotéis na Rússia] são russos, mas alguns deles também podem ter propriedades noutros lugares. Talvez seja mais sobre tentar gerir esses relacionamentos o máximo que puderem. Uma vez que eles sintam que haverá muita pressão, seja a sua marca ou reputação de pressão política, eles simplesmente desistirão como fez o McDonald’s”, conclui Graf.



