Sábado, Abril 20, 2024
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Hoteleiros sem fronteiras | Com Ulisses Marreiros, Area Managing Director dos hotéis Belmond no Brasil

“Hoteleiros sem Fronteiras” consiste numa série de entrevistas com profissionais portugueses que desenvolvem a sua atividade no estrangeiro, procurando explorar os seus percursos profissionais e as experiências que têm adquirido em diferentes mercados.

Ulisses Marreiros

Após uma trajetória internacional e nacional notável, Ulisses Marreiros desembarcou no Rio de Janeiro, onde assumiu o comando do icónico Copacabana Palace. Sob a sua liderança, o hotel comemorou, em 2023, o seu 100º aniversário. Desde janeiro, supervisiona todos os serviços da Belmond no país, incluindo o Hotel das Cataratas, na Foz do Iguaçu. Nesta entrevista, partilha com o TNews as suas experiências, desafios enfrentados e visão para o futuro da marca no país.

Pode contar-nos um pouco sobre o seu percurso profissional, desde o início até chegar à posição atual na Belmond no Brasil?

Nasci em Faro e estudei Gestão Hoteleira na Universidade do Algarve. Trabalhei na TAP, estagiei no Clube Praia Rocha e no Hotel Quinta do Lago, onde comecei a minha vida laboral pós-universitária. Fiz depois vários cursos executivos ao longo dos anos, em áreas de liderança, finanças, revenue, marketing e estratégia em renomadas universidades internacionais, como Cornell, Bocconi, Harvard Business School e INSEAD. No Hotel Quinta do Lago estive por 9 anos e passei pelo dep. de Vendas & Marketing, Recepção, Golf, Auditor da noite, grupos, banquetes, diretor de serviço e chefe de vendas. Fiz depois a abertura de um resort de ultra luxo da cadeia One & Only nas Maldivas como responsável comercial e passado um ano voltei para o Algarve onde estive quase três anos no Vila Vita Parc, como diretor de Vendas & Marketing. Em finais de julho de 2008, regresso à Belmond (na altura Orient-Express) como diretor residente e passado um ano e meio fui promovido a diretor geral. No início de 2013, fui transferido para a ilha de Maiorca, onde estive até ao final de 2020 como diretor geral do La Residencia, sendo transferido depois para o Rio de Janeiro onde tenho estado nos últimos três anos como diretor geral do icónico Copacabana Palace e, desde o início deste ano, com responsabilidades acrescidas enquanto diretor de área no Brasil, com a supervisão de todos os serviços da Belmond no país, incluindo o lindíssimo Hotel das Cataratas, na Foz do Iguaçu.

Quais foram as principais motivações para assumir a posição de Area Managing Director dos hotéis Belmond no Brasil?

Foi uma honra assumir essa responsabilidade acrescida, depois de três anos extraordinários no Copa, em praticamente em todas as frentes, almejando resultados verdadeiramente acima das nossas expetativas iniciais. Temos uma equipa bem preparada nos dois hotéis e temos uma grande diretora a liderar a operação nas Cataratas, o que me deixa confiante que iremos realizar um bom trabalho nos próximos anos.

Ao dirigir o Copacabana Palace, quais foram os principais desafios enfrentados e conquistas alcançadas?

Sem dúvida, lidar com toda a situação do Covid nos primeiros seis meses de 2021, foi muito complicado, pois não esperava ver acontecer a segunda onda que tivemos muito forte aqui no Brasil. A partir de outubro de 2021 tem sido sempre uma crescente muito positiva, alavancada pelo fortíssimo mercado nacional numa primeira fase. O ano de 2023 foi inesquecível para todos os que nos empenhámos nas comemorações dos 100 anos do hotel. Tivemos uma visibilidade muito grande e soubemos “surfar” a onda. Ganhamos market share e tivemos muitos reconhecimentos internacionais. Foi muito bom.

Qual é a sua visão para o futuro da Belmond no Brasil sob sua direção?

Esse futuro é alinhado com a estratégia global da empresa e numa primeira fase continuar a consolidar a marca e ter os devidos reconhecimentos para cada uma das unidades, entregando resultados bem positivos em todas as áreas, seja financeiros, qualidade, recursos humanos, sustentabilidade, etc.

“Uma das áreas que mais me dá gosto é ver o desenvolvimento dentro da nossa companhia de pessoas com vontade de assim o fazerem. Trabalhamos para proporcionar os meios e ferramentas para que cheguem lá”

Como aborda o desenvolvimento da equipa e a promoção de uma cultura corporativa positiva nos seus cargos de liderança?

Envolvendo todos os interlocutores e trabalhando na promoção do talento. Uma das áreas que mais me dá gosto é ver o desenvolvimento dentro da nossa companhia de pessoas com vontade de assim o fazerem. Trabalhamos para proporcionar os meios e ferramentas para que cheguem lá.

Para outros profissionais que ambicionam chegar a cargos de liderança na indústria hoteleira, quais os conselhos que daria com base na sua experiência?

Paixão, dedicação, persistência e paciência. Hoje é bem diferente, o mesmo diria a geração antes da minha, mas as empresas cada vez mais têm de ser adaptar às novas exigências e nível laboral, tecnológica e de bem-estar.

Quais foram os maiores desafios e surpresas ao adaptar-se a uma nova cultura de trabalho?

Sempre tive uma certa facilidade na adaptação a novas situações e estou constantemente a questionar-me, sobre o que podemos mudar e como o podemos fazer para melhorar para todos o ambiente de trabalho ou a condições de vida.

Como é lidar com uma equipa multicultural?

É fantástico e uma das razões pelas quais trabalho em hotelaria e turismo, para lidar com diferentes culturas, países, credos e afins.

Quais foram os momentos mais desafiadores e gratificantes de sua carreira no exterior?

Até agora o mais desafiador foi, sem dúvida, a gestão durante o primeiro impacto do Covid quando estava em Espanha. Muitos momentos gratificantes, mas o último foi sem dúvida fazer parte de uma equipa que planeou e executou toda a celebração dos 100 anos do Copa.

Planeia ficar no exterior a longo prazo? Se sim, porquê? Se não, você tem planos de um dia voltar a Portugal e continuar sua carreira cá?

Gostaria de ficar por cá mais uns anos, pois temos alguns projetos bem interessantes em mãos nesta parte do mundo. No curto prazo não planeio voltar a Portugal para trabalhar, mas o mundo e nós, estamos em constante mudança.

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