O Grupo Mercan Properties recebeu esta quinta-feira, dia 9 de julho, na Madeira, a certificação Green Key para 10 unidades hoteleiras do seu portefólio: Casa da Companhia, Origine Porto Gaia, Arts Hotel Porto, Sé Catedral Hotel Porto, Fontinha Hotel, Four Points by Sheraton Matosinhos, Holiday Inn Évora, Hilton Garden Inn Évora, Holiday Inn Beja e Hotel Indigo Albufeira.
A propósito desta distinção, que reconhece o compromisso das unidades com a sustentabilidade ambiental e a gestão responsável, o TNews entrevistou Hugo Padrão, diretor de Sustentabilidade do Grupo Mercan Properties, para perceber de que forma a sustentabilidade está a ser integrada na estratégia do grupo e quais são os próximos desafios nesta área.
“A Green Key valida aquilo que já fazemos no dia a dia”
Para Hugo Padrão, a atribuição da certificação Green Key a 10 unidades hoteleiras representa a validação de uma estratégia que o Grupo Mercan Properties tem vindo a consolidar ao longo dos últimos anos. “O Grupo Mercan Properties tem o compromisso de melhorar continuamente a sua performance ESG ao longo de toda a sua cadeia de valor. Embora esse compromisso abranja diferentes áreas de atividade, a operação hoteleira é uma das principais áreas de criação de valor do Grupo e aquela onde a sustentabilidade se torna mais visível no dia a dia, através da forma como os hotéis são geridos, dos procedimentos implementados e do envolvimento das equipas”, refere.
Segundo explica, a certificação permite comprovar, através de uma avaliação externa e independente, que este compromisso está efetivamente refletido na operação diária dos hotéis. “A atribuição da certificação Green Key a 10 das nossas unidades permite validar, através de uma avaliação externa e independente, que estas práticas e compromissos estão efetivamente incorporados na operação. Para o Grupo Mercan Properties, esta distinção representa o reconhecimento da estratégia que tem vindo a ser desenvolvida para consolidar um portefólio hoteleiro cada vez mais alinhado com os seus compromissos ESG, bem como do empenho das equipas de cada unidade na integração da sustentabilidade na operação.”
Uma estratégia que começa antes da abertura dos hotéis
Questionado sobre o papel da sustentabilidade na estratégia do grupo, Hugo Padrão afirma que esta deixou de ser encarada apenas como um fator diferenciador. “O objetivo é exatamente esse: integrar progressivamente a sustentabilidade na forma como desenvolvemos e operamos os nossos hotéis, considerando-a ao longo de todo o ciclo de vida dos ativos, desde a fase de investimento até à operação.”
Essa visão começa logo na fase de desenvolvimento dos projetos. “Ao nível do investimento, temos vindo a reforçar a integração de critérios ESG nos processos de decisão, procurando desenvolver projetos que contribuam para a valorização dos territórios onde se inserem, assentes na reabilitação urbana, na recuperação de património edificado e na criação de valor para as comunidades e economias locais onde operamos.”
Nos projetos e construção dos hotéis, o grupo procura alinhar os empreendimentos com referenciais internacionais, como o LEED e o BREEAM, enquanto na fase operacional aposta na definição de procedimentos, na formação das equipas e na incorporação gradual de boas práticas. “Naturalmente, este trabalho acaba também por constituir um fator diferenciador, mas é sobretudo o reflexo de uma visão de longo prazo sobre a forma como o grupo pretende desenvolver os seus ativos e gerir a sua atividade.”
Embora destaque que a maioria das unidades do grupo são hotéis recentes, concebidos já com uma forte aposta na eficiência energética e hídrica, Hugo Padrão lembra que a certificação Green Key avalia sobretudo a operação diária.
Entre as medidas implementadas encontram-se “a monitorização e definição de objetivos de redução de consumos energéticos, água e produção de resíduos, incluindo desperdício alimentar, a preferência por fornecedores locais e produtos com menor impacto ambiental, bem como o envolvimento dos hóspedes através da promoção de comportamentos mais responsáveis durante a estadia”.
“Os investimentos em sustentabilidade já apresentam retorno”
Na perspetiva do responsável, muitos dos investimentos realizados nesta área já demonstram benefícios concretos. “Muitos investimentos em sustentabilidade já apresentam um retorno claro, sobretudo nas áreas da eficiência energética, gestão da água, redução de resíduos e desperdício alimentar, onde os ganhos operacionais são mais facilmente mensuráveis.”
Ainda assim, reconhece que algumas iniciativas têm um retorno menos imediato. “Existem, naturalmente, iniciativas cujo retorno é menos imediato, como a formação das equipas, a sensibilização dos hóspedes, o envolvimento das comunidades ou certas certificações. Ainda assim, estas iniciativas têm valor porque reduzem riscos, reforçam a reputação e respondem às expectativas de marcas, investidores, clientes corporativos e parceiros.”
