O Hotel Meliã São João da Madeira, em Aveiro, abriu portas no passado dia 15 de agosto, após um investimento de 16 milhões de euros – “o maior alguma vez feito por número de quartos”. Ricardo Gonçalves, administrador da Hoti Hoteis, disse esta segunda-feira, 1 de setembro, que o grupo tem como missão “crescer e reinvestir de forma sustentável e consistente”. Para isso, planeia “abrir um hotel por ano”.
A unidade de quatro estrelas foi criada ao abrigo do Programa Revive e financiada em 5,8 milhões de euros pelo Millennium bcp.
A par disto, o responsável afirmou à imprensa que o grupo, por ser uma grande empresa, “tem sido discriminado negativamente em todos os concursos, linhas de financiamento e de incentivo”. “A única linha em que eu acho que nunca fomos discriminados negativamente foi o IFRRU (Instrumento Financeiro para a Reabilitação e Revitalização Urbanas). Até à data, todos os projetos que nós fizemos são financiados por capitais próprios ou ibéricos, mas sempre numa estrutura onde não há investimentos externos.”
O Meliã São João da Madeira resulta da reconversão do Palacete dos Condes Dias Garcia e promete tornar-se no “ex-líbris da cidade”. Dispõe de 93 quartos e suites, duas piscinas – interior e exterior –, spa e centro de bem-estar, bem como várias salas de reuniões e conferências. A vertente gastronómica divide-se pelo Restaurante Conde, de inspiração local e internacional, e pelo Bar Chapelaria, pensado para momentos de convívio e descontração.
Para gerir esses recursos foram criados 40 postos de trabalho diretos. Contudo, o grupo admite que teve “algumas dificuldades” em encontrar colaboradores. Uma das soluções foi contratar pessoas de outras unidades para exercerem em São João da Madeira.
Na conferência, Miguel Proença, CEO da Hoti Hoteis, lembrou que “não é possível um palacete fazer parte de um hotel se ele não estiver em perfeito estado de conservação”. “Desde o início, o Programa Revive foi o que nos chamou mais a atenção. Este caso em concreto teve a vantagem adicional de permitir que o hotel fosse visitável ao público.”
Paralelo ao palacete está um edifício contemporâneo, onde se encontra toda a estrutura de alojamento, spa e piscinas. Já no palacete estão as áreas comuns, como o bar, o restaurante e o lobby.
Para terminar, Miguel Proença disse que este hotel lhe faz lembrar o Meliã Ria, em Aveiro, por serem duas unidades com uma “presença fortíssima dentro do espaço ibérico”.

Planos de expansão
Questionado sobre planos de expansão, Ricardo Gonçalves referiu que, no próximo ano, o grupo “gostaria” de abrir um hotel em Viana do Castelo, com 130 quartos. Em 2027, pretende inaugurar um hotel de 5 estrelas na Avenida da Boa Vista, no Porto, com 222 quartos, cuja obra deverá iniciar no próximo ano. Está ainda prevista uma unidade hoteleira em Aveiro sob a marca Star Inn e outra em Coimbra. O administrador não coloca de parte a hipótese de crescer por via de aquisição, afirmando que “a nossa posição passa por entrar em cidades de média dimensão”.
Em território internacional, a Hoti Hoteis continua a analisar o mercado. O foco no mercado espanhol, nomeadamente na Galiza, mantém-se, mas até à data “não houve nenhum projeto que se encaixasse no nosso perfil”. Ricardo recorda que o processo de internacionalização do grupo iniciou-se em 2012 com a construção do Meliã Maputo, com 173 quartos. “O próximo passo será com a abertura do hotel em Luanda.”
Receitas da Hoti Hoteis crescem 7% face a 2024
Nos primeiros oitos meses de 2025, a Hoti Hoteis atingiu 79 milhões de euros em receitas, mais 7% do que no mesmo período do ano anterior. Já o GOP [resultado operacional bruto] encontra-se 15% acima do ano passado. Estes valores incluem o INNSiDE Braga, aberto em junho de 2024.
O grupo hoteleiro descreve estes indicadores como “sólidos”, apesar de um “pouco abaixo das expectativas devido a problemas no Aeroporto de Lisboa nos meses de junho e julho”.



