Segunda-feira, Fevereiro 6, 2023
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Indonésia proíbe sexo antes do casamento. Como é que esta lei afeta o turismo?

A decisão da Indonésia de proibir a coabitação e o sexo fora do casamento pode prejudicar a indústria do turismo em Bali, de acordo com os viajantes e as empresas, avança a Reuters. Esta decisão surge quando o turismo começava a recuperar após a pandemia.

Numa revisão do seu código penal, considerada pelos críticos como um retrocesso para a terceira maior democracia do mundo, a Indonésia introduziu esta semana uma série de leis, incluindo a proibição de insultar as instituições estatais e a difusão de pontos de vista contrários à ideologia secular do país, além de cláusulas de moralidade.

Os viajantes e as empresas advertiram que as novas leis poderiam dissuadir os estrangeiros de visitar ou investir na Indonésia.

“Se eu não pudesse ficar com a minha namorada num hotel, juntos, pensaria duas vezes”, disse Wu Bingnan, um turista de 21 anos chinês que estava de visita a Bali, à Reuters.

As alterações ao código penal só entrarão em vigor dentro de três anos, mas Maulana Yusran, vice-chefe do conselho da indústria turística da Indonésia, defende que as novas regras são “totalmente contraproducentes”.

Putu Winastra, presidente da Associação das Agências de Viagens e Turismo da Indonésia (ASITA) em Bali, disse à CNN que as leis iriam “fazer os estrangeiros pensar duas vezes” sobre uma visita à Indonésia. “Do nosso ponto de vista como agentes da indústria do turismo, esta lei será muito problemática”, acrescentou.

Outros profissionais da indústria procuraram acalmar os receios de uma repressão moral na Indonésia, uma nação de 17.000 ilhas onde os cidadãos são predominantemente muçulmanos moderados.

“O regulamento apenas torna mais claro o que temos atualmente, que apenas certas pessoas têm o direito de apresentar uma queixa. (Como operadores hoteleiros) não estamos preocupados e não sentimos que isso vá impactar os nossos negócios”, afirmou Arie Ermawati, gerente do Hotel Oberoi, em Bali, Indonésia.

Atualmente, a Indonésia proíbe o adultério mas não o sexo pré-matrimonial. O novo código penal estabelece que tal atividade só pode ser denunciada por partes limitadas, tais como o cônjuge, os pais ou os filhos. Ao abrigo desta lei, qualquer pessoa – indonésios ou estrangeiros – considerada culpada de adultério ou de relações pré-matrimoniais pode enfrentar 12 meses de prisão, de acordo com a CNN Travel. No entanto, ainda não está claro como estas leis serão aplicadas.

“Os casais que visitam Bali têm de provar que são casados? Deveríamos perguntar-lhes se são ou não casados?” questiona Putu Winastra. “Perguntar aos casais se são ou não casados é um assunto muito privado e será uma tarefa impossível de fazer”, defendeu Ida Bagus Purwa Sidemen, diretora executiva da Associação de Hotéis e Restaurantes da Indonésia (PHRI).

Sidemen considera que o governo indonésio irá rever as leis na sequência da reação do público. “O governo não pode querer turistas – e receitas turísticas – e, ao mesmo tempo, aplicar estas leis que vão afugentar as pessoas. Simplesmente não faz sentido”, constatou.

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