Por isso, acrescenta, “encaramos estes investimentos não apenas pela ótica do retorno financeiro de curto prazo, mas também pelo seu contributo para a competitividade e criação de valor a longo prazo”.
Agenda ESG vai além das exigências das marcas internacionais
O Grupo Mercan Properties trabalha com diferentes cadeias internacionais, mas Hugo Padrão considera que existe hoje uma forte convergência entre os respetivos requisitos de sustentabilidade.
“Existe hoje uma convergência crescente no setor hoteleiro em torno dos temas da sustentabilidade. Os requisitos ESG das principais marcas internacionais com que trabalhamos são, na maioria dos casos, bastante semelhantes, diferindo sobretudo no grau de maturidade de algumas ferramentas, processos e sistemas de monitorização.”
Contudo, sublinha que a estratégia do grupo vai além dessas exigências. “A Agenda ESG 2030 da Mercan Properties vai além dos requisitos específicos exigidos pelas diferentes cadeias hoteleiras. A articulação tem sido feita de forma muito colaborativa com as equipas das marcas que trabalham estas matérias e a experiência tem sido muito positiva, permitindo a partilha de conhecimento, de boas práticas e de experiências de outros hotéis e mercados. Mais do que uma sobreposição de exigências, encaramos esta relação como uma oportunidade contínua de aprendizagem e melhoria.”
Hotelaria portuguesa mais madura, mas com desafios pela frente
Na avaliação do diretor de Sustentabilidade, o setor nacional tem registado uma evolução muito positiva. “A hotelaria portuguesa tem vindo a demonstrar uma evolução positiva em matéria de sustentabilidade. O aumento do número de unidades certificadas, a crescente incorporação de critérios ESG em novos projetos e iniciativas como o projeto de reporte Turismo 360.º do Turismo de Portugal mostram uma cada vez maior maturidade e preocupação do setor com estas matérias.”
Recorda ainda que Portugal ocupa atualmente a 6.ª posição mundial em número de estabelecimentos distinguidos com a Green Key.
Apesar disso, acredita que o desafio vai muito além da implementação de boas práticas ambientais. “Num setor em permanente transformação, a verdadeira hospitalidade está hoje cada vez mais associada à autenticidade, ao respeito pelo ambiente e à capacidade de gerar impactos positivos e duradouros. Por isso, acredito que o desafio do setor já não passa apenas pela adoção de boas práticas ambientais, mas pela integração da sustentabilidade como uma dimensão estratégica da gestão hoteleira, influenciando a forma como os hotéis investem, operam, se posicionam no mercado e criam valor para hóspedes, colaboradores, investidores e comunidades locais.”
Sustentabilidade ganha peso na decisão dos clientes
Embora reconheça que fatores como localização e relação qualidade-preço continuam a ser determinantes na escolha de um hotel, Hugo Padrão considera que os hóspedes estão cada vez mais atentos ao desempenho ambiental das unidades. “Os hóspedes continuam a escolher um hotel sobretudo pela localização, qualidade da experiência e relação qualidade-preço. No entanto, existe uma atenção crescente às questões da sustentabilidade e uma expectativa cada vez maior de que os hotéis adotem práticas responsáveis na sua operação.”
Esta tendência é particularmente visível no segmento corporativo. “Esta realidade é particularmente evidente no segmento corporativo, onde muitas empresas já possuem políticas ESG próprias e procuram privilegiar hotéis que demonstrem determinado nível de desempenho nesta área, frequentemente suportado por certificações reconhecidas. O mesmo acontece com algumas das marcas hoteleiras com as quais trabalhamos, bem como parceiros e outras partes interessadas.”
Por isso, conclui, “mesmo que a sustentabilidade nem sempre seja o principal critério de escolha para todos os hóspedes, existe uma tendência clara do mercado para valorizar organizações que conseguem demonstrar esse compromisso de forma credível”.
Objetivo: certificar todas as unidades em operação até 2030
Depois da Green Key, o grupo já definiu novos objetivos. “A certificação Green Key é um marco importante, mas representa apenas uma etapa de um percurso mais abrangente. O Grupo Mercan Properties definiu um conjunto de metas e compromissos de sustentabilidade até 2030, alinhados com as principais tendências ESG internacionais e divulgados no seu primeiro Relatório ESG.”
Entre essas metas está a integração de certificações de sustentabilidade em pelo menos 80% dos novos projetos hoteleiros desde a fase de projeto e a obtenção de pelo menos uma certificação ambiental em todas as unidades hoteleiras em operação.
Paralelamente, o grupo pretende reforçar a monitorização do desempenho ambiental através de sistemas digitais, aumentar o envolvimento dos fornecedores nos objetivos ESG e fortalecer a ligação às comunidades locais.
“Queremos também continuar a envolver hóspedes e colaboradores neste percurso, garantindo que a sustentabilidade faz parte integrante da experiência proporcionada pelos nossos hotéis e da forma como nos relacionamos com os territórios onde operamos.”




